quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Lua

Ô lua, quero você cada dia mais perto, para além de aproveitar a sua luz, me acalentar com seu calor, que é tão manifesto.
Perder-me no céu. Passear em planetas.
Domar cometas.
Fazer constelações...

Ano

O velho vai cruzar a ponte. De lá não será mais visto, quiçá lembrado. O novo é garboso, não cansa de mostrar os dentes. Veste paletó branco, que provavelmente será trapo ao fim de um ano.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Se mente

Rostos passam.
Seguem seus rumos.
Eu paro, penso e volto a caminhar.
Porque o devaneio não faz congelar o tempo.
O pó será jogado no solo.
Semente que deixarei para um dia brotar.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Chuvisco

Perderei o amanhã.
Quisera eu poder enfrentar mais um nascer do sol.
Não será possível...
Partirei na madrugada silenciosa.
Serei névoa.
Gotas de chuva.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Na tal

No meio da rua, crianças sem camisa. A noite é fria. A solidão canta e uma banda de blues acompanha. É natal, mas parece um pesadelo. O teto é estrelado e nenhum presente pode mensurar qual constelação foi atingida pelos olhos.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Reflexo

- Eu vejo.
Eu sigo.
- Eu parto.
Corações?
- Eu sou humano.
Eu sou terreno.
- Puro solo.
Puro sangue.
- Morte!
Morre...

Meus debates com o reflexo na água...

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Caos

Tremei.
Porque o futuro se cala.
O presente, entretanto, jorra.
E suja minha face de sangue.
Meus olhos vêem a podridão descer para o esgoto.
Ratos se lambuzam com a gordura da opulência.
Não sirvo mais para o silêncio.
Serei caos para os que se deitam em berço de ouro.
Serei a espada que selará a vida dos tolos...

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Bardo

Eu voltarei.
Porque o ano passa,
mas a vida não me abandona.
Fenix e as cinzas vulcânicas.
Trovas e cantorias.
Eu, bardo do caos.
Poeira espacial.
Ainda não conferi o ponto final à minha canção.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Aos mortos

A vida se vai,
mas no corpo estarão as marcas das aventuras,
as cicatrizes sem cura,
os dias de solidão...

Irascível

Eu, ser que não se apequena.
Eu, ser que se estremece.
Acima a lua.
Abaixo o calor do inferno.
A terra em chamas.
Meus olhos cobertos de fúria.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

No el

Hoje clamei por meus trovões.
As nuvens plúmbeas pairavam quase sempiternas no ar.
Seria continuidade da falta do criar.
Mas o tempo, apesar de infinito, acaba por definhar quem de horas vive.
E esse pobre velho de barbas longas só tem vida até a infância acabar.

Mar remoto

O marinheiro se lançou ao mar na ânsia de tentar devorar o sentimento que se apoderava de seu corpo.
Buscava se distanciar da dor da espera, procurando novos horizontes.
Mal sabia ele que o bravio oceano carrega também as suas intempéries...

Plenitude

Sinto, sentimento,
mas o trem já vai partir.
Sinto, sofrimento,
mas outra estação há de vir.
E se eu sinto o vento,
é porque meu contentamento aquece com a luz solar.
Pobres são aqueles que se resumem a apenas existir...

sábado, 18 de dezembro de 2010

Dance

Felicidade dança na praça.
E não tem chuva que desfaça o seu sorriso.
Não precisa de música.
O ritmo é a vida.
Mesmo que por vezes se perca na ida.
Sem volta.
Porque não pára o tempo.
Silencia, apenas.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Vita Brevis

Olhem a pedra que rola da montanha.
Dia após dia, o fim destinado à ela se aproxima.
Desgasta no contato com a terra enquanto o ar a amofina.
Nos últimos momentos, o ocaso.
O silêncio.
A lápide.
A inércia.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Imaginário

Eu sei o que tem povoado meu imaginário.
Nunca mais penso em olhar para trás.
Pois o horizonte não se apresenta temerário.
Eu vejo bem um pôr-do-sol, luzes. A beleza do céu me satisfaz..

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Ideais

Idéias.
Para quê?
O mundo anda a ferver.
Uns matam, outros cobiçam.
Alguns só vivem.
Mentes vegetais.
Ideais no esgoto.
Onde estão os heróis?
No meu imaginário, suponho.

Hero

Heróis.
No campo soltam seus urros.
Fincam a bandeira na terra.
Rezam, enquanto ainda há a guerra.
Heróis.
Pisam na grama e acabam com o orvalho.
Correm deixando suas pegadas indeléveis.
Partem corações e lembranças dos que cederam ao ocaso.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Natureza

Meu riso não é cantoria que passa.
Desde que você chegou, meu brilho no olhar não disfarça.
E o rio segue o rumo sem precisar de uma forte correnteza.
Eu sei, a luz tratará de iluminar os nossos passos...

Poesia, espaço e etc.

O Poeta parou e olhou para o céu.
Vislumbrou todas as estrelas cor de mel
E desejou que não existisse mais o fel
Quem dera ele pudesse dedilhar o espaço.
Escrever sem descompassos.
Montar constelações com a ponta da caneta de pena...

domingo, 12 de dezembro de 2010

Cavaleiro

Sem idéias e ideais ele foi para a luta. Todos seus anos de vida culta foram jogadas ao inferno da lareira. Agora lhe resta a espada, o escudo, a lança, a armadura de bronze que ganhou de herança. Nos seus olhos, vê-se bem que a esperança ainda alcança sua mão. Nuvens e o horizonte. Permanente estado de reflexão.

Olhos

Olhos famintos.
Pensamentos distintos.
Flechas no alvo.
Minha mente quer estar a salvo.
Que venha o imaculado sentimento.
Darei cabimento com meu coração aberto.
Eu quero estar certo.
Acordar e pensar que não foi um devaneio...

Escunas

Eu tremi quando vi as magníficas escunas.
Senti o vento.
A areia da praia esfriou.
Era quase como se eu pudesse ser o mar...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Antwork

O jardineiro colheu frutos de dúvida. Sem saber o que fazer com os pontos de interrogação, que sequer tinham sabor, procurou observá-los. Longos dias e noites vieram. Incontáveis flocos de neve... Um vendaval ao fim levou tudo. E o moço, despertou-se aventureiro. Queria colher um coração que não lhe fosse alheio. E partiu, rumo ao infinito insensato dos humanos...

Sentir

E esse luar, meu jovem?
- Terno, não?
Noite sublime.
- E fria.
Aconchego-te aqui no meu peito.
- Qual seu nome?
Sentimento.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Gaivotas

Das gaivotas que vi, deixei passar aquelas que não tinham brilho no olhar...
Quando percebi, as que achava que iam me fazer planar, voaram sem sequer vislumbrar o meu aceno...

Decerto

Decerto é que o correto não é o amanhã.
O passado, é página que já foi lida.
O presente na vida da gente é o lugar para dançar danças mal resolvidas...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Luar

Quisera eu poder segurar a lua com a mão.
Grandioso, somente o pensamento.
O peso é outro.
É o concreto.
O abstrato é tão poderoso que parece sonho.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Erro

O espetáculo deve continuar.
E as liras não podem parar de tocar.
A alma do guerreiro renascerá feito fênix.
E o seu coração será duro como o ônix.
A resplandecência não tardará.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Infância

Silêncio?
Eu quero a fala.
Não à alegria que se cala.
Chuva.
Sinto saudade dos pingos de minha infância.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Saber

Sabedoria.
Almejo-a.
Batalhas sei que terei que travar.
E sem força não vou longe.
Dantescos são os perigos.
Onde o horizonte acaba é teu lar.
Resta saber que nunca vou alcançar o ponto final.
Insisto, porém.
A beleza da vida me faz continuar a caminhar...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Dos pensamentos

...e que além de sonhar, eu também posso crer,
que o abstrato não é concreto só por falta de querer...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Devagar

A gente podia se ver no ar...
Onde meu lampejo é intenso...
Reserve-me um lugar ao sol, perto do vento...
Expulsarei tormentos.
Jogarei lamentos no vórtice do esquecimento.
Das derrotas, só o aprendizado.
Amanhã, o jamais se tornará sempre.
Sempiterno.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Boneco

Criatura, o teu criador a atura.
Mas anseia largar tuas rédeas para que siga com o próprio caminhar.
É hora de não mais dançar no palco.
Teatro da vida é o que a espera.
Viver sem ter medo de sonhar.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Baila rina

Se me perguntam da bailarina,
eu digo que ela dança.
Mesmo sem rima.
Os deuses aplaudem lá de cima.
E as nuvens fazem chover flocos de neve.
Ah, assistir a bailarina faz a gente pensar que a vida não é tão breve.
Que o vento a leve para florescer outros cantões.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Marinheiro

Sei que teus olhos são estrelas.
Tocar tua pele, é como ir ao céu.
E eu quero parar no ar.
Planar, quem sabe.
Hoje, amanhã e num futuro...
Aonde o sol continue brilhando.
Nosso caminho trilhando por doces campos.
Inconsciência não mais.
Eu lancei a âncora, achei o meu lugar...

domingo, 28 de novembro de 2010

Dança do Universo

Dança comigo no meu chão de estrelas.
Universo.
Não precisa de música para ensaiar uns passos.
Segure minha mão, eu sei o que faço.

