terça-feira, 26 de abril de 2011

Nowhere

O artista se pôs diante da tela branca. Na sua mão direita, a aquarela repleta de cores. Na esquerda, o pincel que logo daria forma à imaginação. Não obstante todo o empenho, ninguém se dispôs a olhar para o céu naquela tarde.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Semeador II

Meu cérebro não mente. O cárcere está vazio e o sol não nasce quadrado. Circulares são as pretensões que voam como as sementes que fertilizarão outros cantões.

Criatura

A criatura saiu do lodo. Abriu a boca coberta de baba e emitiu um sonoro grunhido. Os olhos encararam a luz. Vislumbrou o céu e quis se apoderar do azul imenso. Suas mãos, entretanto, não puderam alcançar o sol.

Sol

Brilhe sol.
Aponte sua potência máxima para o infinito.
Assim não haverá qualquer susto ou grito.
O calor só queimará os que ousarem olhar para trás!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Caminhando

Eu peguei o papel, olhei para o céu e parti. Meus passos certamente não foram ouvidos. A cidade desligou todos os sentidos, mas eu tenho um sentido em mim. Vou aonde a luz brilha. Muito embora não esteja numa caverna, tenho o sol que vejo como guia. Assim, nunca deixarei escurecer qualquer pretensão.

Ah! Mar!

Diário de bordo: Eu peguei na água cristalina. Vi meu rosto. Esperança não mais desatina. O céu é belo. Quero sempre amanheceres sinceros. E à noite, as melhores estrelas cadentes para levarem minhas cartas à janela daquela por qual o meu coração bate.

Nautilus

Vinte mil léguas, falou o capitão do navio. Todos olharam assombrados. Um caiu desmaiado. Depois do silêncio e troca de olhares, mãos pesadas foram levantadas ao alto em sinal de aprovação! Partiu, então, a embarcação. Sem bússola, sem céu para os guiar. O coração é que vai determinar o lugar.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Voador

Eu fui carregado pelas nuvens do novo amanhecer. Uma fada me acompanha. Tranquilidade bem que poderia ser o sobrenome dela. Eu não sei, na verdade. Apenas noto que a escuridão das noites, que passo em vigília, não mais me congelam de temor. Meu mundo é outro. Os segundos eu conto, pausadamente, nos dedos.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Desafiante

Eu fui o cavaleiro que desafiou a morte. E venci, pois continuo vivo. Amanhã não tenho a plena certeza que completarei novamente meu intento, mas agora já me satisfaço em saber que pude sorrir na face da escuridão.

domingo, 17 de abril de 2011

Lieben

Nós vamos correr pelos campos verdes como se o amanhã não assustasse mais. De fato, ele não assusta. As rosas têm o melhor olor. O céu é anil, como nos sonhos. Cada novo amanhecer tem sido digno de uma tela artística.

Jardim

Nuvens vêm, mas logo passam.
O céu continua inebriante.
Quiçá mais, a cada dia.
Há tempos, não vejo o plúmbeo carregado de chuva.
No meu jardim tenho banhado a minha belíssima flor.

Farol

Eu guardo aqui a luz.
Ela que me deu.
Hoje o meu farol só ilumina para uma jangada.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Teatro

Bati palmas para o infortúnio.
Não o farei mais sorrir.
A luz que tenho agora ilumina outro palco.
Lá dança uma estrela de belíssimo sorriso.
É a ela que dedico todo o meu universo.