quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Canto da espera



Canto para te esperar.
Amanhece e você não chegou.
Relembro que passou.
Insatisfeito fico cá.
Não posso me acostumar.
É você quem eu queria aqui.

Bem, eu não nego.

Abraço o que restou.
Nas memórias desse amor.
Deito e começo a sonhar.

Eu queria seu beijo aqui.
Iria te fazer não ir.
Ressoaria todo o bem que você me faz.

Acontece que não sou capaz,
de fazer o tempo se mover,
para unir dois corações,
que trataram de se separar.

Como posso conceber?
Acordar e não te ver.
Receio não te ter nunca mais.

Ilhado agora estou,
não vejo nada além de dor.
Não queria deixar de acreditar.
Coração perdido a cantar.
Andorinha sem verão.
Riso teu que eu não tenho.

Irei agora caminhar,
para bem longe daqui.
Nalgum lugar eu hei de sorrir,
enquanto a lágrima tratar de secar...


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Caneta vazia

Quem era eu antes de você?
Uma caneta cheia.
Um papel em branco.
Mas você me mostrou o mundo.
As histórias.
E os meandros da vida.

Sentado,
eu viajava.
Em letras.
Em números.
E crescia ali,
como se regado fosse.

Enquanto meus olhos se deslumbravam,
enquanto a minha mente voava,
você tratava de me mostrar os caminhos.
De explicar os porquês.
De ser exemplo,
para que eu me tornasse exemplo.
Para que eu pudesse contribuir com o que você tentava construir.

Hoje,
Mestre,
eu agradeço.
A folha está cheia de idéias.
E a sua luz que recebi eu ando deixando por aí.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Olhar

Mal se olharam,
mas se viram.
Enquanto a música tocava,
a mente voava,
junto com o tempo.

Nem se tocaram, mas deixaram uma coisa um no outro.
Curiosidade?
Ou só vontade de quebrar o silêncio?

Não se falaram,
mas falariam se assim pudessem ter feito.

Duas almas,
dois jeitos.
Dois olhares.
Múltiplos pensamentos.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Pontes

Quando dois olhares se cruzam,
impera o silêncio em cada segundo passado.
Não existe fila do que é certo, nem errado.
Existem poesias e suspiros descompensados.

Quando dois olhares se cruzam,
explode-se um mundo.
Cria-se outro.
Enquanto o pensamento rodopia e a alma sente.

Quando dois olhares se cruzam.
Pontes.
Travessias.
Mãos dadas.
Caminhos que não são caminhados sozinhos.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Sopro

A vida é um sopro, vagalume.
Vá iluminar a escuridão,
antes que o tempo se esvaia.
Antes que ampulheta deixe passar todos os grãos de areia
e a música,
fatalmente,
não possa mais ouvida.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Vagalume

Tu flanaste como vagalume na tua escuridão.
Soltando notas.
Vibrando com a música.
E com a vida.
Tu viraste história.
Sedimentado na memória dos outros.
Em cada letra viva.

Hoje teu piano silencia.
Tua poesia descansa.
Um ponto final nesse sopro que chamamos de existência.
Onde o volume se abaixa e a cortina se fecha.
Dando azo para a nostalgia.

*Em homenagem póstuma ao Sérgio Sá.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Só sobra

Sou muito ruim dessas coisas.
Não sei sorrir.
Não sei voar.
Às vezes eu só queria sonhar e concretizar os porquês.
Porque enquanto há vida,
há sopro.
Há vento.
Catavento.
Gira.
Do jeito que tu queiras.
Vamos.
Deixa de bobeira.
Me dá a mão.
A esquina é uma álea,
mas é a continuação da história.
E sem história,
sem memória.
Soçobra o ser, afundado nos porquês.
E só sobra o vazio.
E o silêncio beija a eternidade.
Dançando com o ponto final.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Punckt

Eu sempre tenho aquela vã esperança de você ser meu par.
Para dançar.
E dar mais graça para o viver,
enquanto o tempo trata de passar.
Eu sei.
É demasiado pensar assim.
Mas o que seria dos dias se não pudéssemos sonhar?
O que seria da poesia?
A vida se resumiria a pontos finais.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Flor

Navegou.
Onde pôde ir.
E cresceu, sem medo do porvir.
Leniente,
Igual a brisa mais leve.
Aprendeu a florescer por onde flor.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Janta

Ultimamente tenho me sentido num jardim de flores mortas. O céu plúmbeo, tal qual meu coração. A terra árida e nenhuma gota vinda das nuvens.

Olho para as pétalas secas que arranquei. Elas jazem no chão. Não sei qual momento eu me perdi. Houve um clarão de luz, depois a escuridão. O silêncio. Nenhum amor.

