domingo, 11 de dezembro de 2011

Liberta

Quando tudo estiver perdido, não poderemos caminhar livres, nem olhar o brilhante horizonte. Temos nos cercado de paredes de concreto e, infelizmente, os sentimentos também estão ficando endurecidos como o cimento. As cores até existem para colorir as folhas brancas, mas são poucos os que se arriscam a inventar qualquer quadro. Um sorriso é cobrado nos bares, enquanto tantos outros saem facilmente de graça nas praças.

A alegria é cerceada. Calada. Não se pode viver sem seguir a rotina, sem fugir da regra. Trabalho, casa, pouco descanso. Descaso com o próprio ser humano. Aqueles mesmos que ousam em tentar pintar a tela são os que sofrem na rua. Os diferentes são condenados. O novo não é aceito. Querem o monocromático.

E os demais tem prazer em passar a ira que sentem. Querem que outros sintam a solidão que carregam no peito. Nós não! Não queremos o silêncio. Buscamos sambas intermináveis, gargalhadas infindas. Procuramos diariamente conquistas.

Liberdade de expressão. Uma sentença bradada por todos os cantões. Uma sentença garantida constitucionalmente. As avenidas e praias serão para sempre nossos palcos. Porque o céu é a melhor cortina. Quando se fecha, ainda deixa a chuva cair, para lavar a alma dos que não carregam o sossego.

Não nos cerquemos. Porque muros acabam permitindo a construção de fortalezas. Distanciaremo-nos, assim, de nós mesmos.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Acorda

Eu olho pela vidraça.
Não há ninguém que faça eu esquecer de ver o amanhecer.
A luz entrando pela janela.
As nuvens recheadas de belas pretensões.
O céu azul anil, tão vivo como o mar em suas renitentes ondas.
Tenho velejado para onde o coração se mostra mais pulsante.
O amor é uma bússola.
Nunca me desvencilharei dela.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

V o e

Vidas verdejantes se perdem.
Somem com as primeiras gotas de orvalho.
Os poetas, como pássaros, vão à praça.
Encontram espaço para voar junto com a brisa.
Nem sempre voltam.
Porque o passado não regenera.
O mel é doce como o presente que podemos criar.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

CotiDIAno

O dia passa, o passarinho voa e se perde no ar.
As nuvens plúmbeas cruzam o céu cortando o anil.
A menina sentada no balanço se lamenta, pois está distante do amar.
Um senhor se queixa do mundo vil.
O cotidiano apresenta os mesmos personagens.
A rotina e suas intempéries.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Texto

Enquanto eu me perdia em amores superflúos, escrevia desvairadamente em busca de respostas para os meus desejos.
Hoje tenho meus anseios correspondidos e não preciso inventar qualquer situação.
Não tenho que mirar flechas em alvos abstratos ou me perder nas metáforas da solidão...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Palavra III

Quando o coração bate, a bailarina dança sorridente, o céu se veste com o seu melhor azul.

Palavra II

Eu clamo. As paredes caem. O silêncio impera. Fecham-se cortinas. Não ouvi hoje o canto do sabiá.

Palavra

A vitória é a glória do cavaleiro. A derrota também o é. Ninguém deve morrer sem história para contar.

Concreto

Eu sou concreto.
Abstrato não mais.
Há quem diga que a poesia não reverbera.
Há quem diga para eu acreditar no jamais.

Sábio sabiá

Cantou, porque o pranto nunca foi a melodia do Sabiá.
Voou alto, voou certo.
O bater de asas não se apaga com o fim da luz crepuscular.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Anil

Eu não gosto do céu plúmbeo.
Ele enegrece a alma, o dia, as flores.
Faz murchar amores e azedar o mel.
Pára meus relógios, faz nascer meus ódios.
Embebeda-me de penúria.
Ah, o céu é tudo... Início e fim.
Eu prefiro que ele se vista com o mais belo azul.
Para iluminar as horas que insistem em passar.
Busco ver a clareza das nuvens, tão alvas e sinceras.
Contando verdades, escondendo saudades,
vivendo o amor que nos cerca

O céu claro une.
Revigora o coração.
Para esse negro céu eu digo: não!
Quero permanecer são nesse mundo louco.


P.S. Poesia escrita em parceria com a minha grande amiga, Yasmin! Um beijo!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Preto

E aquele ser cumprimentou todos no funeral. Vestia preto. Face sisuda. Saiu sem dar nenhuma palavra. Mal sabiam os presentes de quem se tratava.

Parede

Encostaram o sujeito na parede. Armas em riste. Uma bala mortal. Outros tantos festins que não celebrarão qualquer festa. Sonido. E o silêncio sepulcral. Jaz um corpo no chão que não sentirá o gosto da terra que comerá sua carne.

Passeio

Eu acredito no amor e na invisibilidade doce dos sentimentos. Eu sinto os eflúvios. Morro pelos meus contentamentos. A diferença é que acordo, quiçá mais radiante que o sol que beija a janela.

Biodegradável

O escritor senta. Para e pensa. Escreve, apaga, rasga o papel. Joga no lixo, que logo vira monturo. Idéias podres, plásticas e não recicláveis.
Que infinitos, meu caro amigo? O céu não tem a mesma resplandecência. O amanhã não será mais. A poesia respira e eu nem sei como.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Lamento

Dia a dia. Nada de passado. Presente. Porque a vida corre. E o ser humano morre e se lamenta.

vita

Eu sou artista da vida. Porque a vida é uma peça. Que falta, outras vezes completa.

Sobrenome

Transcendental é o meu nome do meio. Os outros nomes eu perdi.

Corda-bamba

Quebra-cabeça. As lágrimas corroem a alma, certas vezes. A impaciência acaba com a calma. O samba não pode ser dançado por todos.

Sadness

Delírios. Sua mente estava cheia. Partiu. Entrou no buraco negro. Beijou o infinito. Ninguém nunca mais o viu.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Pensamento VI

Quanto vale o ouro? Vale uma morte? Não vale. Vale sim viver a vida. Acabar com qualquer esperança que não vingue. Não adianta esperar e ver o ocaso chegar antes do sol nascer.

Recado

A idade dos dragões já passou. Não há mais destas bestas no céu. Existem demônios, entretanto, aqui na terra. Alguns são humanos. Tão reais quanto os sonhos de uma criança que não pára de imaginar.

terça-feira, 12 de julho de 2011

P a Z

Eu queria o sonho mais real.
Hoje tenho medo de dormir e fazer a realidade sumir.
Não quero acordar.
Não quero partir.
Viver em delírio.
Paz no coração.

Circo

Eu não sou palhaço de um circo solitário.
Sorrio agora, porque o infinito não assusta.
Eu tenho em minhas mãos todos os lírios daquela bela flor.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Poesia

Eu nunca mais escrevi.
Meus delírios partiram.
Fiquei apenas com os lírios da linda flor.
Meus olhos hoje brilham.
Quiçá mais que o sol.
Quisera eu poder ter o seu brilho por toda a eternidade.
Eu espero.
Se o mundo acabar, ainda teremos as estrelas.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Sambo

É o paraíso.
Fecho os olhos, abro os olhos.
Não restou nenhum vestígio de sombra.
Aboli a corda bamba.
Hoje sambo onde minha mente manda.
E pronto.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Pô de luz

Eu não temo a luz. Claro, meus olhos a rejeitaram no começo, mas agora eu sei bem para onde olhar. Não necessito encarar o sol. O horizonte e um caminho, tudo o que preciso.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Suspiro

Os pássaros acordaram e cantaram. O sábio sabiá, mais velho dentre todos, subiu ao lugar mais alto da árvore e fez o seu solo. É dia de alegria. Não há chuva, nem tempo fechado. O tempo, na verdade, corre, mas ninguém reclama. O amanhã será o melhor presente.