Rodopios.
Giros completos de compasso.
Um beijo.
Sonho.
Realidade.
Fantasia.
Concretitude.

Montanha

Sabedoria,
busco tua luz.
Mas sei que sem a força não conseguirei subir a montanha.
Com temperança, peço que a beleza adorne os meus passos.
Coragem eu possuo.
Preciso de prudência.
Assim, confio que no fim será feita a justiça.

sábado, 27 de novembro de 2010

Brinde

Odeio alarmes. Parem as buzinas dos veículos. Meu silêncio de volta. Meus pensamentos. Meu quarto vazio. Meus sentimentos. Um brinde ao ócio.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Má drugada

O alarme toca.
A música voa para os meus ouvidos.
Na rua não há vestígio de gente.
É madrugada que se assenta.
Idéias que não aguentam o sono que em breve chegará.
Devaneios tolos gostam de tamborilar descontentamentos.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Aqua rela

- Cor.
A aquarela tem várias.
- Quero a do amor.
Bem que notei em seu rosto.
- O que há?
Um certo brilho que perdi há tempos.
- Aproveita e pinta um sorriso nesse cenho macambúzio.
Não é uma má idéia!

E foi ser feliz o homem e o seu reflexo no espelho.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Astronauta

Eu tenho uma chance.
E o silêncio não me serve.
Que a passagem do cometa não seja breve.
O espaço me espera.
Esperança regenera.
Paz, quero-te em ecos intermináveis.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Humano

Eu ouço o som dos cavalos. Devem estar longe acabando com o resto do pasto. Ou provavelmente são de algum deus que está levantando vôo. As tardes são longas dentro do meu aposento em chamas. A fumaça é uma névoa que me lembra tempestade. Devaneios tolos. Existência ínfima. Humano.

domingo, 21 de novembro de 2010

Tempestade

Não quero que o tempo esfrie.
O calor agrada o peito.
Parece se concatenar perfeitamente com as batidas do velho coração.
Eu espero que não seja só emoção.
Cansei de ventos leves.
Que venha o furacão.

Madrugada II

Sono.
Sopro...
Corro,
nos sonhos.
Olhos vêem miragens...

à Mor

Razão.
Muitos morrem para consegui-la.
Encontram somente a paixão.
E cegados pelo coração, avançam o abismo.
Sem ter asas.
A queda não é suportada por todos...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Lei

- Inspiração me falta.
Pega a cadeira e senta.
- Não disfarça.
Teu coração enregelado agora pulsa.
- Cala tua boca e põe tua carapuça.
Não falo para dizer inverdades.
- Mentira é teu sobrenome.
Não sou eu que tenho fome de amar.
- Quem disse que terei de me alimentar?
Ninguém. Ouço daqui o retumbar.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Bandeira

Quantos furações passaram eu não posso mensurar.
Também não sei quando virão mais para transtornar.
Da minha terra não retiro o pé fincado.
Posso ser é desagrado, mas abraço minha pátria mãe gentil.
Porque de todas as cores, és Brasil.
Defendo-te, até com meu sangue derramado.


Sou mesmo um louco sonhador desavisado.
Só busco a paz.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Vago

Eu vi do olho mágico da luneta espacial.
Enxerguei o caos.
Consequentemente, a luz.
Entre o passado, o presente e o futuro, flutuo.
Há algo sublime no ar.
Hoje à noite eu sei que irei ver pirilampos.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Devagar

Eu escrevia cartas e as arremessava pela janela. Consequência? Nunca recebi uma resposta. Quis um tempo saber o porquê, mas de fato não havia explicação. Pombos-correio são lendas. Aos pássaros pouco importa o amor dos seres humanos.

domingo, 14 de novembro de 2010

Posso

Sim, eu posso.
Porque o impossível é um conceito passado.
Sim, eu posso.
Porque a glória grita o meu nome bem pronunciado.
Sim, eu posso.
Porque os risonhos verdes campos estão mais verdes que outrora.
É esperança que abunda.
Não há navio que afunde enquanto há mar para navegar.

sábado, 13 de novembro de 2010

Alea jacta est

A minha espada reluzirá com a luz solar.
O escudo fechará o meu corpo.
Serei uma bala direto ao alvo.
Não importa quais intempéries existam no caminho.
Acreditarei, como nos sonhos de menino.
O céu não será o limite, quiçá o espaço infindável.



sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Hope

Não quero demasiados amores.
Quero só um coração que caiba em meu peito.
Para eu dizer que respeito o viver.
Quiçá o sonho reverbere mais que a doce luz solar do amanhecer.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dadaísmo mental

O metal é o óbolo.
O caminho é o concreto das escadas.
O disparo almeja o sol,
assim como as asas buscam o céu.

O repouso é a nuvem.
E a cesta está vazia de estrelas.
E a besta uiva para a lua.
O relógio continua caminhando, mas as horas passam trôpegas.

Há uma carta piegas no chão.
Um amor em vão se martiriza em algum telhado sublime.
E eu, bem, e eu...
...atiro pedras contra uma vitrine...
Sem reflexos, máxime.
O corpo morto não se exime do passado tenebroso.

Há no rio um verde-claro que no outro dia era um esmerado azul.


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Ouro de Tolo

A névoa subiu.
O circo recolheu a lona.
Partiria em caravana por longos dias.
Doces ciganas bailavam e jogavam flores.
Pobres coitados daqueles que por elas se perdiam de amores.

Há um acre no ar.
E não é o molhado da terra.
E nem o ocre pintado nas paredes do mundo.
Aliás, as nuvens parecem feitas de isopor imundo.
E a água tem gosto doce deletério.

E há quem diga que o cérebro humano não anda estéril.
A pedra oca.
A coragem, pouca.
Pretensões enterradas que nunca poderão brotar.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Tolo

Eu disparo flechas ao léu.
Sou arqueiro cruel.
Martirizo o vento.
Miro em qualquer sentimento que queira virar desilusão.
Eu sei que um dia o arco quebrará.
Do alto da montanha, ficarei apenas a observar.
Velho e macambúzio.
Pelo menos não acerto minhas previsões.

Dia 6

Eu passei.
O dia em si passou.
Mas não esqueci o passado.
Pois presente é.
Meu recanto de letras e lembranças.
Meu doce luar.
Silencioso lugar onde dormem minhas poesias.


_______________
Havia esquecido!
Mas dia 6 fez dois anos de blog!
Eis aqui o que penso sobre isso.
Um abraço.

domingo, 7 de novembro de 2010

Pa lhaço

Eu ouvi muitos risos.
Vi meu reflexo nas bolhas de sabão que pairavam no ar.
Toquei meu violão sem cordas,
mas isso não impediu a dança.
Não, não sou um palhaço que cansa.
Tenho histórias e um avião.
Até ensaiei uma canção,
que no fim virou poesia.
Um misto de realidade e fantasia.
Um dia perfeito.
Nuvens de algodão.

sábado, 6 de novembro de 2010

Andarilho

Caminhos existem vários.
Prefiro a estrada de terra que marca meus passos.
Não porque eu queira voltar um dia,
mas sim para provar a mim mesmo que existi.
Às vezes, o amanhecer é tão abstrato que o consciente julga inconseqüente um sonho.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Ao sentimento menor

Moribunda.
Nauseabunda.
Claudicante.

Não és mais nem pó,
no máximo uma rompante,
que não convence pelo brilho opaco.

Eu sei bem que trazes em tuas mãos opalas falsas.
Mercador nenhum compra.
Não pelas tuas promessas.

