quinta-feira, 18 de julho de 2013

Calo?

Insisto?
Amainou o vento.
Remar para o horizonte ainda é o objetivo?
As palavras quando se calam continuam a saracotear no pensamento.

Amanheceu

Será que amanheceu?
Eu posso ver pela janela um novo dia.
Respirar profundamente, como antes não faria.
Esquecer o passado.
Inspirar-me no presente que me lava os olhos.
Acreditar, por que não?

Iara, a lenda.

Iara, linda sereia.
A tua boca canta suave melodia.
Resistir ao teu encanto é um desafio.
Antes, quantos homens sucumbiram.

Bem, se dizem que tu és lenda,
Eu, por outro lado, acredito que vive em uma realidade concreta.
Cantando, amando, vivendo.
Com coração de menina, sincero.
O medo não existe para aqueles que buscam um dia de fato te encontrar.

Allegro

Alegra meus dias.
Enche meu peito de esperança.
Quero que venha logo a bonança.
Chega de tempestade.
De raios e trovões.
Busco um céu limpo.
Almejo o espaço.
A estrela que irá trazer o calor que tem faltado no meu coração.

Onde está você?

Onde está você, que iluminará minha sina?
Meu sol, minha lua, minha menina.
Ando nas ruas procurando sombras.
Viro as esquinas e vejo apenas o vão vazio.

Toda manhã eu acordo como se fosse de um pesadelo.
Paro, respiro.
Volto a sonhar.
Um dia eu irei lhe encontrar.
A vida não será de névoas,
mas sim de nuvens do algodão mais doce.

Onde está você?
Preciso sorrir para viver.
Preciso me apaixonar.
Meu coração tem buscado o amor.
Solidão enlouquece o homem e o faz obliterar.

Ina

A sinfonia da cidade desafina.
Um coração morre na esquina.
Outro desatina.
Em pensamentos, muitos reclamam da rotina,
mas aceitam calados e encaram como sina.
Será a vida tão cruel menina?
Acredito que não. Só não achamos o mapa da mina.
Morreremos, entretanto, sem ter algo que nos defina.
Ser humano. Um ser tão complexo, tão desconexo, que só de pensar em pensar amofina.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Apraz

Insípido não mais.
A boca agora carrega um gosto de esperança, de bonança.
Reis não teriam a coragem que neste momento enche meu peito.
Amanhã estarei melhor do que ontem.
Batalhas travarei.
E qual guerreiro não as trava?
Conseguir a vitória depende da luta.
Conseguir a vitória é obra da labuta.
O amanhecer revelará o lutador implacável que sou, guiado pela luz de um sorriso que me apraz.

Obliterar

Pessoas passam.
Restabelecem sorrisos.
Plantam sementes em nossos jardins.
Esperam conosco o germinamento, os primeiros frutos.
Até apontam a luz.
Se não tivermos cuidado, chega o outono.
Depois o inverno.
A névoa.
O esquecimento.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Bem e mal

Ele abriu os olhos. Estava deitado no chão frio. O céu era branco. Tudo era branco. Menos o seu coração. Este era escuro como qualquer falta de pretensão. O seu olhar não carregava esperança. Ficaria hirto por toda a eternidade se preciso. O amor o desiludira. O dilacerara. Invólucro oco. Há um tempo também perdera a razão.

Busca


Naufraguei.
O barco na terra.
A cabeça na guerra.
O sol castiga.
O coração se parte.
Amanhã se reconstrói.
Hoje será o último dia que me dói.
Já vi no meu jardim que aquela semente começou a germinar.

Esperança

Esperança.
Nem sempre o dia é bonança.
O sol às vezes não ilumina.
A alma, como música, também desafina.
Esperança.
A lucarna amanhã poderá ser porta.
E da porta, um novo caminho.
Uma busca pelo apogeu.

domingo, 14 de julho de 2013

Escuridão

Há muito não me perco em meu pensamento. Não vou longe, nem voo longe. A rotina escruciante poderia ser a justificativa, mas estaria sendo hipócrita. Apesar de tudo eu tenho tempo. Queria gravar um pôr-do-sol ou mesmo olhar para o céu, imaginando o que as nuvens estão mostrando para mim. Não consigo. Estou ficando sério, taciturno. O coração que carrego é baleado, despido de vários sonhos. Onde se acha uma vacina para curar uma alma e fazê-la escapar da escuridão?

MUNDO

Ele queria o mundo, o universo. Mas era só uma partícula ínfima. Olhando para o céu estrelado, sentia-se diminuto. Poderia alçar um voo maior no dia seguinte? Ou cairia como Ícaro? Tolo. Perdido em indecisões, emudeceria. Calaria seus sonhos.