domingo, 11 de dezembro de 2011

Liberta

Quando tudo estiver perdido, não poderemos caminhar livres, nem olhar o brilhante horizonte. Temos nos cercado de paredes de concreto e, infelizmente, os sentimentos também estão ficando endurecidos como o cimento. As cores até existem para colorir as folhas brancas, mas são poucos os que se arriscam a inventar qualquer quadro. Um sorriso é cobrado nos bares, enquanto tantos outros saem facilmente de graça nas praças.

A alegria é cerceada. Calada. Não se pode viver sem seguir a rotina, sem fugir da regra. Trabalho, casa, pouco descanso. Descaso com o próprio ser humano. Aqueles mesmos que ousam em tentar pintar a tela são os que sofrem na rua. Os diferentes são condenados. O novo não é aceito. Querem o monocromático.

E os demais tem prazer em passar a ira que sentem. Querem que outros sintam a solidão que carregam no peito. Nós não! Não queremos o silêncio. Buscamos sambas intermináveis, gargalhadas infindas. Procuramos diariamente conquistas.

Liberdade de expressão. Uma sentença bradada por todos os cantões. Uma sentença garantida constitucionalmente. As avenidas e praias serão para sempre nossos palcos. Porque o céu é a melhor cortina. Quando se fecha, ainda deixa a chuva cair, para lavar a alma dos que não carregam o sossego.

Não nos cerquemos. Porque muros acabam permitindo a construção de fortalezas. Distanciaremo-nos, assim, de nós mesmos.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Acorda

Eu olho pela vidraça.
Não há ninguém que faça eu esquecer de ver o amanhecer.
A luz entrando pela janela.
As nuvens recheadas de belas pretensões.
O céu azul anil, tão vivo como o mar em suas renitentes ondas.
Tenho velejado para onde o coração se mostra mais pulsante.
O amor é uma bússola.
Nunca me desvencilharei dela.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

V o e

Vidas verdejantes se perdem.
Somem com as primeiras gotas de orvalho.
Os poetas, como pássaros, vão à praça.
Encontram espaço para voar junto com a brisa.
Nem sempre voltam.
Porque o passado não regenera.
O mel é doce como o presente que podemos criar.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

CotiDIAno

O dia passa, o passarinho voa e se perde no ar.
As nuvens plúmbeas cruzam o céu cortando o anil.
A menina sentada no balanço se lamenta, pois está distante do amar.
Um senhor se queixa do mundo vil.
O cotidiano apresenta os mesmos personagens.
A rotina e suas intempéries.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Texto

Enquanto eu me perdia em amores superflúos, escrevia desvairadamente em busca de respostas para os meus desejos.
Hoje tenho meus anseios correspondidos e não preciso inventar qualquer situação.
Não tenho que mirar flechas em alvos abstratos ou me perder nas metáforas da solidão...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Palavra III

Quando o coração bate, a bailarina dança sorridente, o céu se veste com o seu melhor azul.

Palavra II

Eu clamo. As paredes caem. O silêncio impera. Fecham-se cortinas. Não ouvi hoje o canto do sabiá.

Palavra

A vitória é a glória do cavaleiro. A derrota também o é. Ninguém deve morrer sem história para contar.

Concreto

Eu sou concreto.
Abstrato não mais.
Há quem diga que a poesia não reverbera.
Há quem diga para eu acreditar no jamais.

Sábio sabiá

Cantou, porque o pranto nunca foi a melodia do Sabiá.
Voou alto, voou certo.
O bater de asas não se apaga com o fim da luz crepuscular.