sábado, 21 de julho de 2018

Palhaço

Meu mundo se abriu como um sorriso bom.
Como se a música tivesse dado o tom.
Como se a dança tivesse acertado o passo.
O ritmo.
Do coração.
E eu.
De rosto pintado.
Palhaço.
Nem acreditei no primeiro abraço,
que a vida me deu com tanta emoção.
E disse: Vai menino!
Conquista teu espaço!
Mostra aos outros que a realidade pode ser pluma
e que os sonhos podem voar como um balão.

E desde então parti.
Numa jornada de ser criança.
De viver o hoje,
o agora.
De não aceitar esmola do sorrir.
Porque se estamos aqui,
não teria significado viver o calar.
E, sobretudo, calar sem sentir.

Por isso, povo da terra.
Ao invés de armas, gentileza.
Não há maior nobreza do que ser o porquê de existir.

domingo, 10 de junho de 2018

Mármore

Ando pensando.
No céu de agora.
A vida lá fora.

Minhas memórias.
Ainda tenho o que conquistar.
Remo o barco.
Insisto na sina de sonhar.
Assim cravarei no mármore o viver sem pesar.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Co(r)po.

A gente procura amores,
mas o que se encontra é volúvel.
Explode fácil.
Coração vira poeira de espaço. Sentimentos vãos.
E não vêm, não vêm.
Resta a solidão do copo.
Do corpo.
Devastado o peito.
Terra de ninguém.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

IN finito

Não me obrigue a negar a beleza da lua.
Do coração que pousa leve na alma tua.
E faz brilhar qualquer pensamento.

Estou farto de pequenos contentamentos.
De fagulhas que não vingam.
De sementes que não brotam flor.

Se alguém conhece do amor,
que se apegue.
Não negue.
Nem deixe voar.
Porque o céu não é dos homens.

E se não temos o céu,
ao menos que na terra a gente o reproduza.
Em olhares.
Sorrisos.
E danças intermináveis.

Que o infinito seja o momento que dure.

domingo, 22 de abril de 2018

Céus

Eu te achei doce,
como pastel de brigadeiro.
Como o céu em fim de tarde.
Como a poesia escrita para um grande amor.

Eu te achei doce,
como teu olhar.
Como teu jeito de levar a vida.

E agora me sinto leve.
Não tem peso que pese.
Vem, me faz voar.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Sabiá?

Sabia.

Sabia?

Que o sabiá cantou na janela e clareou o sol?

Que o peixe se jogou no anzol, mas não morreu?

Que o coração bateu, mas não vibrou?

Sabia?

Um iceberg quebra,
assim como os sonhos.

Mas somos nós os maiores enganos.

Poesias que nunca se soube.
Luzes que nunca acenderam.

Vem bailar comigo enquanto é cedo.

Pois, amanhã não será mais.

Vem cantar aqui.

Deixa o tempo ir.

Deixa a vida seguir, enquanto os segundos tratarem de parar no momento do olhar.

Do silêncio.

Do beijo incerto.

E do sorriso oportuno.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Não se preocupe

Não se preocupe, meu bem.
O amanhã há de ser meu.
Nosso.
Dança colada.
Corpos nos corpos.
Sonhos e pescarias.
Ousadias.
Sintonia.
Olhares cruzados.
Mentes cheias.
Copos vazios.
Corações vadios.
Poesias em cada corredor.

sábado, 17 de março de 2018

Ouvi

Ouvi uma choradeira da janela.
De um povo que bate panela e faz dancinha.

Que se cala pelas outras corruptelas
e fecha os olhos para as mortes na favela.

A pátria sangra
Grita sem pudor.
E cada gota de suor que pinga, evapora.

Deve ser o inferno.

Enquanto isto os políticos mamam na teta gorda
e a igualdade fica cada vez mais desigual.

O braço forte da justiça, só nos pune.
E a liberdade é uma palavra distante.
Pelo menos para quem não tem renda.

Ô pátria alvejada.
Há buraco de bala até no meu coração.

De pauladas vou vivendo.
Salve! Salve-se quem puder.

Brasil, tu és um sonho de grandezas mil.
Mas o amor que vive em ti é utopia.
Os porcos vivem pulando na lama fria.
E no teu disforme céu, tristonho e ímpio
a imagem do negro escravizado resplandece.

Gigante somente pela crueza.
Aquela multidão cercando o corpo
Urubus, mas que tristeza.
E o noticiário, dizendo só o que lhes convém.

Brasil,
tua alma vive
mas respira por aparelhos.
E a tua falta de ação é constrangedora.

Nos salvem,
salvem.
Aqueçam o nosso peito.
Calem esta dor.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Medo do medo

Eu tenho medo do medo.
Do escuro.
Do espaço.
Do quão próximo está o cadafalso.
Não sei se rio ou choro.
Ou me apavoro.
Com o silêncio das ruas.
Com o povo descalço e com fome.
Enquanto outros bolsos multiplicam o que não se vê.
O que não se crê.
O ímpeto some.
Não há voz.
Não há vez.
Sangue escorre.
Pinta o xadrez.
Pinta a cara.
Corta o coração.
E não há canção no mundo que salve da angústia de nada poder,
porque o poder nos consome.

terça-feira, 6 de março de 2018

Voei

Queria voar.
Um pouco do céu não é de todo mal.
Enlevo necessário.
Isso porque por vezes é indigesta a rotina.
Jaz a força, esperança amofina.
O vôo é dos pássaros, mas também é dos que se prestam a sonhar.

sábado, 3 de março de 2018

Paz

Paz.
Eu quero paz.
Um cais.
Brisa leve.
Poesia.
Água fria nos pés.
Fantasia.
Sonhos e enlevos.
Paz.
Nada mais.
Sossego e melodia.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Pêra

Pêra,
É doce.
Como alguns sonhos que tenho.
Que levam ao infinito
e me tiram do concreto finito.
Que misturam meus sentimentos como um liquidificador.
Mas o que seria eu sem o sonhar?
Uma pobre existência.
Um louco a viver o morrer a cada dia da rotina bruta.
Uma semente que não germinaria.
Uma casca sem histórias para contar.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

O vento

Como assim?
O vento se foi.
O sol se pôs.
Reinou o silêncio.
E o céu cheio de estrelas.
Agora já dormem os pássaros,
mas não os corações apaixonados.
Quem ama faz vigília.
Aquece a noite fria.
Suspira.
Sonha acordado.