A ni l

Eu não cantei para o infinito, pois caia chuva quando eu queria o sol. Hoje, entretanto, quero continuar caminhando, até o momento que meus ossos se transformem em pó. Não posso perder luz revelada por esse imenso anil.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Baila

Eu creio na beleza da vida.
Na luz que cicatriza feridas.
Nos olhos doces que sorriem.
Na paz do coração.

Glória

O arqueiro acertou o alvo. Logo se ouviram os aplausos. Orgulhoso, ergueu o arco-e-flecha. O tempo se fechou. O céu plúmbeo derramou suas lágrimas. Num misto de glória e fantasia, aquele homem saudava sua plateia invisível. Acabou morrendo naquele instante por causa de um raio, vítima de uma fúria de um deus qualquer.

sábado, 2 de julho de 2011

Lutador

Eu já beijei o chão.
Senti o gosto da terra.
Sei bem que não quero senti-lo novamente.
Agora, só almejo o ar.
Quedar por quê?
Tenho glórias a conquistar.
Por isso acredito que o amanhã será sempre mais belo.
Mesmo que o malogro venha, eu terei a certeza que não lutei pelo fracasso.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Reza

Reza a lenda que uma criatura desventurada saiu da encruzilhada para roubar uma alma. Perdeu-se no caminho. Hoje é atração de circo. Palhaço de um circo sem razão.

Paciência

Paciência. Virtude? Por que o povo continua a esperar na janela a chuva de metais que não chega?

Lixo

Alimentem o morto. Encham o cérebro inútil de lixo. Apreciem a depreciação humana. Silenciosa, embora fatal.

Eu que sei...

Eu que sei do passado, temo o futuro. Recolho-me no presente. Busco um lugar seguro. Tenho medo, mas enfrento o desassossego. Nem que seja por um tempo.

Progresso?

Que o infinito não seja breve. As palavras andam a desafiar os seus significados.

Coragem

Não, não vá embora.
As quedas existem.
Os choros são inevitáveis.
Às vezes a noite demora.
Mas não perdemos as glórias conquistadas.
Porque o sangue derramado não é esquecido.
Avante, pois o tempo corre.
Logo será tarde.
E de nada adiantará tua coragem.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

aMour

Aquela flor dos meus sonhos era ela.
Menina coberta de candor.
Onde eu olho a vejo sorrindo.
Rio, como nunca mais havia rido, abro os olhos e sinto que é amor.

Dela

E eu me acho no sorriso dela. Levada menina que me faz sonhar. Acredito no amor, essa coisa tão bela, faz o coração saltar pela janela. Procurando a luz que o sol não traz.

Guardião

Eu, conhecedor das táticas de guerra, guerreiro mais prestigiado em todos os reinos, não conhecia a morte. Hoje, encarando-a, a temo. Sinto que minha vida está para encontrar o chão, a terra. Como a última gota de orvalho prestes a cair da folha. Não me arrependo. Até rio do que fiz. Vivi demais.

Receber

Os corvos partiram. A paz chegou no meu roçado. Vejo apenas aves brancas. O mato deu lugar a lindas rosas. No momento que eu pensei em abandonar o jardim, o sol resolveu aparecer e dar esperança. A luz representa isso. A luz que um sorriso me dá.

Sonhador

Ouço sempre o sopro do vento. Paro em frente à janela e observo o mundo. Queria que a paz desse momento fosse realidade. Sem guerras, sem conflitos. Não desejo ser apenas um sonhador.

Espaço

Pássaro livre canta assim como eu.
E caça o céu anil.
Eu já encontrei a estrela.
Ela brilha mais que o sol.
Nunca mais viverei de reluzentes e efêmeros cometas.

Realità

Eu era pobre, desavisado. Não do metal, claro. Falo do amor. Meu coração usava roupa esfarrapada. Contentava-se com promessas, que nunca se cumpriam. Hoje vivo uma história. Sou rico, mas não da riqueza do metal. Sou rico de sonhos e, principalmente, de realidade.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Papel

O papel não suporta todo o sentimento.
Nem absorve o pranto.
Mas aguenta as linhas tortas de um coração povoado pelos melhores pensamentos.
É assim que vive o poeta.
Seus versos não morrem com um ponto final.
Afinal, a vida se encerra e não existe ponto, nem vírgula.
Ausência, apenas.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Sono

Sono que embala os sonhos.
Nunca me leve dessa realidade sonhada.
Mantenha a minha pessoa acordada.
Porque o que eu queria sonhar, já vivencio.
É possível amar.
É possível amar sem sofrer.
E ver o coração sabendo o que fazer.

Marte

Marte.
Disseram ser o deus da guerra.
Aquele planeta vermelho, como o sangue que corre em minhas veias.
Daí veio meu nome.
Sou guerreiro.
Porque a vida me impõe tal luta.
E não abaixarei a cabeça.
Nem me furtarei a levantar a espada.

Haja o que houver, meus olhos não serão silentes.
E minha boca gritará, mesmo que não tenha dentes.
Porque o martírio dos demais importa.
Porque só existimos para deixar a humanidade menos torta.
Gladiadores da vida.

Sopro

O vento levou a tristeza.
Não ouço lamúrios.
Há apenas o silêncio que eu precisava.
A calmaria daquele sorriso.

Vita Brevis

A vida não é jogo de cartas marcadas. Há empenho que mude um destino. Há destino que se mude sozinho, enquanto o último sopro de vida se prepara para ser assoprado. E assim segue, nem sempre no rumo vento.

Lua

Vi a lua subir na madrugada. A sua beleza, pouco admirada. Pois só olhos de insônia poderiam ver a sua cor. Ô lua, astro admirável. Traz luz nessa escuridão. Lua, rogo para ti um imenso reinado. Não quero que esta terra em que vivo se encha de desilusão.

A m o r

Quantas vidas precisei perder para chegar onde estou. Cicatrizes acumulei em busca do amor. Hoje, encontro-me pleno. Poético, sem veneno. Da cor do céu antes do sol se pôr.

Humanidade II

Eu, rei do egocentrismo.
Sou humano.
Criado para caçar e exorcizar demônios.
Dos outros.
Não importa o quanto eu for louco, sempre estarei certo.
A razão aponta.
O coração apaga.
Hoje joguei praga na nação.
Amanhã serei sombra.
Buscarei, incontrolavelmente, o esquecimento.

Humanidade

Dia após dia, os humanos perdem sua humanidade. A humanidade que na verdade nunca foi deles. A palavra, recheada de egocentrismo, quis valorizar mais uma vez nós, humanos. O fato é que a razão pouco existe. A bondade é vista, mas com tons de desconfiança. Quando seremos, de fato, humanos, no sentido literal da palavra?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Existir

E passei o dia enchendo balões. Eu os soltava e eles partiam. Uns não voavam longe. Outros nem voavam. Um balão se recusou a ir. Sem medo, tomei impulso e fui com ele. Hoje, tenho conhecido o mundo. Melhor voar do que ficar preso à terra. Amofinando, sem que ninguém lhe colha, esperando pela boa vontade da chuva. Hoje eu conheço o significado de existir.

Hour

As horas passam.
O vento leva a poeira velha e traz novas.
Eu não me importo.
Desde que o sol mantenha sua energia.
Desde que a noite continue romântica.
Brilhando como se fosse dia.

Estrelado

Quantas estrelas existem no céu?
- Não importa.
Por quê?
- Lá não está o brilho que eu procuro.
Então, onde?
- Habitando, nesse momento, o meu coração.