Aquela semente nunca floresceu.
No dia que deixei plantar, o céu enegreceu.
Virei para o horizonte e apontei com o dedo em riste.

Desilusão, tu conseguiste pela última vez abrandar mais um furacão...


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Sono e certos pensamentos

Sono mundo.
Só no mundo.
Sono mudo.
Só não viro a página porque não sei o que escrever...

"And the love that I feel is so far away:
I'm a bad dream that I just had today -- and you
shake your head and say it's a shame."
Jethro Tull - Thick as a brick

"You never walk alone..."

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Igual

Só por amor nada mais seria tão igual,
nem o silvo dos sonoros pássaros,
nem as coloridas borboletas que povoam o imaginário humano...

Cometa

Disparo.
Flamejante, cruzo o seu céu como um cometa.
Não queria que o meu brilho fosse efêmero.
As estrelas pairam aqui sem deixar de reluzir.
Por que não eu?
Tenho energia para seguir e deixar meu rastro.
Sei que um dia você irá vir.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Fi ni

Eu sei bem a tristeza de perder alguém.
Eu sei bem o abraço que falta,
o riso que não mais ecoa.
Eu sei bem que aqueles olhos nada mais verão,
mas os meus olhos só inverno.
Eu visto o luto,
pois o doce já não é mais tão doce.
Embora haja o brilho matutino,
eu sei que uma das tonalidades do arco-íris abrandou a cor.
Porque quando há amor, a dor vem, inevitavelmente.
Quisera eu que o que eu tocasse fosse sempiterno.

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Aos meus queridos e queridas que já não estão comigo nessa caminhada...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Che

Hoje os olhos se encheram de lágrimas. Nunca mais tinha conseguido parar e pensar. A música também colaborou. Tocava um folk. Amanhã serei capaz de vencer a montanha. De morrer pelos meus ideais.

domingo, 31 de outubro de 2010

Das reflexões de um palhaço-gente

Ser palhaço é poder ousar sem temer (tanto).
É ter um mundo mágico à sua frente e saber que tudo é completamente moldável, até você mesmo.

sábado, 30 de outubro de 2010

Flecha

Eu quero uma flecha para acertar o teu peito.
Mas daquelas flamejantes.
Com amor pulsante.
Com o calor mais intenso do que o próprio sol...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Smile

Amar tem seus mistérios.
Assim como viver, sonhar e sorrir.
Eu penso que tornados poderão vir,
mas a bonança alcançará minha esperança antes de eu partir.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Sued

Eu que já moldei sentimentos,
hoje vejo tornar areia qualquer contentamento.
Meus olhos denunciam o cansaço.
Vermelhos, quase opacos.
O infindável pode ter sim o seu ocaso.
Temo não ver o próximo amanhecer.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Seu Timo Ento

A Solidão está encostada na parede.
Toca um sax para o Silêncio.
A música ecoa, encontra o Lamento.
As paredes ouvem e a Tristeza deixa o recinto jogando um bilhete no chão.
A Curiosidade logo corre, mas pára, derrubada pela Inveja.
De longe, sentada na cadeira do bar, a Angústia vira mais um copo de álcool.
Daqui a alguns instantes terá uma apresentação da Dor,
mas certamente nem a Esperança terá gosto em assistir.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Solstício

Eu não sei.
Não sei dizer se o amanhã chegou.
A chuva veio e já passou.
Deixou um céu anil,
um quase mar que nunca vou poder me banhar.
Nada que impeça de me apaixonar por alguma estrela.
E me guiar por um brilho cadente.
Serei um sol de repente sem saber o perigo de rimar.

De vagar

Ouve o som?
Houve o som.
Era um grito.
Erra o grito.
Palavras e delírios.
Dizem que o vento é só um mito.
Eu sei e o sabiá também sabe que é mentira.

domingo, 24 de outubro de 2010

Rascunho

O traço que se faz no papel da vida não apaga.
São cicatrizes indeléveis que marcam a pele,
até que chegue a última que fatalmente irá fechar nossos olhos.

Cada passo, uma escolha que faço.
Às vezes o caminho é desenhado por um compasso,
mas temo em seguir acusando que o sol já vai nascer.

Sim, sou um sonhador.
Não receio dizer tal palavra ao vento.
Sei que a qualquer momento meu grito irá ecoar.

sábado, 23 de outubro de 2010

Alegria

Brilho.
Há tempos não vi um tão intenso.
Uma tarde ganhou o dia.
Eu queria ser palhaço e saber falar poesia.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Último Romântico

Para que poesia, meu caro? Ontem vi inúmeras delas numa lata de lixo virando a esquina. Eu sou curioso, as li e todas falavam de amor. Mas este sentimento tão mencionado me abandonou. É, vim morar aqui na rua da miséria. O sorriso meu é uma máscara. Olho no espelho e parece que perdi a função dos músculos da bochecha. É triste. Um homem não deve morrer só. Meu caixão está esperando. Encaro-o todos os dias na sala. E é um cotejo silencioso. Devo tocar o sino e chamar o ser abstrato em formato de caveira ou aguardar com a esperança de um menino? Não há resposta. Não sei se fiquei surdo ou se minha vida é um cinema mudo. Sei somente que sem cor já está.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Psicodelia

Metáforas permeiam o meu ambiente.
Eu tenho jogado sementes de um futuro vindouro.
A terra ficou seca.
Não tenho o dedo verde.
O coração, entretanto, pulsa vermelho escarlate.
As nuvens passam em uma psicodelia errante.
Tomara que mais tarde elas não sejam trovejantes.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Palavra

A minha palavra não é algo meramente lançado.
A minha palavra tem peso.
Tem ponto e vírgula.
Minha palavra tem sentimento concreto.
Desconsidero os abstratos em meu inconsciente.

Samba (na corda bamba...)

Minha vida é um samba com a solidão.
Passam paixões.
Voam canções.
E ninguém chega para a dança.
A música não pára, entretanto.
Eu estou quase para perder o encanto.
A razão me mantém em pé dizendo que da existência não só se vê o pranto.

Apocalipse

Escrevi meu testamento enquanto a guerrilha era anunciada no rádio. Um sujeito calmo como uma bomba ameaçava pular do edifício mais alto. Testei o microfone e subi no telhado. Vi vários corpos dormindo no fogo nada acalentador. Anunciei o fim. Ali eu renasci, mas não para o bem. Renasci fantasma.
As vozes das Marias ecoaram. Uma voz de quem não deveria ter voz. O diabo aguarda bem na porta do novo milênio. Cairão cinzas na primavera. A guerra começara com um simples respirar intranquilo.

Sem sentido

Tremei as poesias e os verbos.
Não quero predicados para descrever sujeitos.
Há um objeto direto vindo pelo indireto inconsciente.
Tomara que seja uma bala sem pronome.
Assim, poderei dizer os últimos adjetivos ao vento
e clamar por um advérbio enquanto vejo o meu descontentamento apagar em verso.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Campo

Lá sentada na cadeira de balanço está a menina.
Não se sabe para onde seus olhos apontam.
Mas juro que daria o meu reino para descobrir.
Eu espero demais do porvir.
E o amanhecer não chega.
Há chuva.
Ventania.
Raios dividem o céu, como num quebra-cabeça...


Madrugada

A madrugada tem o seu silêncio
e uma certa expectativa.
Uma luz do amanhecer prestes a chegar...
Pássaros não ousam cantar.
Nuvens vêm, mas tratam de logo passar.
Uma pena que este sublime seja só para olhos errantes que trataram de não repousar.



domingo, 17 de outubro de 2010

Beija-flor

O beijo-flor não canta,
mas baila no ar pela música de algum sentimento.
Sabe-se bem em qual flor ele quer pousar.
Não queria ele que a viagem demorasse tanto tempo.
Mas há de chegar o dia.
O momento que toda poesia plantada brotará.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Música

Eu respiro o doce ar e sei que posso.
As asas aguentarão o vento.
Beijo a morte com o pulo do precipício.
Restará satisfeito meu intento,
desenhar nas nuvens o meu contentamento...
...e sorrir até tirar a rotina do sentido.

Márcio Vandré.

