domingo, 30 de junho de 2013

Alimento

Do que realmente se alimenta a alma? A minha é encontrada nos becos mais escuros, revirando latas de lixo, enchendo-se de restos de sentimentos. Não sei em que momento a perdi. Pior, não sei quando a irei recuperar. Como se tivesse sido dividido. Ora tão próximo, ora tão distante quanto a próxima galáxia que nenhum foguete conseguiu alcançar. 
Eu queria ser astronauta. Conhecer as estrelas, pousar em planetas. Vire e mexe o sonho passa. Volto para a terra. Sinto o gosto da lama. O horizonte parece querer se afastar.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Incompletudes

Incompletudes completam o ser humano.
O definem.
A curva.
A reta que não tem fim.
A vida que segue despejando sementes no jardim.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Ao fim

Ele perdera a vida. Tão novo, mas cheio de obrigações do mundo adulto. Quiça tivesse deixado passar a infância para ajudar a família a sobreviver. Para, quem sabe, ter uma razão de viver. Parecia mais calejado. Responsabilidades derrubam aparências, pretensões, sonhos. Infelizmente não pode viver o que talvez almejara. Silenciado pelo tempo. As estações passarão. Outra página do dia a dia se fecha.

domingo, 2 de junho de 2013

Continuar

Sem dor não há piedade.
Sem dó não há música.
Não há continuidade.
Porque o caminho ainda está na minha frente.
E eu não tenho motivos para desistir.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Quebra

Respirou fundo. Voou do mundo que condenara. Passaria um tempo no espaço. Morando, quem sabe, em uma estrela próxima do ocaso. Para se perder em um buraco negro, juntamente com suas parcas pretensões.

Vôo

Olhos calejados.
Boca seca.
Coração dormente.
Assim sigo, renitente.
Porque o futuro me espera.
Passarei por portas e janelas para chegar onde eu deva ir.
Não me importo com o desamor ou com a tristeza que certamente poderão vir.
Eu até posso voar se eu quiser.
Dependo só de mim.

Caos

Em meio ao caos, uma estrela.
Uma flor nascida no asfalto.
Uma esperança verdadeira.
Uma continuidade não prevista.
Um ato improvisado.
Um raio de sol rejuvenescedor.
Porque viver, sorrir e sofrer são verbos inerentes ao ser humano.
Não se pode viver sem sorrir e sofrer.
Não se pode sofrer sem viver e sem sorrir depois do que acontecera.
Não pode sorrir se não lembrar o que é o sofrer.
Não se pode sorrir se não sentir o que é viver.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Rio

Amargura.
Meus dias passam e me pergunto porque alimentá-la com o melhor bife.
Anseio o momento que ela venha a respirar pela última vez.
Recito sussurros, magias que sei que não terão qualquer efeito.
Guardo o amor para o momento que ele possa sair sem se ferir.
Um dia o sol irá queimar as vãs pretensões.
Raios entrarão em meu coração.
Amanhecerá um dia sem nuvens, deixando o anil fluir.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Velho poeta

O velho poeta deitou na sua rede e observou o teto carcomido pelo tempo. Poderia acabar ali a sua existência. Poderia ter ali o seu ponto final, mas achou que a sua vida não seria tão benevolente. Poeta é feito para sentir a agrura. Beber o seu próprio sangue. E sorrir, mesmo que o sorriso não seja o mesmo que carrega no peito.

V i d a

Estrelas.
Cometas.
Inebriante visão.
Céu, teu anil não pode ser em vão.

Tem-se que rasgar o vento.
O véu.
O tormento.
O sorriso perdido no espaço.

Voar para bem longe.
Como pássaro buscando o horizonte,
que nunca será alcançado.
Pois a vida é um aprendizado que será cessado somente com a foice do ocaso.

Desamor

As músicas se repetiram.
O pensamento foi e voltou.
O livro estava aberto na página errada.
Alguns incautos diriam que tinha obra do vento.
Ledos enganos.
Tratava-se do desamor.

domingo, 26 de maio de 2013

Plantação

Esperança. Eu guardo no bolso. Não a plantarei enquanto a aridez repousar em minhas terras. Não quero plantas quebradiças. Quero frutos fortes.


Midas

O poeta não vive de amor.
Sonha com amor.
Prova do amor.
Nunca o terá, entretanto.

O poeta destrói o que toca.
Condena-se na sua própria existência.
Afinal de contas, o poeta come amargura.
E vomita poesia.