As pessoas que olho me soam desinteressantes, ou quando me interessam, viram o rosto. Passam por mim como as horas. E eu me sinto impotente, vendo meu castelo de areia desmanchar nas minhas mãos.

Ultimamente eu tenho me sentado à mesa de jantar com a angústia. O prato? O prato, meus caros, tem sido a minha razão.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Guerreiro

Para mim você é um guerreiro, que luta com a sua luz.
Um coração que bate.
Um sorriso que rebate.
Um abraço que acalenta e fortalece.
Uma esperança.
Uma semente de amor.

Lute bravamente.
Seja forte,
Seja veemente,
Seja flor nascida do concreto.
Porque não existe solo infértil na alma humana.
Somos poesia.
Somos candura.
Somos o que bem entendermos ser.

domingo, 13 de agosto de 2017

Medê

Me dê um pouco dessa angústia.
Deixa eu beber.
Assim esvazia-se mais rápido o copo.
Ameniza o teu ser.

Vem cá, olha a vida.
Passando como um trem ilimitado.
Outros vão,
Outros vem.
Em luz ou escuridão.

Põe um sorriso no rosto.
Dá a mão para mim.
Não te deixo caminhar errante.
Você não merece esse fim.

Vem cá.
Este coração que aqui bate.
Também bate por ti.
Também quer lhe ver viver.
E resplandecer como o amanhecer que tu mereces ser.

Porque não nascemos para ser pó.
Nascemos sim para ser universo.
E por isso eu vivo mergulhando em verso.
Para não esquecer o que vim fazer aqui.

sábado, 12 de agosto de 2017

Euquero

Sim, não quero menos que o céu.
Quero o sabor do mel.
E o canto dos sabiás.
Porque viver ao léu é se apagar.
É deixar de viver.
É emudecer.
Quando se tem muito para falar.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Paraaalma

E a comida para a alma?
Amor.
Calor.
Candura.
Uma flor.
Uma poesia.
Olhos que brilham em sintonia.
Corações que retumbam o mais alto que se pode.
O infinito do céu.
O sol e a plenitude.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Avidaé

A vida é um milhão de novos tropeços.
E até mesmo de buracos iguais.
A vida é também recheada de começos.
Vírgulas e pontos finais.
Uma completa histórias de nós mesmos.
Plantações.
Desejos mortais.
Chatices que geram bocejo.
E sinceros corações marginais.
Amor que transborda.
Amor que seca.

A vida é amanhecer.
É saber que respira.
E que há algo para lutar.

A vida é não se entregar.
É resistir enquanto o raiar do sol da nossa existência perdurar.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Brilha

E lá do alto vem a moça,
toda formosa.
Ninguém imagina o que há dentro dela.
Um coração.
Um choro.
Uma vela.
Acesa para o seu mundo iluminar.

Ela é boa menina.
Canta bem, não desafina.
E nas agruras da vida, não deixa de sonhar.

Brilha, querida menina.
Brilha o quanto você puder.
Brilha pequena criança.
O mundo é seu.
Levanta e encara o que vier.

Sei que teu peito grita.
Que a cabeça não pára.
Só agita.
Que as estações são suas e de mais ninguém.
Sei que se apegou ao inverno.
Ao frio da emoção.
Mas sei que dentro de ti há alma pura e límpida.
Há poesia e uma vontade de persistir.
Por isso não desista com a queda.
Seja estrela ou grão de areia.
A importância que tem, está dentro de ti.

Brilha, querida menina.
Brilha o quanto você puder.
Brilha pequena criança.
O mundo é seu.
Levanta e encara o que vier.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Arranco

Eu ia falar uma poesia,
que ouvi há pouco.
Mas devo ser louco,
pois esqueci.
Tenho andado claudicante.
Pouca alma.
Meio errante.
Tantos sonhos.
Esperanças no porvir.
Eu não sei se ando ou paro por aqui,
para ver a vida passar.
Para ver se arranco um sorrir.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Não temos

Não temos que ir.
Às vezes ficar,
para vislumbrar o sol se pôr,
enquanto o dia perde a cor,
ao passo que o azul do céu cede para o manto estelar,
talvez seja o melhor a se experimentar.

Ao invés de correr, parar.
Sonhar e concretizar.
Entender a beleza do mundo.
E também de cada respirar.
Para depois seguir.
Cabeça no lugar.
Não se vai a canto nenhum,
se não se sabe para onde rumar.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Pelo quê?

