quinta-feira, 27 de junho de 2019

Primeiro Suspiro


O meu primeiro suspiro foi choro,
enquanto você me via com uma mistura de dor e alegria.
Eu nem bem falava,
mas para você eu beirava o limite da poesia.
Do seu sangue, criou-se o meu.
Do seu útero, uma vida nova nasceu.
Uma revolução de empatia.

Entre noites mal dormidas,
sorrisos conquistados.
Pequenos fragmentos do dia a dia.
Um sacerdócio.
Uma entrega.
Nem tudo é reino da fantasia.

A primeira queda.
O dente que cai.
A febre que não passa.
É luta diária para cuidar da cria.

No fim, apesar de tudo, é o amor que prepondera.
Mesmo nas diferenças, a mãe cuida do que gera.
E faz o máximo que às vezes até não pode.

Mas quem limita o amor?
Nem o mais louco!
Porque amor nunca é pouco.
E amor de mãe então, transcende qualquer era.


quarta-feira, 12 de junho de 2019

AmoRevolução

O que é o amor?
É um dos sentimentos mais plenos.
É cuidado, é afago, é ajuda, mesmo nos dilemas pequenos.
Amor é enxergar o outro. Cuidar do outro. Abraçar uma vida.
Amor não é um verbo, mas deve ser conjugado todo o dia.
O amor é a revolução que a gente precisa para a nossa existência,  porque sem amor nos apagaríamos.
E farol sem luz não conduz o barco que afronta a maré.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Barco

No balanço do barco,
você se fez cais.
Me trouxe paz
e um pedaço de chão.
Fez poesia no meu coração
e floresceu um jardim inteiro.
Trouxe zelo, cuidado.
Esmero.
Uma fluída conexão.
Ô menina.
Me abraça.
Não importa o tempo que passa.
Eu quero tua graça.
Não solta da minha mão.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Ultra

Eu pensei que fosse sonho.
Planos meus.
Eu pensei que era engano.
Fumaça.
Desilusão.
Mas quando você me abraça, meu mundo se completa.
Eu esqueço a vida, os prazos.
Meu corpo contigo se conecta.
Posso voar que nem uma andorinha procurando o verão.
Meus brilham feito o sol.
Você me fascina.
Minha menina.
Meu aconchego.
Minha história de amor.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Nas ruas da cidade

Nas ruas da cidade não se dorme não.
A moça anda.
A noite espanta,
enquanto um desavisado canta pensando em Deus Dará.
A bola rola.
O samba toca sem hora para terminar.

Nas ruas da cidade tem aflição, tem coragem.
Olhos tristes em algum lugar.
Tem liquidez.
Tem concreto que não se pode concretizar.

Nas ruas da cidade há o abstrato que não se toca não.
Há vaidade. 
Há ganância.
Há bala sem se avisar.

Nas ruas da cidade tem sangue, 
tem luta, tem voz que não vai calar.
Porque os mortos não falam, mas os vivos respiram e não deixam de batalhar.

Nas ruas da cidade tem esperança,
tem coração perdido e louco para se apaixonar.
tem amor incontido.
tem saudade e lembrança.
Abraços que não se podem dar.

Nas ruas da cidade, o mistério e o delírio lhe fazem voar.
O passado, o presente e o futuro sempre se sentam à mesa.
E, batendo os pratos, exigem sem nobreza, que o tempo não pare de caminhar.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Alma

Sujemos os pés para correr.
Para viver mais.
Para sentir o pulsar.
Para deixar o vento nos fazer voar.
Para que assim possamos nos achar no imaginar.
E viver o que só tínhamos no sonhar.
Pondo um sorriso como abrigo.
E um coração aberto para abraçar o bem.
Porque o bem é semente.
E sendo semente, a nós é dado o papel de aprender a regar.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Sobre resistir

Eu tenho medo do medo.
Do escuro, do espaço.
Do cadafalso.
Não sei se rio ou se choro.
Ou se me apavoro com teu olhar.
Está um breu lá fora.
O sol cansado não quer levantar.

E o sangue de muitos pinta as ruas.
Lembra do pavor que ninguém quer lembrar.
O austero levanta.
O sinistro nos espanta.
E o amor.
Ah, o amor, eles querem calar.

Mas este silêncio não será meu!
Abraço o mundo que a vida me deu.
Abraço e não deixo ninguém soltar.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Brasil

Vem, me dá a mão.
Não chora, não espera não.
Vem cantar comigo essa canção.
Honrar nosso brasão.
Brasil.
Essa nação.
De cores multicores.
De ritos e mitos.
De verde, amarelo e azul.
De vermelho do sangue das lutas.
Meu Brasil.
Minha pátria querida.
Minha terra batida.
Meu costume.
Minha luz.

sábado, 20 de outubro de 2018

Nariz

Meu nariz é um mundo.
Meu mundo.
Minhas regras.
Meus segundos.
Busco o sorriso.
O abraço.
Busco o palhaço.
Desfaço nós.
Disfarço.
Viro árvore.
Viro ventania.
Viro até gente.
E sozinho posso até ser sinfonia.
Dessa ciranda que é viver.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Quinhão ruim

Mergulhei na indiferença.
Como pode?
Você me deu clarividência.
Logo depois me tirou a luz.
Não há sol.
Não há céu.
Só a completa escuridão.

Estou ao léu.
Amargando a desilusão.
Perdi o ar.
O peito não pára de palpitar
e a tristeza me consome.
Como pode ser?
Ontem eu tinha você.
Hoje só tenho areia em minhas mãos.

Não aguento essa liquidez do mundo.
Amores duram segundos.
Vidas vividas em vão.

Eu só quero plantar.
Eu só quero colher,
um coração.
Chega de tentar apanhar o ar.
Chega de me deslumbrar.
Por tão pouco quinhão.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Brasil

Desce a ladeira.
Sobe a gangorra.
Ciranda da vida.
Gira, gira-mundo.

Sociedade de segundo passado.
Presente.
E o futuro?
É algo escuro,
insensato.
É a dor do parto.
Lacuna.
Mais uma bala.
Mais uma vítima.
Estatística.
Lágrima que cai e rola.
Cadê escola?
Só se vê a cultura do rebola.
A educação pede esmola.
E o Estado cala.

Calo no pé do povo,
que aguenta o tranco
e trabalha que nem louco
para ganhar pouco.
Enquanto outros vêem tudo do tamanco.

País manco.
Jorra petróleo.
Enche os bolsos.
De lodo e podridão.

Bandos de lobos.
Quando é que os ratos voltam para o esgoto?
Quando é que a luz volta a iluminar?
São tantas perguntas sem resposta.
São tantos sonhos a obliterar.

Brasil, país sem memória.
Brasil, não quero te ver calar.
Levante a sua bandeira.
Venha para a luta sem se apequenar.
Porque teus risonhos lindos campos têm mais flores.
E o cheiro da tua flor não pode se apagar.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Impressões

Alvoroço.
De gente.
De vozes.
Povo passa.
Cheio de graça.
Abraços e amores.

Está no chão da praça.
E no olhar perdido da menina que chora.
No cansaço do jovem que descompassa o passo.
A vida sendo vivida.
O tempo que não freia.
A esperança que não deita.

sábado, 4 de agosto de 2018

Voyage

Pessoas vêm.
Pessoas vão.
No vôo do avião.
São histórias.
Memórias.
Sonhos
ou lamentação.
O abraço de despedida traz vida.
Enche de lágrima o coração.
Mas viajar faz bem pra alma.
Que voa como um pássaro.
Viajar nos torna sãos.