"And so today, my world it smiles
Your hand in mine we walk the miles
Thanks to you it will be done
For you to mare are the only one"

Led Zeppelin

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Rosa

Eu espero o teu perfume, linda rosa.
De todas és a mais formosa.
Quem dera eu pudesse te colher para plantar em minha terra.
Ah, meu jardim iria rejuvenescer.
As maçãs iriam crescer.
E nem todo o caramelo seria suficiente para vencer a tua doce presença.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Delírios Poéticos - A quinta parte

O Príncipe acordou sem ainda ter amanhecido. Não sabia precisar o horário. Foi até o jardim de sua residência e de lá ainda pôde ver uma pequena poça d'água que refletia a lua cheia. Admirou. Quantas coisas sublimes vinham acontecendo. Não queria a efemeridade delas.
Para isso, não esperaria mais por cartas. Seguiria o olor da bela flor. Partiria para colher o fruto esperado. Queria que ela para cuidasse do seu roçado que alguns chamam de coração.

Foi então que levantando seu punho clamou:

Quando achar o meu amor, todos os dias serão de prosas e poesias escarlates como o sangue que pulsa nas veias. O rio correrá inconteste e poderá dar o tom verde às planícies outrora ressequidas. O meu reino do futuro será um presente construído pela marca de um intento soerguido com esperanças intermináveis. Eu serei feliz!

E partiu, taxado de louco por uns tantos. Seu sorriso não se importou com isso. Seu dedo em riste apontava o horizonte que deveria seguir.

Delírios Poéticos - A terceira parte

Na expectativa da espera, o Príncipe foi à janela. Um vento forte trouxe uma cantoria indecifrável. Era doce, entretanto. Logo imaginou a menina, enquanto pousava sua pena no papel, a cantar, dizer juras ao céu. Queria o jovem estar certo e ter escutado tais palavras de perto, mas apenas continuou a ouvir sinceros sussurros.

Então foi ter seu sono. E no sonho, uma alva luz surge. O sapo sabido se transforma em gente e fala alegremente que “em algum lugar esperam por ti”.

Abre os olhos o Príncipe, sem bem saber se já era realidade ou se tinha sonhado com o porvir. O fato é que havia uma carta em seu colo. Como não era tolo, tratou logo de abrir:

“Na imensidão do jardim, muitas flores encontraste,

Por que então foi comigo que sonhaste?

O frescor do campo anuncia, chegará a primavera.

Todas florescerão, não serei a única delas.

O jardineiro que cativa sem desdém, ornamenta como ninguém

Um campo inteiro.

A coletividade me desagrada. Que seja egoísmo querer ser a única almejada”.

Tais palavras não o deixaram circunspecto, pelo contrário. Uma felicidade enorme o invadiu. Mas falar para quem, se o imenso quarto não denunciava outra coisa se não o silêncio? Ah, mas tinha sua pena e papel. Não poderia deixar a bela dama ao léu. Então, acendeu a luminária e se pôs a escrever:

O jardim não seria belo se não tivesse você como Flor Rainha.

Assim como o céu sem a lua menina. O brilho das estrelas não equivaleria.

Então, por isso não teria motivo para olhar para tantas outras,

se a única que vislumbro está tão perto do meu pensamento.

Eu há tempos não escrevia tão certo.

Até a pena virou candura.

É a quietude que eu procuro.

O sublime que almejo.

Quero o seu orvalho embevecedor.

Infelizmente, só sinto o seu olor por bondade do vento.

Quem me dera poder colher o meu intento.

Passaria a sorrir mais.

Falar tolices a qualquer momento.

Após o ponto, o Príncipe voltou à cama e dormiu. Era madrugada. A noite era vazia. As palavras não. Carregadas de algum sentimento são. Teria um final feliz? Não sei, o sapo é quem diz. Pois invadiu o quarto e levou a carta pegando o atalho pelas nuvens que na escuridão eram tão brancas.

______________

Em tempo: Novamente me utilizei do texto dela (a menina misteriosa) na primeira carta, mas dessa vez nem pedi ciência. :)

domingo, 10 de outubro de 2010

Fragen und antworten

Certa vez, um príncipe estava sentado a pensar sobre o tempo. Recebeu uma carta de um sapo, que sumiu sem nem que mesmo desse a chance de o jovem perguntar o intento de tudo aquilo. O papel apresentava uma caligrafia linda e bem sincera de uma menina anônima:

"O tempo é que diz se é folha ou raiz,
Se cairá no esquecimento ou será construído.
Se regada for, a flor talvez vingue
E o desejo do florista pode então ser atendido."

Seria a lua? Uma esperança, quem sabe. O príncipe então passou a ficar inquieto e resolveu escrever uma resposta:

Eu não quero outonos.
As folhas são frágeis demais.
Quero rosas, gotas de orvalho.
Quero um sorriso em um arco-íris.
O canto dos pássaros me apraz.
Se depender do jardineiro, o jardim só terá dias de paz.

E deixou a carta num tronco de árvore cortado. Assim que o Príncipe virou as costas, o sapo fugaz pegou a carta e partiu. Mais tarde, doces olhos leriam e pensariam exatamente o quê ninguém sabe...

______________________________

Em tempo: A primeira "carta" foi realmente escrita por uma menina bonita que pediu para ficar anônima. ;)



In sanidade

Eu falo com as gotas de orvalho.
Lá do alto do carvalho, se vê o horizonte.
Os arco-íris brotam.
Loucura que salta os olhos.
Se a vida propõe que a gente viva, por que não viver?
E respirar.
E sentir a chuva cair.
Voar enquanto tiver céu para ser conquistado.

sábado, 9 de outubro de 2010

EsperAR

Lá vem a bonança
e aquela menina que escreve e dança,
e alegra com um sorriso de esperança que alcança qualquer desassossego.

Ah, eu sempre com meu apego.
Com minhas fogueiras que teimam em enfrentar o céu.
Que a vela não apague.
Não quero cinzas ao léu.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Uni verso

Se não bastam palavras, terei que aprender a manejar as estrelas.
Falar a língua da lua.
E assim dizer sábios versos ininteligíveis aos meros mortais.
Para que minha bela de pele de seda não amargue a silenciosa interrogação de um sentimento.
Não mais.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Previsões

O pêndulo não pára.
A areia do tempo cai e o vento leva.
Obliteram memórias.
Voam lembranças.
Os sacos de esperança se esvaziam.
Versos mumificados ainda aguardam que certos olhos os leiam.
Será a chave para um futuro condenado pelos céticos.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Corra sã

Eu sei que o teu amor pode ser o meu.
O sentimento não esqueceu o brilho recente de algumas constelações.
Assim, as luzes da cidade também não apagaram.
Das janelas, olhos atentos esperam o desfecho de algo.
Em um lugar da terra inteira, um fogo não abranda,
uma música não pára.
Bandoleiros pulam e dançam enquanto a população os seguem pelas vielas.
Os pés ainda continuam a trilhar um caminho de passos concretos.
Falta o cimento para solidificar certas pretensões.

Analiso o silêncio.
O fechar dos olhos.
O hirto estado da máscara que não cai.

Sonhe comigo.
Aceite minha mão para um samba.
É possível sorrir na corda-bamba.
Abraçar antes do mundo cair.
Porque a rotina não alcança as nuvens.
Tua clarividência, sim.

Não deixe o trem partir.
Cruze comigo o horizonte.
Seja minha lua no céu sublime da noite.
Serei teu dia.
Esquentarei qualquer manhã fria.
Por ti.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Poeta IV

O Poeta é um mistério.
Um ser atrás de uma máscara de si mesmo.
Se sorri ou se chora, ninguém sabe ao certo.
Sabe-se que se aboleta na cadeira e com a caneta vai para outro mundo.
Quiçá distante ou mesmo do lado de fora da janela.

Poeta.
O que se espera?
Uma flecha e um ponto.
Um romantismo que não degenera.

Mas se augusto um dia é. No outro se desespera.
E por essas linhas tortas conta a vida, tão pobre vida, respirando desmedidas promessas, cuspindo caroços de sentimento que plantados nascerão em outros tempos.
Futuro que não espera.
Porque o trem há de partir.
Assim como os corações.

Conselho

A vida desencanta quando começamos a perceber algumas particularidades.
O amanhecer. A abertura de um botão de rosa...

O tempo é caro demais para desperdiçarmos com o orgulho exacerbado.
Deixa a poesia nascer.
Só assim da nascente brotará água e o rio poderá finalmente ter o seu curso.

PS. Para você...

domingo, 3 de outubro de 2010

Pesar

Eu sei que teu canto vai para outro lugar.
Teu olhar nunca cansará de procurar o infinito,
pois teu finito já passou.
Vais deitar no campo de flores brancas que te cercavam naquela última vista.
E depois certamente voará para cobrir o céu de estrelas.