Colheita

Teu coração é quente.
Não sinto frio.
Não sei o que é o frio.
O inverno deu lugar à uma vasta plantação.

Hearth

Teus olhos são sinceros, menina. Brilham como o sol. A diferença é que posso parar e te fitar. Ficaria horas, se pudesse...

Artista

Quantas cores quer da aquarela?
- Pinta de vermelho para simbolizar o sangue que pulsa em nossas veias.
E o que mais?
- Que tal o verde, para sabermos que a esperança deve sempre prevalecer?
Eu jogarei todas as tintas, para a tela saber que o mundo não tem poucos caminhos a seguir.
- Não mistura, pois o preto consome tudo. Não deixa a visão dos outros no escuro.
Não deixarei, meu caro.

Montanha

No alto da montanha, ele olhou para baixo e não sentiu medo. Acreditou que ainda poderia alcançar as estrelas. E não duvidava disso. Os seus olhos tinham asas.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ela III

A ciranda continua.
A sanfona toca e não murcha.
Assim, menina, é o que eu sinto.
Dia após dia.
Noite após noite.
A certeza anuncia.
O coração não se aquieta.

Ela II

Quando vejo seus olhos de luz.
O céu fica da cor mais pura.
Doce candura, sua presença, seu calor.
Ô menina tão bela.
Se pudesse vê-la todo dia da janela, soltaria beijos desavisados, cheios de amor.

Mas tenho você em meus braços.
Segure minha mão.
A felicidade está entre nós.

Ela

Eu sorrio e você sorri.
Minha alma se enche de luz.
Minha amada, seu olhar me conduz, para o caminho que tanto procurei.
É felicidade que vejo nas placas.
A terra é batida e cheira a molhado.
Meus olhos embargam.
Minha mente aclara.
Eu sinto por você o amor que sonhei!

Irmão

Companheiro de sólidos sorrisos.
Meu irmão querido, lutamos contra o medo da escuridão.
Procuramos o nosso futuro.
Queremos nosso lugar seguro.
Para rir e inventar qualquer canção.
Dizem que a amizade é algo incolor.
Mas, meu irmão, eu sei que o sinto por ti é o mais puro amor.

Pai

Pai, me deu a vida.
Segurou-me no braço.
Ensinou-me a valorizar as feridas.
Graças a você eu sei que na rotina a gente cai e levanta.
A gente erra, a gente alcança.
Um misto de dança e desamor.
Pai, o que tenho por você é sim o mais puro amor.

Mãe

Você chegou.
Acendeu a lâmpada.
Acalentou-me com as belas histórias.
Protegeu-me com o abraço.
E me fez ver o mundo.
Cá, agora estou.
Lutando, vivendo, amando.
Às vezes com pranto, às vezes sem dor.
Eu quero, mãe, que saiba, que o que tenho por você é amor.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Ideal

Eu acredito no brilho da estrela. Desde que começou a me iluminar, calaram-se os gritos. Bem que algum mito deveria ser real. Estrela guia. Coração vivendo de magia. Momento ideal.

Coração

Coração. Eu tenho aqui na minha mão. Ele pulsa. Sangra. Chora. Acredita. O futuro não é mais de medo.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Parti

Deixei minhas roupas velhas no chão. Parti rumo ao infinito. Hoje não aceito gritos. Respeito o meu coração.

Reino

O rei levantou do trono. Traído por seus homens de confiança, não aquietava o olhar, nem sabia o que fazer com sua espada. O reino tinha virado as costas e fechado os olhos. Noticiara o informante que não existiria mais monarquia no amanhã. E de fato não houve. Ninguém governa a razão sozinho.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Imortal

Eu parti. Fechei a porta do passado. Joguei a chave fora. No trem das horas eu resolvi entrar. Agora o tempo passa devagar. A idade é jovial, a cabeça, envelhecida. A alma, entretanto, não se envenena. O coração é forte. Que venham as eras que resolvi enfrentar.

domingo, 29 de maio de 2011

Rotina

O cavaleiro observa a lua. Em sussurros fala suas preces. Banha sua espada no leito do rio. Lava o sangue que não é seu. A guerra de hoje teve o seu fim. O vento, entretanto, anuncia que amanhã começará outra.

sábado, 28 de maio de 2011

Poesia palhaciana

Quando o palhaço chega, as paredes se pintam de outra cor. O sorriso espalha como o mais doce olor. A fantasia impera. A imaginação escoa pela janela. O saco de piadas esvazia, mas se enche de calor. Fica cheio de poesia da vida. Fica cheio de amor.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Espaço

Céu estrelado.
Inspiração para os poetas e pintores.
Lua cheia.
Astro dos amores.
O espaço não existe num coração abarrotado.
Pensamentos ecoam, até mesmo no vácuo.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Estrela

Eu espero na esquina.
Única menina que habita meu coração.
A linda moça que passeia e inspira as mais belas canções.
Meu desejo era o paraíso.
O encontrei.
Voei bem alto.
O céu não é o limite.
Conseguirei o espaço.
E viverei pela luz dessa estrela.

Eternidade

O tirano quedou. Virou pedra, segundo os místicos. O fato é que não se move, muito embora os dias e as noite tenham continuado a vir. Ponderou, em sua última carta, que desejava viver para todo o sempre, oprimindo os desvalidos. Os deuses se reuniram e resolveram puní-lo. A eternidade é somente dada aos que amam.

Ocaso

Eu vejo o futuro.
Não para trás, pois não enxergo no escuro.
Almejo sim a clarividência do horizonte.
Caminhando, chegarei antes do crepúsculo.
Lá, encontrarei o meu ocaso.

Batalha

O sol não se pôs.
A luz continuou a iluminar o ambiente.
Rufaram os tambores.
Os cavaleiros partiram para o cotejo.
Armas em punho.
Galopes de cavalo.
O som e o silêncio.
O vencido e o vencedor.
O aplauso do tirano louco.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Lufada

Meus olhos não são mais de névoa. A lufada veio e soprou a chuva que ameaçava inundar esses cantões. A ira queimou com a luz solar e virou cinza. Amanhã será adubo. Uma flor nascerá, branca, límpida, austera. Assim como o sentimento que carrego no peito.

domingo, 22 de maio de 2011

Sentido

O coração pulula. A alma aquieta. Uma canção inicia na mente. Os dias, entretanto, não mentem. Cada dia o pôr-do-sol me traz mais intensas cores...

Dedo

O progresso aponta para onde o dedo apontar. O mesmo dedo que pode ordenar matar. O mesmo humano que derrama lágrimas que virarão pérolas falsas. Sem brilho. Sem cor. Sem amor. Triste sina.

Névoa

Metais caem no solo.
O barqueiro some na névoa.
Corvos riem.
A morte pragueja.
O silêncio chora.
A meia-noite se torna madrugada.

sábado, 21 de maio de 2011

Cor

Eu olhei para o céu.
A lua sorriu, minguante.
Eu não paro, prefiro continuar adiante.
Enquanto o coração pulsar, eu saberei que estou no caminho certo.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Pensamento IV

Clamem pelos trovões. Certa hora eles virão. No céu os dragões tratarão de enfrentá-los.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Escritor

O carrossel não pára. O universo não se rende. As estrelas continuam a flamejar suas intensas luzes. E eu, aqui com minha caneta, tento reproduzir esse luar que nunca deverá ser apagado da minha mente...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Para ela

Eu não acreditava mais no sentimento. Hoje eu sinto o calor batendo no meu peito. Eu respeito o sentido da vida. Acordar e saber que não caminho só é algo da clareza solar. Quisera eu que todos pudessem se apaixonar. O mundo não seria da cor do breu. Seria escalarte. Vibrante e forte como você e eu.

