domingo, 20 de outubro de 2013

Conquista

Ela queria dançar pelos verdes campos. Sentir a liberdade perdida, conforme a música. E lá esqueceu da rotina, da vida que desatina e desfia a cada segundo passado. Deixou para trás a tristeza, encontrou a firmeza e olhando para cima, resolveu voar. Virou garça. Vibrou com raça. Tinha o céu para conquistar.

sábado, 19 de outubro de 2013

Mundo

Eu sigo longe do romantismo desenfreado.
Há tempo não tenho o coração apaixonado
e cantando amor febril.
Pelo contrário,
tenho achado o amor um sentimento vil.
Desacreditado, escrevo sem destino, solto palavras ao vento.
Não sei em que momento lerão os meus pensamentos,
para me resgatar da modorra e do abismo profundo.
Eu bem queria ver o lado clarividente do mundo,
mas da lucarna eu só vejo parca luz solar.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Dreamland

Terei a minha redenção? Ou continuarei cavando as sementes que não germinaram? O solo está vergastado. O céu não traz a chuva esperada. Como poderei seguir o coração se não possuo mais esperança? Quem dera viesse a bonança. Teria sossego. Dormiria em paz.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Trem

Esperar o trem chegar.
Encontrar outro lugar.
Chega de esperar o porvir.

Pássaro

Os pássaros voltaram a cantar, ele disse. Sem reservas, o choro veio. Sem brumas, sem tempestades, sem corações partidos. Uma realidade sonhada ou vivida? Que o abstrato não permeie mais os pensamentos. Já é chegada a hora de realizar.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Sorrir

Um sorrir.
Sou capaz.
Um sorrir.
Logo, tudo mais.
Hoje até lua me despende um sorriso.
Hoje até a rua me tira de dentro de mim.
Quero somente a chuva para lavar esta alma suja.
Novos ventos irão me levar para o turbilhão onde o coração bate sem reservas,
sem silêncios.

Espera

Espero cantar como o pássaro do canto mais belo.
Singelo, porém salutar.
Prescindir do pedir, amar por amar.
Escapar da noite,
Raiar com o sol.
Andar sem medo.
Não quero quadros monocromáticos.
Coração pulsante eu almejo.
A cada passo sonhar e suspirar.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Ando

Eu ando só porque não sei se o amor é meu.
Há tempos fico perdido no limiar da loucura e da sanidade.
Pouco importa o sol, as nuvens, o coração que bate.
Perdido.
Eu vejo névoas por todos os lados.
Em mim, uma selva impenetrável.
Não aguento mais o silêncio e a pouca esperança no porvir.
Encherei um balão, voarei daqui.
Talvez ver a terra de longe me dê sede de querer pousar.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Voe

Pegue minha mão. Logo ali está o horizonte. Tenho medo do abismo, do cinismo humano. Não posso ir só. Sem você não poderei voar.

Fix

Fecho os olhos.
Quero a infância.
O passado que deixei escapar.
Estava na minha mão,
mas quis voar.
Poderei sonhar?
Ou viverei empedernido.
Morrendo, sofrido, até por completo me amargurar.

domingo, 6 de outubro de 2013

Loucura

Enervo-me com as parcas paixões.
Quando penso que achei meu futuro,
percebo que o caminho não é seguro,
paro por ali.
Eu queria ter sentimentos,
sair da modorra.
Meu barco, entretanto, não encontra o farol.
Devo estar longe da terra,
perto sim estou da guerra,
da tempestade que habita o ser.
A minha alma é rasgada, vergastada.
São poucos os anos de estrada,
mas dentro de mim moram milênios.

Há um tempo eu sentei na ponta do abismo.
Buscava o pôr-do-sol.
Tudo o que encontro é noite.
Raras estrelas.

Esperança ainda guardo,
pois ainda sinto o pulsar nas minhas veias.
E se vivo estou,
é porque tenho que aprender.
Por amor ou sem amor.

Ontem plantei uma semente.
Não sei se dela terei flor ou fruto,
nem tampouco sei se candor ou luto,
mas a regarei, como rego o meu viver.

Que caia a chuva sem fim.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Devagar

A vida e seus meandros. Teimamos em aceitar o desvanecer, enquanto a luz oblitera. Ontem mesmo fechei uma janela. Quando abrirei a porta? Quando colherei os frutos da horta, para deixar de me alimentar do silêncio que corta o peito? Onde está a água para desempedernir o coração? Tantas perguntas levadas pelo vento. Tantas reticências que não explicam o turbilhão.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Rest meines ichs

Eu parto corações e sento na mesa para jantar. Como se o futuro não fosse existir. Como se o vórtice temporal fosse me levar daqui. Ontem queimei as fotos do passado. Perdi a identidade, o meu rosto. Joguei tudo no espaço. Não há estrela, nem brilho. Não há delírio. Só restos de mim.