terça-feira, 16 de julho de 2013

Busca


Naufraguei.
O barco na terra.
A cabeça na guerra.
O sol castiga.
O coração se parte.
Amanhã se reconstrói.
Hoje será o último dia que me dói.
Já vi no meu jardim que aquela semente começou a germinar.

Esperança

Esperança.
Nem sempre o dia é bonança.
O sol às vezes não ilumina.
A alma, como música, também desafina.
Esperança.
A lucarna amanhã poderá ser porta.
E da porta, um novo caminho.
Uma busca pelo apogeu.

domingo, 14 de julho de 2013

Escuridão

Há muito não me perco em meu pensamento. Não vou longe, nem voo longe. A rotina escruciante poderia ser a justificativa, mas estaria sendo hipócrita. Apesar de tudo eu tenho tempo. Queria gravar um pôr-do-sol ou mesmo olhar para o céu, imaginando o que as nuvens estão mostrando para mim. Não consigo. Estou ficando sério, taciturno. O coração que carrego é baleado, despido de vários sonhos. Onde se acha uma vacina para curar uma alma e fazê-la escapar da escuridão?

MUNDO

Ele queria o mundo, o universo. Mas era só uma partícula ínfima. Olhando para o céu estrelado, sentia-se diminuto. Poderia alçar um voo maior no dia seguinte? Ou cairia como Ícaro? Tolo. Perdido em indecisões, emudeceria. Calaria seus sonhos.

Eco

Eu grito e não volta nem o eco.
Como é que sossego sabendo que o ocaso está tão perto?
Havia luz.
Havia vida.
Era possível sentir a ventania.
Refrescar-se com a água.
Hoje o chão é rachado.
O ar é seco.
E não há mais nanquim no tinteiro.
Papéis em branco.
Sonhos obliterando.
Desilusões.

Velho

E esse cara só escreve amargura? De onde tira tanta tristeza? Existe um poço? Ou mora tudo dentro da cabeça desse moço? Que de jovem só tem a face. A alma é enrugada. O pensamento encrustado. As pretensões obnubiladas.

Tronitua

Precisa-se de um sorriso.
Uma leve brisa pela manhã.
Um café quente preparado com amor.
Um céu carregado de clarividente anil.
Porque o humano não vive só de imensa dor.
Tempestades passam, carregadas pelo vento.
O tormento vem, mas não nos afunda para debaixo da terra.
Isso se chama morte.
E enquanto se respira, ainda é vida.
Mesmo que bandida, mesmo que cruel.
Se abrolhos é porque posso lutar.
Os trovões não gritos de deus.
São gritos meus, para que o meu eu possa acordar.

Astro

Vivo de lampejos.
Sou o fragmento do que já fui.
Os restos de mim estão perdidos no espaço.
Vagando sem rumo.
Quero eu que não se percam no buraco negro.
Amanhã visitarei outro planeta.
Porque o meu mundo está em ebulição.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Errante

A estrela que me guiava eu perdi quando o céu resolveu chover.
Há vários dias procuro o sol, o calor.
Em vão.
Sobra o frio, a névoa, o trovão.
Caminhando sem rumo.
Morando com a solidão.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Não sei

O pássaro cantou.
A estrela passou como cometa.
Não sei quem gritou,
não sei quem ficou.
As pedras continuam caindo das encostas.
Às vezes a chuva vem para lavar o peito,
que sujo de sangue e lama revela um coração.
Se bate não sei.
Se sonha não sei.
Inconstâncias.
Incertezas.
Um mar de poréns.

Sentado em minha cadeira de balanço eu vejo o mundo parado. Eu vejo o tempo passando lento. Eu vejo o tormento. O sentimento agonizando no asfalto. O sol castiga. O ar é rarefeito. Quiçá o universo seja o melhor berço. Na verdade, desconheço. Perdi o norte. Escravo estou, ora da sorte, ora da morte. Plúmbeas pretensões.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Errante

Eu, a areia que escapa da mão.
O fogo que cresta qualquer pretensão.

Eu, a própria obliteração.
A ampulheta quase preenchida.

Quem foi que deu corda nesta vida bandida?
Os ponteiros não param, os becos não têm saída.

Sobrevive-se pulando o muro.
Dando saltos no escuro.
Crendo em sombras que nunca poderemos comprovar.

Eu não sei se poderei amar
Nem sei se durarei o próximo segundo.
Malgrado porque meu coração hoje é vagabundo,
embora tenha cansado de receber esmola ou comida fria de ontem.

Sim, o céu é azul.
Mas e os que carregam o pretume?
E os que navegam sem bússola?
Serão todos engolidos pelo vórtice atemporal?

Buracos negros tenho na alma.
Não venha me pedir calma.
Nem falar que ainda tenho um vão a percorrer.

Eu quero mais esquinas.
Chega de música que desafina.
Chega de pensar em sofrer.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Troveja

Falhei.
Vencido, mais uma vez, pelo acaso.
O coro triunfante passou, assim como o sol.
Chove.
Troveja.
E as ideias fogem para o esgoto.
Não entrarei na lama.
Ficarei apenas aqui olhando para o céu.
Quem sabe um dia um raio solar queira voltar a me iluminar.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Universo

Rir é preciso. Navegar não. Não sei me guiar pelas estrelas. Fico somente observando o céu, embasbacado. Astronauta, o universo nunca será seu.