*Dedicado à criança que vi ontem no salão de velório do Hospital que faço visita com os Risonhos.

Valsa

Meus olhos querem ver algo mais que miragem.
Quero fazer a viagem e dela não voltar sem uma rosa.
Eu não espero dias de silêncio.
Almejo a cantoria dos pássaros ou o simples nascer do sol do teu sorriso...

Deixa eu tropeçar pelo teu caminho.
Não direi nunca a palavra adeus.

Dica

Dia de eleição...
Votar consciente, por favor. :)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Divagar não é preciso

Eu queria o universo.
Mas o fragmento não pode se sobrepor à matéria.
Tenho de me acostumar a observar as estrelas assim de longe.
Paciente, como um monge.
Uma hora ou outra, chegará o brilho cadente.
Mão carregada de embevecedor resplandecer.

Eu só sou deus do meu mundo.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sabe dor ia

A árvore mais velha não possui todo o conhecimento.
Se por isso fosse, qualquer pássaro que de lá saltasse
não temeria o empreendimento do primeiro vôo.
É sempre preciso aprender como bater as asas à medida que vem o vento.
É necessário olhar na face do sofrimento,
para no fim, beirando o inexorável ocaso, entender o quão efêmera é esta vida.
Sabedoria, tua coluna permanecerá hirta.
Poucos serão os loucos que chegarão perto da metade do caminho.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Il silenzio

Não entendo o silêncio.
Não concebo a falta do canto dos pássaros ao amanhecer.
Está frio lá fora.
E as nuvens impedem o brilho solar.
Nenhum sorriso é avistado.
O dia tem cara de passado.
Filme em preto e branco...

...Que algum ser vivo dê uma fala à esperança...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Espera e alcança

Naquele dia a lua estava cheia. Ele fez sua prece e respirou fundo, como se nada além daquilo lhe aprouvesse. Caminhou tranquilo de volta para casa nas ruas sozinhas. Pisou no tapete velho e abriu a porta, esquecendo o mundo do lado de fora. No seu antro escuro, sentiu que fazia parte do silêncio e fechou os olhos. Queria dormir, acordar com o pedido realizado. Quem sabe juntar um ou dois sacos de luz solar. O fato é que estava preparando uma grande recepção. Há uma semana já tinha coletado algumas estrelas. Os buracos negros, dispensara. Queria mesmo uma certa clarividência que faltara em algum tempo passado. Ele pôde ver. Ele pôde sentir. O amanhecer do amanhã chegaria mais forte. Ele poderia encher todo o pulmão de ar e deixar desvanecer a ilusão completamente.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Ritmo

Nós vamos ser um par.
Bailar, bailar, até não poder mais.
Quero sentir a sutileza do teu movimento.
Ah! Me dê o teu mundo que eu sustento.
Dançarei feliz.
Viverei em paz.

domingo, 26 de setembro de 2010

Crer

Será demais acreditar?
Eu sonhei e acho que posso voar.
Lá no alto do céu, fisgarei a estrela mais bela
e entregarei da forma mais singela à menina que canta no mar.

sábado, 25 de setembro de 2010

Voz

Tua voz encandeou um certo coração.
Não existe razão mais óbvia.
Há uma flecha cravada no peito que não sangra.
E se isto significa loucura,
que seja plena.
Chega de sentimento que se apequena.
Abracemos, de vez, o calor solar.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Conquistador

Eu deixei a esperança entrar.
Cá em meu coração não há mais só o escarlate a espelhar.
Tenho o verde.
A imensa vivacidade e oxigênio de uma floresta inteira.
Sim, respiro.
E vejo o mundo todo em minha volta.
Meus olhos são sinceros,
clarividentes.
Dai-me um arco que acerto o sol nascente.
Dai-me o amor que espero e conquisto o imenso céu.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Amanheceu

O sangue volta a percorrer meu corpo.
Não devo estar mais morto,
pois o branco da nuvem deixou de carregar o plúmbeo pesar.
Amanhã não terá chuva ácida para corroer meus ossos.
E eu muito bem poderei sonhar e voar.
Porque o abismo ilusório obliterou.
Restou-me o ar.

A dios

Quando renunciar ao jogo, pequena alma.
Leve consigo a candura.
E não deixe a frieza da pedra congelar o coração que bateu.
Dizem que há um belo mar em algum lugar.
Lá poderá repousar, enquanto ouvirá as últimas palavras de adeus.

P.S. Esse texto foi inspirado nas palavras do Imperador Romano Hélio Adriano.

"Animula vagula blandula
Hospes comesque corporis.
Quæ nunc abibis in loca,
Pallidula, rigida, nudula.
Nec, ut soles, dabis iocos..."

terça-feira, 21 de setembro de 2010

pulsAR

Insisto.
Nalgum lugar há uma estrela que brilha.
Guardada para o meu luar.
Rezo para o dia chegar.
Insaciável coração,
Deseja somente o infinito pulsar.

Sal

Hoje faltou um pedaço do ontem.
Faltou alguma alegria ou um sorriso simples,
porém sincero.
Faltaram maçãs rosadas de um rosto e sensatas esperanças em meio ao nevoeiro.

Hoje vi o sol amanhecer, mas estava encoberto por nuvens acinzentadas.
Não quero prenúncio de chuva.
Espero mesmo o resplandecer.
Sensação de constante devaneio.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Xa drez

Os bispos não dão passos de cavalos.
E o rei que tomba, não levanta para mais um jogo.
As peças não são as mesmas.
Os caminhos de outrora se tornam desventuras.
E a estrada da glória pode ser iluminada simplesmente pela luz do alvorecer.

domingo, 19 de setembro de 2010

Selo


Nada melhor do que receber um selo no dia do seu aniversário! :)
Saulo Taveira, do excelente blog Partitura, me concedeu esse presente!
Meu muito obrigado pelo reconhecimento!

Seguindo a regra do selo, devo indicar 10 blogs que (ainda) não tenham sido lembrados. Segue a lista:

Texto, Música e Poesia - http://d-bedotti.blogspot.com/
A gente podia se ver no ar - http://agentepodiasevernoar.blogspot.com/

Mais uma vez agradeço a lembrança e ressalto a responsabilidade que se eleva a cada reconhecimento.
Trabalharei mais. Ao infinito e além...

sábado, 18 de setembro de 2010

U n respiro

O pássaro negro voou.
No horizonte sumiu.
E a luz irradiou,
enquanto o fogo subiu.

Nada melhor do respirar um amanhecer.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Lareira

Teu céu, teu mar.
Tuas estrelas a me falar...
...poesias.
E se as noites antes eram frias,
hoje sinto o fogo da lareira
e a esperança nos olhos.
As gotas de orvalho se confundem com lágrimas de uma sinceridade contente.
O meu ânimo não mente.
Almejo tal sentimento plenamente.
Algo perto do permanente calor solar.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Me nina

Iaiá.
Não sabes o bem que tu me fazes.
Guardei tua simpatia aqui no peito.
Rígido outrora, hoje estou satisfeito.
Incertezas caindo com o muro desfeito.
Dália, queria poder sentir de perto o teu olor.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Daguerreótipo

Eu quero a tua candura.
A mais pura doçura é o teu sorrir.
E se me perco no singelo relevo de tua face,
congelo-me ao observar teus olhos.
Não pela inércia da pedra,
mas pelo brilho do diamante...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sustentável

Sua luz é o sorriso, menina.
É aquela música que não desafina.
É para onde a paz se destina.
Um local onde não haja horizonte nem verticalidade.
Apenas clarividência.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Wolf



Sussurros me chamam de lobo.
Lobo errante em busca da lua.
Há sinais de clarividência,
mas o céu ainda é colorido de abstenção.
Nem estrelas cadentes.
Ou mesmo prantos renitentes de algum deus.
Quando me ponho em devaneio, rapidamente chega a madrugada.
Sinônimo de adeus.

domingo, 12 de setembro de 2010

Die Sonne, Der Mond

O meu amor é real.
Transcende a barreira que separa nossos dois mundos.
Se você vive cercada de estrelas,
eu só tenho nuvens.

E mesmo que falem que o meu brilho é sempiterno,
talvez o mais seria se fôssemos um só.
Pelo que ouço, você está sempre vibrante.
Eu queria ter o poder do seu sorrir.
Mas sou cheio, vociferante.
A brasa que nunca apaga com o vento.