Claro

Os olhos carregavam pesar. A pedra nas costas ganhara mais peso. Macambúzio quiçá fosse seu nome do meio. E se na verdade não houvessem mais meios? Só fim. Ele não sabia. Tinha saído derrotado sem dizer uma palavra. Escolhera o silêncio porque a fala não seria melhor do que isto. Amanheceres vêm. O sol poderá iluminar novamente qualquer caminho. Todos se equivocam. Todos caem e se sujam de lama. Poucos reconhecem que a vitória está em saber levantar.

Music

O homem veio com sua flauta, pulando. Os animais o seguiram. Foi tudo tão místico, que eu julguei estar num sonho. A floresta eu nem sabia que existia. Apareceu num piscar de olhos. A mata não permitia eu ver a clarividência solar. Resolvi me deixar guiar pela música.

sábado, 14 de maio de 2011

Poeta

Eu cantei. Os prados se encheram. A melodia se espalha com o vento. Amanhece qualquer dia. Os meus olhos vivem pela poesia. O coração vive por ela.

Bardo

O bardo segue cantando suas canções. A guerra continua. Flechas voam. Glórias serão contadas ulteriormente. Olhos nunca mais verão a luz.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Menina

Cabelos sedosos.
É a menina morena.
Pele macia.
Olhos que brilham.
Sentimento que não se apequena.

Quando ela passa, meu coração pulula.
Quando ela me abraça, meu mundo se torna perfeito.
Tudo se enche de graça.
Enobrece meu peito com o mais puro amor.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Luz

A incandescência daquela estrela faz brilhar meus olhos.
Menina, faz meu coração se ajoelhar e compreender a palavra respeito.
O amor é um calor que guardo no peito.
Rezo para o amanhã ser sempre mais perfeito.

Noite

Eu. Palavra forte. Muitos falam isso e temem apontar para qual lado fica o norte.
Eu também temo, pois sou humano. Nem o tempo tirará a insegurança de alguns passos.
Um dia sou Rei. Outro, apenas um menino sujo de lama e com olhar vigoroso e sincero.
O amanhã virá. Eu também virei.
Ao fim do dia, saberemos quem irá se tornar noite primeiro.


Céu

O que o céu trará amanhã?
Hoje veio chuva.
Nuvens plúmbeas.
Espero o nascente sol.
Brilho incandescente.
Calor.
Horizonte pleno, consumido pelo anil infinito.



O Rei

O rei levantou do trono. Parou, olhando a multidão que se atulhava logo abaixo. O dedo abaixou. Uma cabeça rolou. Gritos ensurdeceram momentaneamente qualquer ouvido. Seria motivo para corroborar com o esquecimento. A insatisfação virara comédia em preto e branco. O rei não vive só de ouro de tolo.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Montanha

Sentado no alto da montanha eu contemplo o infinito. Calei o grito dos mortos. Soprei a nuvem que atrapalhava a visão do anil celeste. Meus olhos nunca cansarão. A estrela que me guia tem reluzido mais forte!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Passos

Ele avança sem medo. Os passos são firmes. A mente é certa. A lama não afunda pretensões. O céu carregado não diminui a velocidade. O amanhecer virá.

Punitivo

Tonitruante, o deus palrou diante daquela platéia muda, que com olhos temerosos esperavam a próxima profecia ser cumprida. Então desceram os raios. O fogo. O silêncio.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Solar

Eu não temo o infinito. Sentado em meu cometa eu cruzo o universo. O fogo que encandeia tem a potência solar!

Glória

Cavaleiro eu fui. As cicatrizes não negam. Possuo um olhar distante, porque o infinito me apraz. Eu que vi a morte dançar na minha frente, tenho em minha mente que a glória é algo que não se desfaz!

Mundo

O deus desceu a montanha. Movendo a terra, trouxe avalanche que cobriu uma cidade. Seus olhos carregavam ira. Tanta era a fúria, que os que puderam ver julgaram ser o fim do mundo.

domingo, 1 de maio de 2011

Artista

O artista prepara-se para entrar no palco. Sua mão treme levemente. Sua face não move um músculo, entretanto. Será outra pessoa quando cruzar a cortina. Abandonará a pele que amofina para ser alguém que a fantasia determina. Seus olhos não serão os mesmos durante o tempo que o espetáculo acontece. Voará, como só os mais belos cisnes que enobrecem o ar o faziam. A máscara não cairá. Seja feliz ou triste, morrerá com ele no momento que for ouvida a ovação do público.

Visão

O que tenho em minha mente é o infinito. E ainda sim, isso não basta...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Cavaleiro II

O frio não chega por estes cantões. Não tremo mais ao olhar para o horizonte. As melhores estrelas me guiam agora. Se outrora fui perdido, hoje me acho e vejo o meu reflexo na água límpida. Eu sou o ser que idealizava nos sonhos. Eu sou o cavaleiro do meu próprio amanhecer.

Corredor

Abril vai chegando ao fim. A prisão dentro de mim tem a porta aberta para deixar qualquer sentimento ruim fugir. O sol quadrado não mais se mostra. Vejo mais luz do que sombra. O meu sangue é escarlate. Vibrante. Assim como a luz que beija os meus olhos!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Nowhere

O artista se pôs diante da tela branca. Na sua mão direita, a aquarela repleta de cores. Na esquerda, o pincel que logo daria forma à imaginação. Não obstante todo o empenho, ninguém se dispôs a olhar para o céu naquela tarde.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Semeador II

Meu cérebro não mente. O cárcere está vazio e o sol não nasce quadrado. Circulares são as pretensões que voam como as sementes que fertilizarão outros cantões.

Criatura

A criatura saiu do lodo. Abriu a boca coberta de baba e emitiu um sonoro grunhido. Os olhos encararam a luz. Vislumbrou o céu e quis se apoderar do azul imenso. Suas mãos, entretanto, não puderam alcançar o sol.

Sol

Brilhe sol.
Aponte sua potência máxima para o infinito.
Assim não haverá qualquer susto ou grito.
O calor só queimará os que ousarem olhar para trás!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Caminhando

Eu peguei o papel, olhei para o céu e parti. Meus passos certamente não foram ouvidos. A cidade desligou todos os sentidos, mas eu tenho um sentido em mim. Vou aonde a luz brilha. Muito embora não esteja numa caverna, tenho o sol que vejo como guia. Assim, nunca deixarei escurecer qualquer pretensão.

Ah! Mar!

Diário de bordo: Eu peguei na água cristalina. Vi meu rosto. Esperança não mais desatina. O céu é belo. Quero sempre amanheceres sinceros. E à noite, as melhores estrelas cadentes para levarem minhas cartas à janela daquela por qual o meu coração bate.

Nautilus

Vinte mil léguas, falou o capitão do navio. Todos olharam assombrados. Um caiu desmaiado. Depois do silêncio e troca de olhares, mãos pesadas foram levantadas ao alto em sinal de aprovação! Partiu, então, a embarcação. Sem bússola, sem céu para os guiar. O coração é que vai determinar o lugar.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Voador

Eu fui carregado pelas nuvens do novo amanhecer. Uma fada me acompanha. Tranquilidade bem que poderia ser o sobrenome dela. Eu não sei, na verdade. Apenas noto que a escuridão das noites, que passo em vigília, não mais me congelam de temor. Meu mundo é outro. Os segundos eu conto, pausadamente, nos dedos.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Desafiante

Eu fui o cavaleiro que desafiou a morte. E venci, pois continuo vivo. Amanhã não tenho a plena certeza que completarei novamente meu intento, mas agora já me satisfaço em saber que pude sorrir na face da escuridão.

domingo, 17 de abril de 2011

Lieben

Nós vamos correr pelos campos verdes como se o amanhã não assustasse mais. De fato, ele não assusta. As rosas têm o melhor olor. O céu é anil, como nos sonhos. Cada novo amanhecer tem sido digno de uma tela artística.

