domingo, 18 de janeiro de 2015

Nada

As consequências do vindouro,
imprevisíveis,
são estouro.
E deixam marcas.
Marcas que não simbolizam a paz.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Gira sol

Péssima noite.
A escuridão tomou o lugar da luz.
Os sonhos são pesadelos.
Tenho ouro em minhas mãos.
Ouro que não reluz.
De que adiantam os verdes campos se não posso vê-los?
O que está à minha frente é turvo.
Para trás, um buraco negro que há pouco levou o meu passado.
Queria que amanhecesse.
Para ver o sol e as nuvens brancas.
Sorrir como crianças admirada pela movimentação dos girassóis.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Castelo

A onda veio.
Desmoronou meu castelo de areia.
Respirarei.
Construirei outro.
E se nova onda chegar,
construirei outro.
Até minha vida findar.
Porque quem desiste de fazer castelos, conforma-se com as masmorras.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Hurt

Olhe os olhos da criança e não veja mácula.
Os dias passam e perdemos luz.
Logo somos tomados por sombras.
Peso nos ombros.
Rotina.
A infância é olvidada.
Lembrada por lampejos.
O humano amargura o resto da vida.
Vocifera contra a sina.
Morre e se cala.
Enterrando suas preocupações.


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Breve

A vida é breve momento.
Passa às vezes como tormento.
Imagens pairando na mente
distantes
intrigantes
O passado é uma névoa.
É o que penso.
A saudade mora no peito.
A idade pesa nos olhos.
Logo não temos mais.
Logo não somos mais.
No fim,  seremos apenas pequenos silêncios.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Imperfeitos

O que fica do amor é a perfeição do momento.
Mesmo que ali estejam duas imperfeições bailando sem música,
assistidas pelas estrelas,
palavras lançadas ao vento,
quase orações.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Tal vez

Talvez eu tenha em mim todos os sonhos do mundo. Os maiores vagabundos. O medo do porvir. Talvez eu seja fogo ou a água. Barro ou escultura. Abstrato como o vento. Concreto, como a rocha do pico mais alto. Talvez, talvez. Talvez não seja nada. Uma existência impensada. Uma lucarna para um outro mundo.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Eras

O que me segura é o balanço das eras.
Entre luz e feras.
Lutando pelo sangue que cai.
Até que a última gota beije o solo.
E eu cerre os olhos.
Para então dormir o sono dos mortais.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Humano

Por mais que subamos as escadas do conhecimento, é preciso, primeiramente, conservar o humano. Não virar máquina. Contar os dias e não os anos. Logo o ocaso chega. As nuvens vêm e vão. Chove no coração. Alumia a alma. A vida segue. Não podemos perder o tom da canção.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Luz

Não há só escuridão em mim.
Tenho fragmentos de luz.
Não posso fazer da rotina uma cruz
e morrer em todo fim do dia.
Cair, quem sabe.
Levantar sempre.
Renitente,
pois a vida e o tempo não esperam.
Exageram, na verdade.
Em um mero abrolhos,
pode não ser mais.

sábado, 18 de outubro de 2014

Perca

Não perca a sua juventude.
Vá à rua,
lute.
Mude o porvir.
Conquiste a esquina.
Faça o barco emergir,
para navegar e sentir
o vento em seu cenho,
viver cada momento abafado pela rotina.
Esmague a péssima sina.
Escreva o livro da sua vida sem receio de ponto ou vírgula.
Pois ainda as reticências terminam em algum ponto.
Logo vem o silêncio lhe ceifar a existência.
Dura pena.
Ausência.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Incerto

Não sei por que motivo teme a esquina
e se encolhe como as flores no inverno.
A vida não é só uma dura sina,
nem muito pesada,
nem muito leve.
Não se deve desejar somente o breve.
Porque breve o tempo já é.
Se não levantarmos nossos sonhos,
veremos o mundo passar
sem sentir o que se fato o mundo pode nos dar.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Conquistar

Não perca o brilho de viver.
Tanta coisa para ver e conquistar.
Na nossa frente, tanta rua para andar,
incontáveis esquinas para esperançar.
Na manhã, o sol para vislumbrar.
Na noite, as estrelas para acreditar.
Mesmo no sono, temos o sonho,
abstrato,
que pode nos impulsionar para concretizar um novo amanhecer.