Obrigado pela vida amada.
Obrigado pelo vento e as cores.
Agradeço aos amores.
Ao sol,
E à noite.
Tenho caminhado muito.
Resfolegante.
Sei que do meu destino ainda estou distante,
mas não aquieto o pé,
nem o peito,
pois lá o coração bate,
E de que valem os seres humanos se não tiverem algo pelo que lutar?

terça-feira, 30 de maio de 2017

Resista

Resista.
Ouça o canto dos pássaros, da vida.
Beleza é que não falta no mundo afora.
E é por ela e por nós que estamos aqui para lutar.
Respire, fique na pista.
Teu farol não vai se apagar.
Ainda existem mares para navegar, sorrisos para te fazer voar.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Me dê

Me dê um pouco de amor.
Ou mesmo um trago de lucidez.
Seja flor, meu bem.
Que eu serei o jardineiro,
para lhe fazer brotar em todo o amanhecer.

Me dê um sorriso,
ou mesmo um giro pelo mundo.
Já enjoei de ficar aqui contando os segundos que não param de passar.
Segura minha mão.
Não me deixa na escuridão.
Quero você e nada mais.

Me dê cá o seu abraço,
o seu cheiro,
a sua concretude.
Tira-me do abstrato.
Cansei de falar comigo mesmo no espelho.
Vem ser comigo o que não posso ser só.
Vem ser nós dois.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Payaso

Eu sou palhaço.
Um sentimento profundo.
Uma gota de riso,
ou de lágrima por uma tristeza passada.

Eu sou palhaço.
Explosão
e silêncio.
Festim
ou uma canção lamuriosa numa madrugada fria.

Eu sou palhaço,
mas isso nem sempre é alegria.
Ser palhaço é quase como viver em uma poesia.
Ora a mente se esvazia.
Ora o coração se completa, quase lhe fazendo voar.


quarta-feira, 17 de maio de 2017

Mares

Cruzei mares de pensamentos.
Naufraguei,
notoriamente,
em alguns,
ao passo que procurava o norte nas estrelas.
Mas eu precisava ver o solo.
Saber que tenho que voar,
mas que tenho que pousar.
Para não subir demais
e me perder no espaço.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Avante

Joguei fora todos os meus discos.
Queimei os papéis.
De passado, não mais.
Avante.
Mesmo que claudicante.
Avante.
Cruzando rios ou montes.
Avante.
Porque não fui ensinado a deixar de sonhar.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Desamor

Eu parto corações e sigo.
Rumo ao infinito.
Eu calo orações.
Eu minto.
Apago luzes para me embebedar de solidão.
Sou sombra.
Peso nos ombros.
Alimento-me toda vez que quebro um encanto.
Piso em poesias.
Jogo flores no lixo.
Danço valsa sozinho.
Sem música.
Só choro e vela.



segunda-feira, 24 de abril de 2017

Angústia

Por que o poeta escreve melhor se mergulhar na angústia?
Uma pergunta nada convencional.
Mas plausível.
Risível até.
E a resposta talvez seja de uma simplicidade ímpar.
Sentir a angústia, viver a angústia, é um jeito de se humanizar.
De entender o humano.
De entender o que é.
De saber que a vida pode ser sol,
mas às vezes também pode ser chuva e ventania.

domingo, 9 de abril de 2017

Comida d'alma

Comida para a alma?
Poesia?
Sonhos, fantasia.
Jeito leve de viver.
Voar no sonhos
ou nas nuvens.
Ser do espaço flutuante
ou saber onde pisar.
Na terra.
Nessa vida.
Nesses dias que amanhecem para que encontremos nosso resignificar.

Pensamentos

No dia que aprendermos a valorizar os professores, seremos uma sociedade de degraus a subir e não de ladeiras a descer.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Transforme

Isto, me dê o seu melhor brilho no olhar.
Seja a mudança que você quer implantar.
Amanheça seus planos.
Beba seus sonhos.
E corra, corra para conquistar ao invés de ficar hirta a pensar.
Largue o passado.
Leve o presente e o aprendizado.
E transforme o abstrato em concreto, sombras em luz estelar.

terça-feira, 7 de março de 2017

Obnubilado

Deixe de pensamento obnubilado, menina.
Logo mais há uma esquina.
Um mundo novo para se olhar.
Eu sei que busca a paz.
Por isso não desafina.
A música que você canta não pode parar de tocar.
Usa seus pés para caminhar.
Porque o destino é seu.
E as sementes que guarda nas mãos são suas.
Plante.
Colha.
Viva.
Respire.
E siga porque o que não falta é terra para se plantar.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Até o futuro



Até o futuro, meu bem.
A espero na esquina.
Até o futuro, meu bem.
É nossa sina.
Até o futuro, meu bem.
Caminhe comigo
Até o futuro, meu bem.
Deixa seu coração ser meu abrigo.
Até o futuro, meu bem.
Pinta meu mundo.
Até o futuro, meu bem.
Onde o futuro, o passado e o presente não irão importar.
Pois terei seu olhar e sua voz.