Jardim

Nuvens vêm, mas logo passam.
O céu continua inebriante.
Quiçá mais, a cada dia.
Há tempos, não vejo o plúmbeo carregado de chuva.
No meu jardim tenho banhado a minha belíssima flor.

Farol

Eu guardo aqui a luz.
Ela que me deu.
Hoje o meu farol só ilumina para uma jangada.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Teatro

Bati palmas para o infortúnio.
Não o farei mais sorrir.
A luz que tenho agora ilumina outro palco.
Lá dança uma estrela de belíssimo sorriso.
É a ela que dedico todo o meu universo.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Felicidade

Ando a ver estrelas.
Morangos têm sabor mais doce.
Ósculos eu disparo ao vento.
Reluzente, o infinito, se apresenta aos meus olhos.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Negociador

Daí-me o óbolo, mostro o caminho. O barqueiro levará você ao cais mais próximo. De longe, poderá ouvir ainda o meu assobio. Alcançará os Elisius e eu a riqueza que não presta.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Espelho

Eu olhei no espelho. Diferente do macambúzio de outrora, vi algo próximo da felicidade buscada. Tentei tocar aquela visão e fui levado para o mundo da fantasia. Hoje navego no rio de doces. Não há desilusão. A brisa tem o melhor olor. A luz do sol aquece o meu coração...

domingo, 10 de abril de 2011

Cais

A luz não cegou.
Iluminou o peito.
Apagou o desamor.
Agora carrego um coração reluzente.
Fogo ardente levado na pira para o alto do monte.
Farol.
Meu barco sempre encontrará o cais.

sábado, 9 de abril de 2011

Enfrentar

Eu vi a borrasca. Ao contrário dos demais que retornaram, eu continuei a dar meus passos. Mesmo com a areia convertida em lama, eu caminhei. Hoje o sol anuncia o melhor brilho e as flores nascem tão vivas como em qualquer pintura artística, como na própria vida. Orvalhos são sementes de arco-íris.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Colhedor

Eu não sou eterno, mas serei infinito nas minhas pretensões. Quero deixar uma semente para crescer em algum cantão. Eu vim de terra árida. Senti o sol que batia no rosto. Por sorte, no coração existem chuvas que semeiam o campo.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Poesias

O poeta escreveu para sua estrela. Vislumbrou-a com o mais sincero olhar. Suspirou, como antes nunca havia ousado suspirar. E gritou, dizendo que ficaria a eternidade esperando algum sonho em realidade se tornar!

terça-feira, 5 de abril de 2011

Finitude

Disseram ao poeta que ele não poderia mais se alimentar de sonhos. Entristecido, foi ao alto do cume chorar as suas lamentações, embora estivesse ciente que ninguém escutaria. Vieram dias e noites. Chuvas e ventanias. Sol em demasia. Alucinado e com sede, quis descer o cume, mas a vista, além de obnubilada, começava a clarear. Seu corpo inerte foi de encontro ao solo, duro como uma pedra milenar. Os versos não voltaram a ser gravados nas folhas, que permaneceram brancas como os lírios que o poeta usava para se inspirar.

Sonha sem dor.

Escolhi o caminho que vi com a clarividência que tornou dia a minha noite. Não me arrependo. Aqui na cama, penso em repousar, não mais para querer sonhar. Eu vivo um sonho na realidade e isso basta.

Partícula

Eu vi a luz invadir o espaço. A escuridão se tornou branca, mas de uma forma branda. Não afetou meus olhos, por outro lado, fez eu enxergar o próximo passo. Devaneios, não mais.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

God of Thunder

Eu não resolvi mais calar. Parti a nuvem e tirei o trovão contido nela. Iluminei toda aquela terra. Agora quero que aqueles fracos que reclamavam de escuridão voltem a se pronunciar.

domingo, 3 de abril de 2011

Caminho

Eu vejo um só caminho. O passado não tratará de criar novos desastres. Desafios eu sei que o futuro trará. Glórias irei conquistar. Porque a bonança agora está em minhas mãos.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Andar

Eu anseio. Com as mãos tateio em busca da luz. A direção do vento me conduz. Trôpego, caminho, como se pisasse em alguma partícula do infinito vácuo sideral.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Escalador

Claro que o infinito me pertence. As chamas efêmeras já trataram de apagar. A tocha que carrego suportará o vento das montanhas que pretendo conquistar.

Pescador

Minha meta é conquistar diariamente o mar.
Veleiro partirá todo o amanhecer.
Não haverá tempestade que me faça descrer.
Lutar, porque meu objetivo nunca irá arrefecer.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Esperança

O vento que bate em meu rosto não aflige. O abismo não assusta. O sol não está tão longe. Eu sinto que a cada amanhecer estarei mais próximo da estrela que resolveu guiar meus passos.

segunda-feira, 28 de março de 2011

AMAR

Eu cresci. Como um gigante, pulei de um planeta para o outro. Hoje, flerto com uma estrela de incandescência indescritível. Prometi a lua para ela.

Começo

Eu vejo cores. Jogo a armadura no chão para amenizar as dores. O crepúsculo irá iniciar. O céu, pintado de laranja, arrepia. Após a guerra, poucas almas conseguiriam aproveitar tal momento. Fico contente por ser o parco dessa vez. Basta-me isso para continuar. A brisa. Sonhos vão longe.

Rain

Eu admiro a chuva. O modo que os pingos beijam o solo. O som que se produz. Os sonhos que vão e vem. O frio que chega e se acomoda. Eu gosto do céu cinza, do cheiro de infância, das risadas que ecoaram em outros momentos. A chuva, tão bela e lúgubre. Tão fina, que desafina tantos corações.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Nenhum Medo

Eu acredito no amor.
Doce sabor similar ao mel.
Brilha na intensidade das estrelas do céu.
Quem diria que eu,
a sombra,
pudesse virar luz.
Hoje tenho uma mão que me conduz.
Pode entardecer, a noite não assusta.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Guerra

Seu amanhã, cavaleiro, será no campo de batalha. Honrará o escudo que o protege. Caminhará pela glória que poucos ousam abdicar. Calará corações que não acreditam mais no amar.

terça-feira, 22 de março de 2011

Cantoria

Os pássaros cantam os seus espetáculos enquanto o dia sobe junto com o sol que irradia. Cupidos armam seus arcos. Voam longe. Não precisa ser primavera para ser denotada a beleza da flor mais bela. Basta que olhemos.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Nomes

O Silêncio resolveu falar. No púlpito, deixou que as palavras viessem. Depois do discurso, foi ovacionado. A partir daquele momento, receberia a alcunha de Esperança.

Divagador

Eu não sou mais efêmero.
As pretensões retornaram.
O amarelo do sol é mais vívido.
As flechas que disparo andam acertando o único alvo.

domingo, 20 de março de 2011

Estrelado

Pedaços escritos de papel.
A poesia de hoje tem destinatária.
Não existe mais grito de dor.
Nenhuma alma anda sofrendo de desamor.
A escuridão é bela, pois revela as estrelas.
Eu não tenho medo do amanhecer.

sábado, 19 de março de 2011

Ela

Não vejo o passado como fulcro.
Amanhece agora cada dia com o sol contente.
Insensato, o coração, não mais.
A ira dos deuses aplacou.
Replantaram no meu roçado.
Alegria que não cabe no peito.