O fogo é meu.
O gelo é seu.
Busco o nosso meio termo.
Algo perto do entardecer.
Antes do céu desvanecer.

Separados pelo dia e a noite.
Pretendo dançar uma valsa em qualquer eclipse.
Não me contento só com o bailar inconstante dos dias.
Aceitar sua distância, para mim seria a morte.

Curto

Há um tempo eu vi uma estrela cadente.
Sumiu no céu, de repente.
Assim como aquele entardecer tão belo que nunca mais se fez aparecer.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Ato

Os metais eu deixei cair do bolso.
Escolhi a paz.
Mesmo que não seja a eterna.
O mundo se resume em um sorriso por um momento.
Logo a candura faz desvanecer o descontentamento.
Volto para casa com um pingado de doçura.
Ah, mas que água pura banha o meu cenho antes mesmo do inverno chegar.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Sabedorias do dia a dia

O rio não pára.
A vida também não.
E se há uma pedra ou uma confusão,
deveríamos nos moldar como a água.
Porque o oceano daqui a pouco chega.
Não para a morte.
Sim para a imensidão...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Nóia

Não é só de loucura que o mundo se alimenta.
De paranóia, nada se sustenta.
Pois assim, o castelo de cartas se espalha com um único assopro.
Os bobos dançam felizes por causa da chuva.
E até o amor pode ser uma estaca no peito.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Medo

Temi.
Hoje estou aqui parado.
A âncora lançada ao fundo.
E todo esse mundo para ser explorado.
Congelei pretensões.
Apaguei chamas de razões.
Bebi do copo vazio.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Bufão

Jamais...
Disseram isso enquanto subia a névoa.
Logo os meus olhos só viam o branco quase cinza.
Embora eu não quisesse andar por receio,
o destino me empurrava, dizendo que eu precisava seguir rumo ao norte.
Mas quem sabe se era mesmo o norte?
Ou se era a morte?
Não que isso importe.
A vida não é jogo de sorte.
Não existe acaso.
O que existe é uma forma de invertamos maneiras para não querer lutar.


domingo, 5 de setembro de 2010

Sá bio

Dizem que aquele sábio vislumbra o mundo de forma diferente. Ali sentado, vê os andarilhos que vão seguindo rumo a corrente. E no silêncio de sua sabedoria, medita, pedindo clemência para as almas que enfretarão o ocaso...

Digressão

Hoje o dia.
Amanhã a noite.
No futuro, poesia.
Quem sabe, deixo de ser alma vadia,
perambulando pelo vazio da cidade
e volto a vida com um beijo da realidade.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

para Gaia

Belas gotas de orvalho.
Extraem de mim o mais belo pensamento.
A medida que pequenos arco-íris se revelam.
Trazendo cores e sabores.
Rememorando o esmero da natureza.
Inspirando penas de poetas.
Zumbido de abelhas extraindo o mais doce mel.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Inverso

Uiva a lua.
Grasnam as estrelas.
O céu canta qualquer estribilho.
Calados, os animais assistem tudo de cima do morro.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Praça

Pungente.
Esperança.
Dança no meio da praça.
Loucura seria se escutasse a momice dos outros.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Com o diabo

Por que continua a andar, mesmo com três balas no peito?
- Porque não cheguei onde deveria chegar.
Tome um guarda-chuva então.
- Para chamar raios?
Não, use-o para voar na próxima corrente de vento.
- Só andando sentirei a terra, a concretitude. Viver no ar é viver de sonhos.
Está certo.
- Deixe-me ir agora. Preciso estar na linha do horizonte antes do entardecer...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Para Nóia

Cansado, o guerreiro resolveu deitar. Logo levantou-se o dia. Não havia sequer uma poesia a cantar.

sábado, 28 de agosto de 2010

Conquista

Disseram que viriam trovões, mas caiu apenas uma chuva fina que coube na palma da minha mão. Logo se fez bonança. Como se algum deus tivesse soprado todo o nefando para longe. Posso ver a claridade do sol, o azul impermeável, o branco de candura que tanto procurava nos sonhos.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Peça

Palmas.
Não vi a peça.
Está escuro.
As lâmpadas não acendem.
Deverá ser epifania.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Política

Eu cansei dos ratos.
Dos velhos mascarados.
Dos invólucros.
Existem seres que não pensam.
Vaidades que não cabem em um só corpo.
Poder que estremece.

Parto agora para uma luta sã,
muito embora os gritos praguejem que o esforço será em vão.

Vã é a falsa felicidade.
Vã é a valsa dançada por um só individuo.
Eu quero ver a dança.
A música.
Quero ver plantas esverdearem uma colina.
Esperança.

A apatia estará na lembrança.
A partir de agora, bonança.
Para longe as tempestades.

Queria eu poder transcender o pensamento para a realidade.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Roçado

Despedacei sonhos pensando que fossem pétalas.
Hoje a terra está seca.
A água foge com medo de evaporar.
O sangue esquenta.
A esperança não tem do que se alimentar.

domingo, 22 de agosto de 2010

Palhaço



Hoje é um daqueles dias que me visto de alegria. O nariz vermelho me guia, enquanto um corredor branco se pinta de qualquer cor. Eu sinto sorrisos, vejo expectativas. O mundo gira, infância, pára e pira. Por algumas horas, sujeito indefinido. Poeta do riso. Criador de sintonia.

sábado, 21 de agosto de 2010

Caçador

Não, não sou louco. Eu vi uma estrela cair do céu. Agora irei buscá-la não importa aonde! Só não quero que minha noite deixe de brilhar nem por um instante.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Refúgio

Tem um caos lá fora da porta.
Há gente morta.
Vidas pífias.
Árvores tortas.
Nevoeiros intensos.
Aqui, em meu recanto, só uma parca luz, provinda de uma lucarna, me ilumina.
Eu não confio que seja solar.
Felizmente, é suficiente para ler o manuscrito escrito por mim mesmo.
Algo que prova que não sou louco.
Sou pouco, entretanto, nesse imenso mundo.

Elixir

Eu, velho.
Eu, sincero.
Eu, criança.
Não espero.
O trem não chega.
A vida não parte.
Os olhos ardem pela ebriedade do vento.
A luz solar está turva.
Milhões de neurônios e suas sinapses.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Desventurar

É, o frio passou.
Eu pude ver a cor da brisa.
Pela primeira e última vez.
Então, a partir daquele momento, tudo ficou cinza.
Como os filmes que não vi.
Há sintomas de silêncio.
Meu barco ainda está atracado no cais.

Salão

E ela não aceitou a dança. O salão imenso, preenchido por invólucros, apenas. Um ser macambúzio. Gotas de orvalho no mármore. E não chovia.
Disseram, no outro dia, que ouviram relâmpagos.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Elucubrações

Por que sonhar?
Não deveria permitir um vôo tão alto.
Ou talvez eu já esteja voando.
O que é realidade, enfim?

Só nhos

Não se vendem paixões nem lembranças.
Falou o mercador que há pouco passou.
Aqui só poeira do deserto, meu caro. Foi o que ele disse.
E eu, pobre desavisado, sinto que em aridez não nasce flor.
Martírio essa profissão de semeador de sonhos.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Espera e dança

Como a fênix, a esperança também renasce.
E pode ser vista em qualquer verde jardim.
Lá haverá pássaros.
Cantorias sem fim.
Água jorrando das fontes.
Um milhão de querubins.

Meteoro

Que estupendo fim.
O fim e o recomeço.
E o azul é o verde da esperança.
O máximo céu.
Nenhuma lembrança.
Meteoro eu sou.
Fulgurante.
Trovejante eu sou.
O raio que enraiza o chão infértil.


domingo, 15 de agosto de 2010

À inominada

Achei diamantes no céu. Logo naquela escuridão sem fim.
Quisera eu poder voar e trazer à terra apenas um.
Algo para figurar em seu peito, ô menina do lago, que aparece quando do som da flauta doce.
Conquistaria o espaço com apenas um sorriso seu.

sábado, 14 de agosto de 2010

Despedida

Derrota. Não quero mais tua companhia. Deixo cá os troféus de cobre. As quase-alegrias. Os véus de casamento das noivas em fuga. As espadas quebradas. As couraças maculadas pela flecha sempre certeira, não no meu coração, é claro.
Não posso mentir, sorrisos eu tive. Não bastaram, entretanto. Quero um pote inteiro. A sede é crescente. A vida, rasante. Eu preciso do amanhecer. Do sol. Do fogo. Do calor do logro.
Derrota, te abandono e não volto. Escute as palavras. Esta alma te fala pela última vez.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Espera

Parado no mármore frio, eu espero e as horas não passam.
E a angústia morre.
Há paz.
Um sossego não previsto.
Será premonição?
Será vitória?
Eu vim e almejo a glória.
Somente sairei daqui ostentando o amanhecer.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Vitória

Eu vim atrás do jubilo.
Da iluminação eterna.
Domarei o cometa.

