segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Só sobra

Sou muito ruim dessas coisas.
Não sei sorrir.
Não sei voar.
Às vezes eu só queria sonhar e concretizar os porquês.
Porque enquanto há vida,
há sopro.
Há vento.
Catavento.
Gira.
Do jeito que tu queiras.
Vamos.
Deixa de bobeira.
Me dá a mão.
A esquina é uma álea,
mas é a continuação da história.
E sem história,
sem memória.
Soçobra o ser, afundado nos porquês.
E só sobra o vazio.
E o silêncio beija a eternidade.
Dançando com o ponto final.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Punckt

Eu sempre tenho aquela vã esperança de você ser meu par.
Para dançar.
E dar mais graça para o viver,
enquanto o tempo trata de passar.
Eu sei.
É demasiado pensar assim.
Mas o que seria dos dias se não pudéssemos sonhar?
O que seria da poesia?
A vida se resumiria a pontos finais.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Flor

Navegou.
Onde pôde ir.
E cresceu, sem medo do porvir.
Leniente,
Igual a brisa mais leve.
Aprendeu a florescer por onde flor.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Janta

Ultimamente tenho me sentido num jardim de flores mortas. O céu plúmbeo, tal qual meu coração. A terra árida e nenhuma gota vinda das nuvens.

Olho para as pétalas secas que arranquei. Elas jazem no chão. Não sei qual momento eu me perdi. Houve um clarão de luz, depois a escuridão. O silêncio. Nenhum amor.

As pessoas que olho me soam desinteressantes, ou quando me interessam, viram o rosto. Passam por mim como as horas. E eu me sinto impotente, vendo meu castelo de areia desmanchar nas minhas mãos.

Ultimamente eu tenho me sentado à mesa de jantar com a angústia. O prato? O prato, meus caros, tem sido a minha razão.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Guerreiro

Para mim você é um guerreiro, que luta com a sua luz.
Um coração que bate.
Um sorriso que rebate.
Um abraço que acalenta e fortalece.
Uma esperança.
Uma semente de amor.

Lute bravamente.
Seja forte,
Seja veemente,
Seja flor nascida do concreto.
Porque não existe solo infértil na alma humana.
Somos poesia.
Somos candura.
Somos o que bem entendermos ser.

domingo, 13 de agosto de 2017

Medê

Me dê um pouco dessa angústia.
Deixa eu beber.
Assim esvazia-se mais rápido o copo.
Ameniza o teu ser.

Vem cá, olha a vida.
Passando como um trem ilimitado.
Outros vão,
Outros vem.
Em luz ou escuridão.

Põe um sorriso no rosto.
Dá a mão para mim.
Não te deixo caminhar errante.
Você não merece esse fim.

Vem cá.
Este coração que aqui bate.
Também bate por ti.
Também quer lhe ver viver.
E resplandecer como o amanhecer que tu mereces ser.

Porque não nascemos para ser pó.
Nascemos sim para ser universo.
E por isso eu vivo mergulhando em verso.
Para não esquecer o que vim fazer aqui.

sábado, 12 de agosto de 2017

Euquero

Sim, não quero menos que o céu.
Quero o sabor do mel.
E o canto dos sabiás.
Porque viver ao léu é se apagar.
É deixar de viver.
É emudecer.
Quando se tem muito para falar.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Paraaalma

E a comida para a alma?
Amor.
Calor.
Candura.
Uma flor.
Uma poesia.
Olhos que brilham em sintonia.
Corações que retumbam o mais alto que se pode.
O infinito do céu.
O sol e a plenitude.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Avidaé

A vida é um milhão de novos tropeços.
E até mesmo de buracos iguais.
A vida é também recheada de começos.
Vírgulas e pontos finais.
Uma completa histórias de nós mesmos.
Plantações.
Desejos mortais.
Chatices que geram bocejo.
E sinceros corações marginais.
Amor que transborda.
Amor que seca.

A vida é amanhecer.
É saber que respira.
E que há algo para lutar.

A vida é não se entregar.
É resistir enquanto o raiar do sol da nossa existência perdurar.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Brilha

E lá do alto vem a moça,
toda formosa.
Ninguém imagina o que há dentro dela.
Um coração.
Um choro.
Uma vela.
Acesa para o seu mundo iluminar.

Ela é boa menina.
Canta bem, não desafina.
E nas agruras da vida, não deixa de sonhar.

Brilha, querida menina.
Brilha o quanto você puder.
Brilha pequena criança.
O mundo é seu.
Levanta e encara o que vier.

Sei que teu peito grita.
Que a cabeça não pára.
Só agita.
Que as estações são suas e de mais ninguém.
Sei que se apegou ao inverno.
Ao frio da emoção.
Mas sei que dentro de ti há alma pura e límpida.
Há poesia e uma vontade de persistir.
Por isso não desista com a queda.
Seja estrela ou grão de areia.
A importância que tem, está dentro de ti.

Brilha, querida menina.
Brilha o quanto você puder.
Brilha pequena criança.
O mundo é seu.
Levanta e encara o que vier.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Arranco

Eu ia falar uma poesia,
que ouvi há pouco.
Mas devo ser louco,
pois esqueci.
Tenho andado claudicante.
Pouca alma.
Meio errante.
Tantos sonhos.
Esperanças no porvir.
Eu não sei se ando ou paro por aqui,
para ver a vida passar.
Para ver se arranco um sorrir.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Não temos

Não temos que ir.
Às vezes ficar,
para vislumbrar o sol se pôr,
enquanto o dia perde a cor,
ao passo que o azul do céu cede para o manto estelar,
talvez seja o melhor a se experimentar.

Ao invés de correr, parar.
Sonhar e concretizar.
Entender a beleza do mundo.
E também de cada respirar.
Para depois seguir.
Cabeça no lugar.
Não se vai a canto nenhum,
se não se sabe para onde rumar.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Pelo quê?

Obrigado pela vida amada.
Obrigado pelo vento e as cores.
Agradeço aos amores.
Ao sol,
E à noite.
Tenho caminhado muito.
Resfolegante.
Sei que do meu destino ainda estou distante,
mas não aquieto o pé,
nem o peito,
pois lá o coração bate,
E de que valem os seres humanos se não tiverem algo pelo que lutar?