terça-feira, 7 de maio de 2013

Partido

Vazio.
Resta em mim apenas um lírio, que logo será levado pelo vento.

Martírio.
Quisera eu controlar o amanhã.

O horizonte nada me revela.
O céu é apenas um objetivo intransponível.

Minha lixeira está atulhada de sonhos.
E no meu copo já não tem mais café.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Dadaísmo mental

Deixa, amor.
As horas passarão.
Outros trem virão.
Quisera eu que a tarde fosse sempre doce.
Infinda.
Crepuscular.
Não quero o fim da vida no pôr do sol.
Quero paz, um barco e um anzol.
Perdido no lago.

Essa lida maldita.
Rotina destrutiva.
Por que não sentar e sorrir?
Remunera melhor.
Sonhar.
Respirar sem sentido.
Não quero isso.
Quero minha lápide do peso das minhas ações.
Omissões não.
Quero um coração livre.
Um cérebro em chamas.
Cheio de idéias.
Com poucos dramas.
Quero me perder na imaginação.

Eu

Eu, o inerme.
O inerte.
O calado sonhador.

Eu, o verme.
O cerne.
O mártir que não sofre dor.

Aproveito a sombra da árvore mais antiga.
Olho a paisagem.
O vento, que sussurra: "Fica".

Eu contrario.
Eu parto e arrepio a nuca, sem olhar para trás.
Quebrei o presente.
Perdi o retrato do passado.
Não consigo ver meu rosto.
Por dentro sou desconfigurado, mas meu coração ainda bate.

Eu, o veneno.
O menino singelo.
O vilão que tem medo do amor.

Explicação

Por que escrever? Por que deitar a caneta no papel e se perder no imaginar? Eu não sei responder. Eu não explicar. Refúgio, diriam alguns. Eu diria que é bom para desanuviar.

Deixa, amor...

Por que desamor?
- Não se vê mais cores no horizonte, nem trompetes celestiais.
E o arco-íris ainda é belo?
- Não, somente singelo e só fica visível quando se sobe nos coqueirais.
Irá amofinar em seu quarto?
- Até o dia que a vida resolva me trazer para a superfície de sentimentos bons.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Platéia

E aquele homem resolveu sair da platéia. Vestiu os farrapos do poeta e, subindo ao palco, declamou uma poesia que nem mesmo ele acreditara ser capaz. As cortinas se fechariam logo em seguida, enquanto no silêncio o homem vislumbrava uma porta aberta.

domingo, 24 de março de 2013

Rotina

A vida escorre pela calçada.
Parece sangue.
Todos passam.
Ninguém olha.
As folhas do calendário caem.
Tristezas são suprimidas.
Alegrias, de tão incontidas, logo se esvaem.
O jornal não noticia o que muitos querem ler.
A paz não chega, nem parte.
Tenho a impressão que o trem para o espaço irá atrasar.


sexta-feira, 8 de março de 2013

Flor

Eu sei que você sonha, linda flor.
O mel vem de ti.
Casais apaixonados chegam até tua presença,
dizendo juras de amor.
Sabes, entretanto, que não ficarás para vê-las.
Tua vida é breve.
Por isso, deixa no mundo o teu olor.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Sono

Sono.
Leva-me embora da realidade.
Fecha meus olhos e me embala como se fosse criança.
Passa o tempo.
Deixa os sonhos virem e povoarem meu pensamento.
Amanhecerá, mas eu não terei medo.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Adeus

Se outrora fui o que não sou, perdoe. Hoje partirei para o infinito. Não saberá mais de mim. Cruzarei o espaço. Virarei a página. Voarei da última flor do teu jardim.

domingo, 3 de março de 2013

Acorde, levante, suspire... Lute.

Acorde.
Veja o mundo.
Já perdeu tantos segundos
em vão.

Levante.
Sinta as pernas que pesam.
O corpo que acreditara não ser forte para a luta,
mas que no peito ainda tem um coração que labuta e o tenta manter são.

Suspire.
Abra os braços.
Abrace o vento que pode te fazer voar.
Não feche os olhos. Aprenda a acreditar.

A vida não é inglória.
Acontece que sem nos defendermos, deixamo-nos morrer,
quando na verdade deveríamos lutar.

Divagar

Quero a história mais bonita. 
As flores cheias de cor. 
Chega de cinza, quero candor. 

Joguei as falsas pretensões no último buraco negro que vi enquanto voava no espaço. 
Meu espaço interior.


sábado, 2 de março de 2013

Roda viva

E o tempo passa, incólume. Logo não seremos nem mais pó. Só uma vaga lembrança.