Cruzarei a terra.
Calarei qualquer injustiça.

Sou o ser de armadura.
Guerreiro do universo.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Construção

Eu levei as gotas de chuva para chover no meu sertão. Árido de paixão e de esperança.
Quero que as carcaças desintegrem e virem adubo para o verde tímido.
A fruta mais doce, no final, será a minha.
Eu plantei a semente, diáfana menina.
E olho agora para onde teu olhar aponta.
Horizonte que desponta.
Imenso pôr-do-sol que incendeia o céu.
Douradas nuvens, banhem cá o meu viver.
Espero ver a felicidade aparecer.
Achando sorrisos perdidos dentro de um coração.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Bêbedo

Minha sina é morrer afogado na solidão,
tragando copos de tormento e negação.

Eu vejo almas.
Ecos do passado.
Realidades que mudam com apenas um toque.

Eu sou o boêmio ser que tem o futuro no presente.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O Humano

Entre anjos e demônios, eu sou o meio termo. Humano.
Não tenho asas e nem tridentes.
Carrego no peito lembranças contentes
e agruras que deixariam adocicado qualquer limão.

Eu sou, irremediavelmente, humano.
Dono de terras nunca antes visitadas.
O senhor do universo.

O sol se curva perante meu sinal.
E então vem a noite.
As estrelas são o orvalho do espaço.

Eu sou o que sonha.
O que abomina.
O próprio monstro imaginado.
Assassino frio, mal amado.
Pescador de ilusões.

Eu sou o que clama.
A alma que se apequena.
A intensa chama.
O olhar que envenena.

Mortal.
Efêmero.
A vela que apaga com o tempo.

domingo, 8 de agosto de 2010

Pai

Você, pai, é sinônimo de herói. Daqueles que usam armadura, escudo e espada e saem para combater todos os monstros na estrada.
Às vezes é bobo da corte com suas piadas.
Ou ator de cinema aqui de casa.
Você, pai, é aquele ser único.
Aquela presença que marca.
A confiança exata para o meu caminhar tranquilo.
Você é uma das minhas pilastras, pai.
Meu suporte. Parte imensa de minha vida.

sábado, 7 de agosto de 2010

Erebus

Lá se vão meus sonhos naquele barco.
Eu escolhi a terra.
A prostração e a névoa.
A água não tem mais reflexo.
Empoeiram-se memórias.
As glórias aqui neste pedaço de solo de nada servem.


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Velhice

Desmedidas alegrias se foram.
Não mais voltaram.
Hoje sou o ser inerte, esperando a morte, que já é aparente.
Os anos dourados ficaram cinzas.
Como a lareira que não acende.
Nunca mais vi fumaça na chaminé.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Da noite

Ser sempiterno é uma maldição. A cidade está aos meus pés. As luzes acesas indicam os caminhos menos sombrios. Mas já passei por todos mesmo. De repente, a vida ficou monótona. Porque a humanidade nunca se renova. Passam os dias, tudo permanece o mesmo, apenas com algumas tecnologias para enganar o ego. Mas o meu ego não se engana tão fácil. Eu sou o mesmo coração de pedra de outrora.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Cria dor

Qual a minha sina?
Criar tudo que se abomina.
Criador de mente velha.
Ferrugem de espera.
Moedas sem nenhum valor.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Perturbador

Derrubei os metais no abismo.
Agora sou um ser nu para o mundo.
Não serei motivo de regozijo para ninguém.
Nem posso.
Nem quero.
Exterminar as máscaras, é o que espero.
Ainda sonho em sorrisos quebrando o mármore frio,
em estrelas cadentes realizando pedidos inocentes,
ou no simples raio solar.

A cada dia que passa, perco a humanidade.
Reencontro pedaços dela, às vezes.
Pálidos e temerosos.
Olhares aflitos.

Olho-me no espelho.
Não há reflexo.
Não há nexo nas realidades criadas pelo meu pensamento.

Selo!



Recebi esse selo do blog do Augusto Dias e queria agradecer bastante a escolha!
Sei que tal reconhecimento impulsiona, mas confere a mim maior responsabilidade pelo conteúdo aqui postado!
Espero poder continuar trazendo o mais puro sentimento.
Obrigado.
Preciso, outrossim, seguir algumas regras impostas a quem recebe o selo "Prêmio Muchas Gracias Al Blog Amigable":

1- Exibir o selo!
2 - Apontar o blog pelo qual recebeu o prêmio!
3 - Escolher uma quantidade de pessoas para agraciar com o selo! :)

Como os dois primeiros pontos eu já cumpri, preciso complementar o que falta. Portanto, resolvi escolher cinco blogs para indicação. São eles:


É isso, muito obrigado!

domingo, 1 de agosto de 2010

Brilho

Eu sou o raio.
Meu destino é a terra batida.
O impacto seco.

Eu sou o raio.
Brilho efêmero.
Céu ramificado.
Constelações ao meio.

sábado, 31 de julho de 2010

Reflexões

Escondi-me embaixo da cama naquele dia que o céu ameaçava cair na cabeça do mundo. De lá não saí por horas.
Após o silêncio e a escuridão profunda provocada pela falta de luz, arrastei-me para a janela mais próxima. Vi a lua que espalhava seu calor diáfano pelos cantões do planeta. Vi que a natureza se curvava, clamando pelo amanhecer prometido.
E eu, ser carregado de descrença, permaneci hirto. Conformado com o inconformismo dos que ousavam caminhar sem enxergar um palmo.

Eu quero uma flecha para acertar qualquer estrela.
Só assim, o pó do céu iluminará o espaço.

Eu e meus descompassos. Pensamentos, enfim.

Clemente

Porque minha caneta no papel condena.
Eu sou um ser da arte que envenena.
Eu sou o mito e o monstro.
Poeta que não se apequena.
Embora pequenos sejam os caminhos.
(QUE SE TORNEM LARGOS!)
Que se façam lagos para minha amada se banhar ao anoitecer.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Névoa

Porque a luz é necessária.
A escuridão nos deixa dementes.
Bestas-feras rondam o ambiente.
Uivos macabros.
Lua cheia sempiterna.
Eu quero a clareza solar.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Descanso

Por que me cospem o rosto e passam sem mudar o semblante torto?
Se eu pudesse, lhes quebrava as máscaras.
Pintando o afago no lugar de um sorriso falso.
Eu sou palhaço sim.
Vivo num circo infinito, onde também sou leão e presa.
O meu nariz é vermelho.
O sangue escarlate, quiçá vibrante.
Eu poderia ser mais um tonitruante,
mas prefiro beber da candura.
O mau me ronda.
Eu o desafio.
Eis que a ciranda começa.
Apaziguo.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Se guir

Outrora, a partir de agora, te abandono.
Deixo esta caixa com cartas nunca entregues.
(Por favor, enterre.)
Seguirei o rumo do vento.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

domingo, 25 de julho de 2010

Senti men to

Escrevo para você com o sangue que deixo correr de minhas veias. É a tinta indelével de uma alma sincera. A lágrima também beija o papel. O círculo perfeito como de um anel que une um laço.
Repetiria tudo, todos os dias. Até que não aguentasse mais. Provavelmente, só a morte me quedaria. Eu sei, não é tão fácil acreditar num cigano. Eu que sou nômade. Amanhã posso ser deserto. Mas árido mesmo está o meu leito. Quero aquele teu rio cruzando meu peito.

Márcio Vandré.

"If I lay here,
If I just lay here,
Would you lie with me and just forget the world?"
Snow Patrol

Logro

Quando eu digo que posso, eu venço.
E a vitória virá.

À noite, cantarei cantigas como um velho sabiá.
E os jovens, admirarão a espada que parara o coração do dragão.