Declaração

Eu a vi planando entre a sétima e oitava estrela. Tão incandescente quanto qualquer sol. Diferente dos efêmeros cometas, ela ainda mantém meus olhos em profunda admiração.

Matina

Eu acordei. Olhei as nuvens. Vi a bela moça adormecida ao meu lado. Ela sorria como se tivesse tendo o melhor sonho. Não sei se o paraíso existe, mas tenho neste momento algum grande fragmento de paz no meu coração.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Anjo

Ressoou o gongo.
Pássaros voaram pensando ser o fim do mundo.
Tudo depois, entretanto, ficou mudo.
Eu que assistia a cena de minha nuvem, aplaudi para quebrar a monotonia.

Cavaleiro II

Aos mil dragões que matarei, direciono o meu arco-e-flecha.
Não deixarei cair o sangue que faz meu coração bater.
Nunca.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Cavaleiro

Cruzei os mares.
Enfrentei bestas e dragões.
Cheguei ferido, mas vivo.
Agora respiro a brisa com cheiro de sangue.
Tenho pena do guerreiro que pensa que estou entregue.
Enquanto houver razão, a emoção continuará lutando forte.

sábado, 12 de março de 2011

Andam mexendo onde restava eu

Eu sei que o meu coração ribomba agora.
Soa para o infinito.
Chegou a hora.
Olha a vela do barco.
Sente a brisa e o imenso oceano.
Navega sem bússola.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Fazenda

Eu sinto que o sentimento não tenha vindo antes.
Se o céu fechava, era prenúncio do caos.
Agora as nuvens vêm porque a chuva lava e faz brotar qualquer semente.
Sei que hoje o fazendeiro colherá contente o amanhecer.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Palavreado

Eu subi o monte.
Esbravejei, caí com a avalanche.
Subirei novamente, até que minha vida se encerre.
Pois não vive quem queda.
Nem desperta.

oram

Eu quero a intensidade solar.
Quero o infinito na palma da minha mão.
Sei que posso vencer sem nenhum conflito.

Pagliaccio

Tirar do nada, o tudo.
Não satisfeito, deitar e rolar .
Espernear.
Gritar e cantar.
Sem medo do mundo.
Um nariz vermelho.
Pretensões das cores de um arco-íris.
Coração que não cabe no peito.
Vira de todos, um vagabundo de um jeito,
nada perfeito.
Sincero, às vezes sereno.
Às vezes poesia.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Coração

Partirei, com os olhos no coração.
Seguirei a canção.
O belo soar da natureza.
Andorinhas que fazem verão.

domingo, 6 de março de 2011

Trovão

Eu hoje vi a luz que queria. A manhã fria sumiu junto com a névoa. No céu, as pérolas em formato de estrelas dançavam como outrora. Então, atravessei a clarividência da janela e parti rumo à luz que não cega.

Indomável, o sentimento

Bebo delírios poéticos, apenas.
Sou daqueles com a alma que envenena
O torpor das manhãs de névoa.
A prosa não escrita.
A nuvem que impede o sol de aparecer.

sábado, 5 de março de 2011

Trovador

Ultimamente não tenho visto o amanhecer. Fico tanto tempo a observar a lua, que as horas tratam de passar sem me consultar. Ainda conseguirei uma escada. Cantarei uma trova. Poderei me apaixonar.

Da escuridão na clarividência...

Eu que não rumo para o infinito, pois tenho fadada a minha existência ao ocaso. Eu que como sabores, expurgo horrores. Sou vazio e cheio. Mente suja e pura. Diamante opaco. Fantasia que não se conta. Sol sem a lua para se embevecer.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Monólogo

A fogueira apagou. Agora só o céu estrelado me pertence. Procuro antepassados, mensagens de amor. Não vinga. A escuridão se torna impenetrável. Quiçá seja hora de fechar os olhos e retirar do meu interior todo o líquido preto que não é petróleo e não tem valor.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Fumaça

A carta veio em branco. Nem um respingo de tinta. Certamente os sinais de fumaça não chegaram a ser lidos. Bem que desconfiei que o vento rumava para outros cantões...

terça-feira, 1 de março de 2011

Ligação

A xícara de chá está esfriando. O tempo vai passando e esse encontro marcado tem gosto de amargura. Como fui me iludir por causa de um telefonema? Eu, que julgara sempre que não valeria mais a pena, cedi. Eu lembro dos cabelos dela. Do olhar que parava o mundo. Lembro das estrelas e suas tonalidades multiplicadas. Agora, o nada. Buraco negro. Existência pífia. O amor é um pote oco. O coração bate só para ver o sofrimento se apoderar dos meus ossos.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sol

Insensato.
Não queria o infinito.
Guardaria apenas o seu coração em meu peito.
Reluziria de um modo perfeito.
Inabalável seria a ventania a soprar meu barco.
Dragões seriam fulminados com minhas flechas encadeadas...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Corvos

Corvos!
Trovas que não soam.
Trovões que amedrontam.
Paz que não é branca.
Pranto que ecoa...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Contradição

Retumba a consciência.
A nau partiu.
Zabelês cantam.
A orquestra entoa sua nota mais forte.
O coração não denota ânimo.

Conquistadores quedam inertes.
Ondas amainam.
Razão não existe.
Andarilhos almejam as estrelas.
Canhões não atacam o peito.
Aviões de papel planam sem cortar as nuvens.
O samba ganha outro efeito.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Fado

Eu me nego a afirmar,
mas nem todas as vezes eu sou silêncio.
Quisera eu poder me contentar com o alto da torre.
Apesar da bela vista, há solidão.
As nuvens apenas passam.
Por isso desço ao inferno,
ao fogo eterno.
O coração, entretanto, distancia-se a cada batida.
É o cheiro de morte,
de ossos putrefados.
Viver é o fado.
Sobreviver à vida é o desafio.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Lembrete

Tenha sempre guardado no bolso um riso e um sonho de criança. Porque os anos passam, mas a esperança da infância se mantém inabalável.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Gladiador

Quantos leões matei?
- Centenas.
Por vezes quase morri.
- As suas cicatrizes não mentem.
Nem eu minto. Amanhã será mais um dia de viver ou morrer.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sol & Lua

Insisto.
Não permitirei ainda que o véu noturno desça.
Guardarei o sol em meu peito,
Resguardarei de um jeito que só o ser mais puro poderá ver.
Irei caminhando, enquanto isso.
Deixarei em breve a lua aparecer...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Gelo

Congelei meu coração. Andei no deserto e não o derreti. Não basta o calor, a alma tem que sentir. Conforto, sensação de não querer fugir. Aceitar o recanto. Beber da água da juventude. Sonhar e acordar sem medo. Caminhar sem olhar para os buracos em que vou cair.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Breath

Respira.
Dê o próximo passo, não importa se o mundo gira.
A queda não é infinita.
A prece sussurrada ainda ecoa.
Depois das nuvens, um céu inteiro estará pronto para lhe fazer acreditar.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pedra

O rei abaixou seu dedo e o condenado foi à forca. Um sorriso malicioso começou a se mostrar na face daquele monarca. De súbito, se levantou e se perdeu na escuridão enquanto a multidão se regozijava. Eu, a gárgula, tenho a expressão séria por não entender o que bate nesses corações tolos.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Carta

Recebi uma carta em branco. Na verdade, foi o vento que me trouxe. Estava sentado em minha varanda e pensei ver um pássaro alvo. Ledo engano. Os anos passam, continua a solidão.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Tempestade

Relampeja.
A escuridão invade as casas, entrecortada apenas pela luz intermitente.
Não há ser que aquiete a mente.
Nem coração que não pulse enlouquecidamente.
Os olhos não vêem.
A alma sente.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dedo

A criança apontava com seu dedo em riste para o futuro. Adultos curiosos o cercaram. Sem entender, acabaram por massacrá-lo. Retrocesso. A luz nunca poderá chegar aos seus corações.

