terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Sobre partir e não ficar

Você preferiu partir
e me deixou aqui
sonhando,
sem querer acordar.
Como vou me convencer,
a amanhecer
sem seu sorriso
e sem sua voz para me embalar?

Queria me perder,
mais uma vez,
na candura do seu olhar.
E dançar sem ver, me embevecer de você,
sem notar o tempo passar.

Por que tem que ser assim?
Histórias boas com um péssimo fim.
Sentimentos ressequidos, opacos,
que há muito não sabem o que é brilhar.

Por que é tão difícil encontrar a luz sem se deslumbrar?
Luz é como farol.
Não anzol.
Luz não é sobre deslumbre.
É sobre aprender a se guiar,
antes que os dias venham a correr e você não se atentar
que caiu a escuridão
e as cortinas vão fechar.

Sopro

O querem é sopro.
É ventania.
Ninguém amacia a pedra.
Só agonia.
Corações ao léu.
Correria.
Amores desavisados.
Sentimentos escorraçados.
Choros.
E nenhuma poesia.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Perde ganha

Um dia você perde.
Arrancam seu coração do peito.
Um dia você ganha.
Faz a cantoria dos pássaros virar sinfonia.

Nessa dualidade, a vida.
Entre sorrisos e descalabros.
Entre amores e desilusões.

Toda porta que se fecha é dor.
Mas faz a cabeça pensar.
Se não existem portas.
Que sejam janelas.

Pois o que está no horizonte é história que temos para contar.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Líquido

Liquidez.
Os rios levam tudo para o mar.
Nasce amor.
Desagua dor e dissabor.
Brota uma lágrima no olhar.

Corações abstratos.
Sentimentos em vão.
Um sorriso que não se sustenta.
Um peito que se enche de decepção.

Marasmo.
É o mundo lá fora.
Na correria todo mundo se devora.
Na azáfama, esquecem até do calor.
E não vêem motivo para se inspirar.

Só querem seguir.
Seguir sem parar.

Para que a vida os apequene.
Os silencie.
Perene.
E a escuridão que os rodeou possa lhes abraçar.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Passado

O tempo é imparável. 
Destruidor inconsequente. 
Cria e mata. 
Tira e deixa contente. 
Dualidade. 
É o tempo. 
E os dias que passam. 
As folhas que voam. 
Os sonhos que amassam. 
Os corações que batem. 
E o peito que suspira enquanto os olhos fitam a esquina, 
não acreditando no nunca mais.
Tempo.
Nos falta.
Tempo.
Nos cala e planta o que restou de nós para a terra engolir.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Tiempo

Tempo.
Que tu tens?
Que tu trazes?
Perigos audazes.
Jardins lotados de flor.

Tempo,
tu mostras e enterras o amor
enquanto canta com o vento
e empurra o sol para a noite chegar.

Tempo,
martírio ou alento?
Às vezes pesa só de olhar.
Outros momentos corre leve,
como as tuas horas que sempre tratam de passar.

Tempo.
Por que tão breve quando só queremos congelar?
Eternizar?

Mas tua areia não para.
Nem cura.
Só faz a vida tratar de andar.

domingo, 19 de novembro de 2017

Precisão

Tão precisa para sua imprecisão.
Vagueia em pensamentos.
Congela momentos.
Sorri com o coração.
Muito me alegra essa sua poesia em forma de vida.
É assim que levo os dias.
É assim que planto em meu cantão.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Estrela

As estrelas são faróis.
Para que não deixemos de olhar para o céu e consequentemente paremos de sonhar.
Porque sem luz,
só sombras.
Soçobra o ser.
Amaina a maré.
Acalma o mar.
E mar calmo, muito embora tranquilo,
te faz demorar a chegar.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Fu ma ça

Que me importam os outros corações, se eu não tenho o seu colado no meu peito?
Se não encontro sua boca.
E o teu calor?
O tempo tem passado.
E eu sigo viajando, pensando no mel que você deixou.
É uma maldição?
Quisera eu que fosse fumaça,
para sumir junto com o vento.
Para eu acordar e viver o amanhecer.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Si ga

Fugaz.
Tu fostes.
Teu sorriso agora é fumaça e memória.
Teu beijo é sonho.
É valsa que não sei dançar.

Que a correnteza siga.
E que os dias tratem de te apagar.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

V o e



Apenas gire.
Gire.
Até ver o mundo rodar.
Você não precisa notar o tempo passar.

Viva,
respire o ar.
Não deixe seu sonho murchar.

Feche os olhos,
Transcenda.

Você é único.
Não precisa de pontes se você se permitir voar.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Sigo



Não entendo teu silêncio
e teu senão.
Passam horas.
Viram dias.
Adormece a poesia.
E o coração.
Quisera eu ter sua mão para seguir no caminho.
Mas não tenho.
Caminho sozinho.
Vou procurar outra canção.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Canto da espera

Canto para te esperar.
Amanhece e você não chegou.
Relembro que passou.
Insatisfeito fico cá.
Não posso me acostumar.
É você quem eu queria aqui.

Bem, eu não nego.

Abraço o que restou.
Nas memórias desse amor.
Deito e começo a sonhar.

Eu queria seu beijo aqui.
Iria te fazer não ir.
Ressoaria todo o bem que você me faz.

Acontece que não sou capaz,
de fazer o tempo se mover,
para unir dois corações,
que trataram de se separar.

Como posso conceber?
Acordar e não te ver.
Receio não te ter nunca mais.

Ilhado agora estou,
não vejo nada além de dor.
Não queria deixar de acreditar.
Coração perdido a cantar.
Andorinha sem verão.
Riso teu que eu não tenho.

Insta agora caminhar,
para bem longe daqui.
Nalgum lugar eu hei de sorrir,
enquanto a lágrima tratar de secar...