Eu estou no mesmo. De encontro para o quadro branco, não vislumbro nada. Brancas são as idéias, mas elas não trazem paz alguma. Quem dera pela janela aberta corressem certas ventanias...
Esperanças? - Já foram vendidas. Alegrias? - Só temos na medida! Me dê então um pedaço candura. - Perdeu-se perto da amargura. Que tortura! - Isso temos aos montes. Não obrigado! - Disponha...
Aonde foram as percepções? - Eu não sei dizer. Só vejo corpos lívidos. - Eu nem isso. Alguns sentimentos eu vejo agonizando no chão. - Provavelmente é o fim... Devo fugir? - Não há chance. Vou correr. - Boa sorte. Apague a luz. Quero me acostumar com a escuridão antes dela chegar.
Pega a cadeira e senta. Escreve a história com os passos que não deixaram rastros. Não guarda na memória, pois essa apaga com o ocaso. Descreve o zênite da montanha. O escopo atingido pela flecha. A palavra, que não pode ser calada, mesmo que esteja somente deitada no silêncio desses versos...
Vitória, companheiro. Temos vitória. Champanhes abrindo, belas senhoras. Músicas tocando, pessoas bailando em algum infinito. Abra o sorriso, brinde a glória. Olhe para a espada que lhe concedeu a bendita conquista. Guarde-a, ainda será muito usada, até que seja fincada em sua lápide. - Isso não espero tão cedo!
Eu sou guerreiro. Não temo a morte. Guio minha espada sem precisar da sorte. Na minha pele, cicatrizes. Cores de várias matizes. Dentes rangendo. Portas se abrindo. Os leões e eu. É batalha. A glória. Espero nada menos que a vitória. A derrota, deixo para os desavisados. Minha lâmina reflete a luz solar.