Você

E ela se fez presente na dança após bailar com a esperança. Chegou com seu vestido carregado de brilho e bonança. É com um abraço que o coração balança. Tantas estrelas no céu e com tanta sorte, uma desceu e parou na minha mão. Singela, como uma gota de orvalho. Amena, como a brisa de um amanhecer...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

De si lu são

Os acontecimentos são assim. As páginas do livro passam sem levar em consideração se acabamos de lê-las ou não. É inevitável. Ganhar ou perder. Caminhar ou quedar. Esperar a desilusão...

Co Tejo

Eu vocifero quando o silêncio agride meu peito. Grito para o vento. De longe ouço o relampejo. Não tardará o momento em que terei o cotejo com o tempo. Do pó ao pó. Nada mais.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Brasa

Calor. O corpo se exalta. A fogueira não abranda. Sobe fumaça. Nem toda nuvem é de algodão.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Reino

E o tapete desceu da porta. De lá saiu uma Rainha torta, que caminhava imprudentemente. Sua boca era carregada de dentes amarelos. Seus servos, logo trataram de se abaixar mostrando reverência. Ela, no entanto, pouco ligou. Seu intento era a janela do quarto. Lá conheceria a morte. O ouro não trouxe a maior sorte. Não foi capaz de amar.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Partida

A lição é essa. O giz para ser usado na lousa já se esgotou. Daqui a pouco assoprarei e tudo virará pó. Inclusive o passado.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Fim

Deixei a armadura na beira do rio. Sentir que eu estava vivo era o que importava. Enquanto me divertia com a água doce, quase rememorando os aúreos tempos de criança, acabei surpreendido por uma guarnição do exército inimigo. Eu, Grande Legionário, conhecedor das melhores estratégias de batalha, morreria ali, sem clemência. Tal como matava meus oponentes...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Tinta

A minha aquarela tem falta de cores.
Amanhã fiquei de furtar o hostil laranja crepuscular
e o dourado peculiar da estrela que me vigia.
No futuro próximo, poderei a pintar a tela que quiser.
Subirei na nuvem que eu desenhar.
Passarei pela cidade que me aprouver.
Serei eu e o mundo.
Somente.

Tentar

A borracha não apagou o traçado.
- Eu sei.
Por que continua tentando?
- Porque minha natureza é esta.
Até morrer?
- Até que eu solte o último respiro.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Pensamentos

- Combate.
Vencer por quê?
- Para crescer.
Voltar e bradar?
- O caminho reto é uma ilusão.

Thanatus

Sete palmos.
E o silêncio.
Ao longe, bichos se locomoverão para o seu intento.
Amanhã, o lamento persistirá.
Que não seja eterno.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Navegar

Olhem os barcos que se distanciam da costa.
Rodeados de água salobra, enfrentam o dia e a noite.
Quando o manto escuro deita sobre o anil potente,
conversam com as estrelas para que a cabeça não fique demente.
As horas passam.
A rede vazia.
A mente cheia de saudade.
As luzes da cidade na distância que só o pensamento pode tocar.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Queda

Morremos desperdiçando tempo.
Caímos no abismo pensando que sabemos voar.
A queda logo chegará.
Turbilhão.
Lutemos para que não seja nada em vão.

Imagem



E a dança continua.
As luzes não param de pairar.
Quase vagalumes.
Quase sentimentos que podemos tocar...


------------------------------------------------------------------------------------------------------
P.S. Sim, sou eu na foto e ela foi tirada em Morro Branco pelo meu irmão!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Arc

Borracha não apaga os traços da vida, meu caro.
- Eu sei.
Não somos escritos à lápis. Somos carne e osso.
- Eu entendo.
Por que teima em se considerar um rabisco?
- Porque os dias sem cor trazem esse pensamento.
Use uma aquarela, nobre cupincha.

Desde aquele dia, surgiu o arco-íris...

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Schreiben

Eu escrevo porque sem isso a iluminação do dia não é lembrada por mim.
Escrevo porque sem as palavras eu não respiro.
Escrevo porque como letras no café da manhã.
E almoço algum conto ou crônica de mim mesmo.
Minhas tardes não seriam nada sem o papel e a caneta.
E a noite nunca ficaria guardada em meu peito se eu não dissesse porque a lua me comove tanto...
Eu sou e serei como um escrito. Ponto final e pronto.

Desamor

A cada dia a poesia erra uma nota da melodia.
E a falsa rima titubeia quando cantada.
A pedra vira só pedra, abstrata dentro da sua concretitude.
As cartas, só papéis que em um momento irão empoeirar.
As fotos se encherão de sorrisos amarelos.
A lua não terá o mesmo brilho amanhã.
Guardei a intensidade para o ulterior.
Por hora, permanecerei com minha janela fechada escondendo todo o meu amor...

Fröhlich

No canto da porta tem um palhaço. O ambiente é branco, quiçá insensato. No fundo do quarto, uma cama e uma criança. Depois da permissão, surge um sorriso maroto na face daquele sujeito cheio de cores... A cada passo, o chão se enche de flores. Bolhas de sabão substituem o ar. Não tarda até que a primeira gargalhada peça para entrar. Uma tarde se passa. Histórias que ficarão infinitas na mente dos que puderam assistir com o coração.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Crê

Outono.
Folhas secas.
Cartas de amor amareladas com o tempo.
A ampulheta continua a derrubar seus grãos.
O império dos sonhos se desconstroi a cada manhã.
E mesmo assim eu, diante da vastidão do espaço, não consigo enxergar o abismo.
Creio que a luz solar tirará a poeira dos livros.
E que o rio transcorrerá límpido.
Eu não sou sonhador, os demais que acreditam pouco.

Espera

Colar de pérolas. Foi o que você me disse antes de partir. Entrou no mar e depois só vi a água do oceano. Voltei diversas vezes. Esperei horas a fio. O coração se partiu. Hoje desenho estrelas. Não saio do meu covil. A luz agora é lenda, a vejo somente por uma fenda. Os meus olhos queimam só de imaginar que a esperança que um dia eu tinha mora somente no meu imaginar.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Sonhador

Cores.
Redes balouçam enquanto olhos buscam o tempo.
Nuvens passam.
Pensamentos extravasam.
Sonhos.
Contentamentos.
O mar não é tão longe quando os pés deixam de tocar a terra...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Nublado

Meus pés tocam o chão.
A terra está molhada.
O céu prenuncia mais chuva.
A escuridão acende as luzes da cidade.
Tudo ganha curva.
Tenho pena dos que possuem mente turva.
Jamais conceberão a beleza que impacta com os meus olhos.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Arco

Quantos furacões terão de passar para me calar eu não sei.
Entrei em turbilhões.
Matei centenas de leões.
Já beijei a terra.
Comi a lama.
Deitei com cheiro de derrota na cama.
O dia amanheceu e eu reverberei novas pretensões.
Porque espada continua a cortar se afiada.
Um bom contador não deixa a estória mal contada.
A flecha mesmo acertando o alvo, ainda serve para derrubar outros tantos guardiões...

Calada da noite

Centenas de vagões passaram.
Traziam imensos canhões.
Subirão até o morro.
Destruirão as motivações.

Se um ser apolítico se manifestar,
provavelmente seu grito irá se calar.
Pois o turbilhão onipotente do mais alto escalão
cansa-nos até que queiramos deixar de viver.