Deixe que eu corra pelas planícies.
Deixe que o vento morra em meu cenho.
Amanhã será outra luta.
Labuta que só encerra com o esquecimento.

sábado, 24 de julho de 2010

Träumer

Eu vou ao mar com a minha jangada.
Enfrentar tormentas e dias de sol.
Beber água salobra.
E encantar-me com sereias que querem a minha morte.

Vou assoprar a vela,
rumar para o norte,
onde a bússola não mostra.

Onde o céu é o próprio oceano.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Ausência de cor

Por que palavras?
O céu continua azul.
Nada mais precisa ser dito.

Não quero ouvir mais gritos,
nem suspiros de quem vê o dia entardecer.
Aquele laranja dourado que eu pensara ser ouro,
na verdade o era, mas falso.

Ainda mato aquele corvo que grasnou no meu destino.
Amaldiçoando o eu menino que esperava o porvir.

Por isso, prefiro o silêncio.
Sossego falso.
Sei que na cidade arrancam as almas dos outros.
Aqui, entretanto, não escuto.
É a paz hipócrita.
Meu sorriso amarelo.
Olhos de ira incontrolável.

Tem dias que fico da cor do espaço.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Lacrimal

Eu não sou bom.
Minhas lágrimas são de pó do espaço.
Pretensões nebulosas.
De repente o futuro não é mais esperado.
Quero tempos pretéritos.
Sorrisos que traziam a energia solar.

Hoje só nuvens.
Martírios pedem esmola nas ruas.
Esperanças se drogam na esquina.
Prostituiram a alegria.
Foi uma senhora fria que a levou.
Deixaram-me a loucura.
A candura já vi partir.

Armas sem poder de fogo.

Fogo que queima florestas inteiras.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Vil

Tento ser cruel.
Vem a vida e me supera.
E se todas as barreiras beijam o chão.
Eu também beijo.
Sinto o sabor da terra.
Porque o vil tem seus dias de romance.
De corações partidos.
De loucuras que necessitam de flores mortas.

Ontem mesmo vi o amanhecer.
Em preto e branco.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Tecelão

Ouço de longe um som.
Sincero, eu diria.
Parece algo que espero.

Tantas vezes caí em confusão,
que a janela onde me sento virou um quadro triste.
Agora vejo cores, entretanto.
Não tão vivas como outrora.

Sinto vontade de gritar e pedir para tingirem meu coração
de vermelho.
Daqueles bem vibrantes,
apaixonantes, quiçá.
Pode ser tudo para quem não espera mais nada.

Eu que sempre ficara sentado até o final dos filmes,
enceno, quem sabe, o último ato.
Ou o último dos contratempos.
Amanhã eu posso acordar para contar cataventos.
Aquela brisa de paz no rosto.

...

Aqui, na verdade, não venta.
Nem passam carros na rua.
Parece que tudo têm deixado de existir.
Vejam só.
Um tecelão de sonhos agora escreve.


segunda-feira, 19 de julho de 2010

Inocência

- A alegria vem lá do fundo do poço, disse a criança.
Sem deixar ninguém comentar, continuou o seu monólogo:
- E são os monstros que a trazem! Por isso não tenho mais medo!
- Hoje sei que se existe o escuro, a luz que está fazendo isso com ele.
- E eu brinco em todos os dias que o sol vem.
- Meus amigos imaginários e eu...

domingo, 18 de julho de 2010

Diálogo

E o outrora?
- Já foi, meu nobre.
E o agora?
- Partirá em breve.
Devo ir também para não perder meu trem.

sábado, 17 de julho de 2010

Futuro

Coube a mim fechar esta última lâmpada. É de lá do centro da cidade, onde ninguém mais anda. Passam dias e as portas cada vez mais trancadas. O medo ronda, enquanto olhos apavoram-se na varanda. Desde então, aquele é o único recanto que não chega a escuridão. Amanhã não será mais. E o verde que floresce, dará lutar à fruta que envelhece, apodrecendo de vez o que entendíamos como amanhecer.

Sentido

Minha felicidade é aquela estrela lá no fundo do universo.
Muitas vezes ela brilha, quase na clareza solar.
É quando admiro o luar.
E uno-me à escuridão do espaço.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Teatro

As luzes se apagam.
O espetáculo se acaba.
No palco, apenas um ator.
Corpo hirto.
Um grito:
- E para todos que discordam, é assim que acaba. Breu infinito.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Fui

No meio das interpretações de nós mesmos, vivemos.
E a vida martiriza ou faz cócegas em nossa nuca.
O ferro no peito nem sempre queima. Só quando em brasa.
O peito em brasa é um coração pulsante.
Ser humano é isso.
Ser vibrante.
Ser.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Gigante

Amarga o peito.
E o crepúsculo já não é mais tão belo.
Nem o sol é tão vibrante.
O vento não sopra mais, só grita.
Macabro como em outros tempos.

Não há luz no fundo do poço.
Existem fantasma do passado.
Martírios que se escancaram
e roubam meu sangue num conta-gotas.
Eu assisto tudo, como se tivesse morfina em minhas veias.

O delírio agora é pó.
Os vulcões em erupção.
Nuvens negras, nenhuma paixão.
Tonituantres trovões apavoram.
Vejo as coisas sentado da minha janela.
Hoje mesmo mataram um gigante.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Menina

Veja o olhar da menina.
Sincero.
Sua pele alva, de candura.
Expressões que não sinto mais no ar.
Calma que me falta em alguns segundos.

Deixa teu sorriso assim, sempiterno.
Conquistará o mundo.

domingo, 11 de julho de 2010

Raio

Raio, brilha em meus campos,
enquanto flutuam os pensamentos e eu
Se há algo que traz meu canto, outra coisa inspira adeus.
Dentro sou tudo, completo e quase nada.
Buracos negros na alma,
espírito tentando ser livre, sorrisos perdidos na estrada.
E se quedo de pranto, outrora sou santo
Sendo santo, peco.
Deus punitivo me abre o peito.
Eu, pobre humano, nessa pena me enriqueço.
E até me esqueço que ainda terá o amanhecer.

Raio que brilha em meus campos, vem e me faz renascer.

P.S Feito em parceria com a minha grande amiga Yasmin! Ela merece todos os aplausos! :)

Calado

Eu, carregado e sempiterno,
tonitruo emoções.
Esvazio espaços.
Vácuo.
Parece que chamo o silêncio.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

God

Conseguiste teu primeiro intento, meu rebento.
Agora siga a luz, sem receio da escuridão.
Não carregas mais lamento,
nem prostração.
És vitorioso como os centuriões.
A espada da glória está em tuas mãos.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Clareza

Claro,
Lá do outro lado do rio há luz.
Amarelada, como o brilho do sol.
Resplandescente, quem sabe.
Insisto em dizer que o calor é a melhor morada.
Sequidão não.
Seguirei com meu barco a remo.
Esquecendo o breu dos becos sem saída.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Caça

O coração do caçador pulsa.
A tensão está nas veias.
A caça chega, não sabendo que a vida está num limiar.
Ao lado a morte, sorriso sempiterno.
Ocaso.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Esgotamento

Que há, poeta?
- A inspiração me falta.
E as estrelas?
- Não brilham como antes.
As montanhas, então?
- Me falta o vigor para vencê-las e atingir o cume.
Por que o cume?
- Lá é guardado o sublime.
E não há sublime nessa pequena flor?
- Outrora. Hoje não mais.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Diamante

- Eu quero beijar estrelas.
- Então, pegarei minha escada para te fazer feliz.
- E vou subir cada degrau devagarzinho.
- E eu olhando para você, como um menino vislumbrado pelo primeiro entardecer.
- E vou te puxar pelo braço e te trazer comigo.
- Seremos pássaros.

P.S Post feito com esse amor de pessoa, Carolina Morais. Um beijo pra você!

domingo, 4 de julho de 2010

Crise

O corvo grasna. Perturba o poeta, que na azáfama de produzir algo, nada escreve, a não ser rabiscos. A lixeira está cheia de lixo quase literário. O que acaba por atestar certa incapacidade. Lá fora a escuridão perturbadora. Só faltava raios e chuva. Um chá quente talvez resolva. E acalme. Ledo engano, nada impõe criatividade à mente quanto esta prefere o silêncio das palavras.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Universo

Nada novo neste peito velho.
Deixei voar os pássaros.
Não retornaram.
Distraio-me assoprando nuvens,
que não são de algodão.
Qualquer dia,
fatalmente irei engolir uma estrela.