Não existe censura expressa.
Tácita, entretanto, pode ser vista aos tamancos em qualquer bueiro vil.
Ô opulência que deixa os mais inermes inertes.
Ô senhorio sem escrúpulos que nos oprimem com o dedo como formigas,
preparem-se e cuidem-se para que nossa coragem não persevere.

Caso contrário, quebrarão-se as lâmpadas.
Faltarão balas em armas de fogo.
Pois o povo é que devia ser o mais temido.
Infelizmente, o voto acaba com tal ideal.

Democracia irreal.
Glória na mão de poucos.
Pão na mesa é o que falta,
enquanto um aristocrata ri e baba.

Não quedemos mais.
Vejamos o pavilhão nacional que balouça!
As estrelas que dia após dia iluminam a noite.
Os animais selvagens que não coadunam com nenhum açoite...



Pergunta

Eu que não me calo mais.
Não rio com o que não me satisfaz.
Nem falo o que não me apraz.
Eu que não bato palma para injustiça.
Nem olho apenas deixando morrer.
Não existo ou sou só um ser querendo um mundo melhor para viver?

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Vita

É um caminho longo até o infinito.
A vida toda não cabe dentro de tal pretensão.
Não basta ter coração.
Somos cometa que desaparecerá no espaço.
Lua minguante esperando pela redenção.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Contrário senso

Amor, tu és uma droga desalentadora...
Quando bebo teu adocicado sabor, iludo-me.
Constelações formam corações.
Palavras não tardam a encontrar uma rima.
Existem momentos, entretanto, que a música desafina.
O encanto se parte.
As luzes se apagam.
Os olhos não vêem nada mais que um futuro incerto.

Amor.
Calor ou frio intenso.
Tem dias que paro e penso.
Se realidade ou fantasia.
Concreto é meu peito que pulula.
Abstrato é meu peito que se parte.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Amanhã ser

Agora não há navio que parta pelo nevoeiro.
Quem gosta do plúmbeo espaço?
Na escuridão, pelo menos se vê a incandescência da estrela.
O farol.
A expectativa do surgimento do sol.
Nuvens reluzem a relutância do astro maior.
Eis o azul.
Olhos que se perdem no infinito.
Elucubrações.
Pensamento nenhum.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Fu tu ro

Sei bem que as máscaras cairão amanhã.
Não haverá mais um refém do âmago próprio,
nem viciados no ópio egocêntrico que brota das latrinas do imundo.
Quem dera que as blasfêmias fossem gritos de concórdia...
Não há entretanto, só mixórdia, que desce pelos bueiros e se junta à lama.
Olhe bem a gama de cores,
outrora já simbolizaram amores.
Hoje, só dores.
Canções sem ecos no coração.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Disparate

Cartas de baralho caem como chuva.
A água do rio está turva.
Serelepes pássaros voam sem rumo.
Os barcos navegam sem prumo.
Flechas disparadas não acertam seus alvos.
Dó dos cupidos desalmados.
Não pensam em deixar o amor à salvo...
Há samba, na lama, na corda bamba.
Silêncio na estrada.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Co ração

As pessoas vivem de aparências.
Eu vivo de coração.
E sinto o pulsar dos que me olham como irmão.
Pois sei que quando a nuvem cinza quedar no céu,
o sopro de um se juntará a milhares.
Clarividência.
Azul anil.
Paz.
Calor solar.

Mãe

Eu sei o quão bem você me faz.
Fez eu ver a luz e muito além de qualquer foz.
Se hoje piso, é porque seu apoio me deu segurança.
Quero seu sorriso sempre.
A sua preocupação renitente.
Os abraços que retiram qualquer dor.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Sensacionalismo

Opiniões em falta.
Papéis em branco.
Microfones só sabem narrar o pranto.
Mudanças não existem.
O vento não carrega o lixo para longe.
Eu quero que a califasia provinda dos esgotos apodreça.
Chega de lama.
A fama é um conceito barato que muitos vendem caro demais...

domingo, 16 de janeiro de 2011

Navegando

Olho para o horizonte.
De longe vejo a terra que meu barco procura atracar.
Resta esperar que o vento assopre.
Chegarei ao meu norte.
Não deixarei simplesmente a vida passar...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Artista

Em branco,
a tela e o pranto.
E não há canto que venha colorir este painel.
Falta aqui um pincel.
Imaginação, entretanto, já malha aqui o seu cinzel...

Escrito no dia 11/01/2010 às 20:08 em Morro Branco - CE.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Canto

Que escuridão sem canto algum!
A lua é luz distante.
Estrelas não me mostram o norte.
Delonga-se o mar.
Não traz a sereia.
Não me leva para navegar...


Escrito no dia 11/01/2010 às 20:00 em Morro Branco - CE

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Maresia

As ondas vêm e vão.
Ouço o canto distante de uma cigarra.
A escuridão já deitou sobre a terra e as estrelas pontuam o céu.
A leve brisa faz pensar que tudo isto é um sonho.
Felizmente, jangadas não podem navegar num mar de ilusões...

Escrito no dia 11/01/2010, às 20:39 em Morro Branco - CE.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Semeador

Com trovões, deixei o céu.
Onde irei, não posso saber.
Resta o futuro chegar para dizer.
Reluzirá o amanhã.
As sementes não irão perecer.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Paiaço

E eu no riso me acho.
Qualquer pesadelo facilmente desfaço.
Sinto-me como uma flecha flamejante rumo ao sol inebriante.
Sonho concreto.
Porque pintado eu me completo e me aproximo da infância,
esqueço qualquer distância,
pois da palma da minha mão pode até sair uma música,
mesmo que eu não carregue nenhum instrumento...

sábado, 8 de janeiro de 2011

Gramática

Que esperas ver na janela, meu caro?
Já passaram aviões, bandas com suas canções. Lá no mar remoto várias embarcações cruzaram o azul.
E tu ainda aguardas mais, parado convenientemente em seu sofá, calado, como se a vida, que não se omite em andar com o tempo, fosse um mero substantivo...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Viva

Cresci.
Hoje tenho ideais e idéias.
E sei que o horizonte pode ter sempre um pôr-do-sol mais belo.

Guerras precisaremos enfrentar.
Um dia, a justiça equilibrará a balança.
Escreverão outros versos com novas histórias.
Várias glórias.
Andaremos sem titubear.
Rogo para esta realidade chegar.
Ainda veremos bandeiras vermelhas a balouçar com a ventania infinita...

Chuva

Eu vejo as sublimes gotas de chuva.
Lembro a infância,
quando as mínimas preocupações eram lavadas em poucos instantes...
Respeito o céu nublado,
o frio que se espalha
e o silêncio que ecoa no pensamento pelos dias passados.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Astronauta

Não, no espaço não há o que eu procuro.
É a terra que eu anseio.
Quero sentir meu pé pisar o solo.
Só assim viverei em paz.

Em tempo

Atualizei o blog colocando música de minha preferência e queria fazer uma rápida pesquisa para saber se a mudança foi agradável para os que vêm visitar os meus escritos. Quem quiser opinar, por favor, sinta-se à vontade. :)

Humanizado

Eu, criador do mundo, do meu mundo, detentor de todas as estrelas do espaço que me circunda, hoje me arrependo. Existem mortes do meu ser a cada dia que passa. E eu me enterro na minha cama, mas sempre amanhece. A consciência bate a porta e eu não atendo. Deixo-a ir embora, enquanto congelo pensamentos para um futuro que inevitavelmente terei de viver...

domingo, 2 de janeiro de 2011

Embate

Eu tenho embates intensos contra o tempo. Ele está certo que me vencerá. E eu sabendo dessa verdade, lutarei até a minha cabeça não poder sustentar minhas idéias e o chão se torne melhor abrigo que o espaço...