sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A gente podia

A gente podia se ver no ar.
Como dois pássaros.
Seríamos as estrelas e o céu.
Gotas de mel.
Leves brisas sonhadoras.
Mentes cheias de algo mais do que o sonhar.


A gente podia se ver no ar.
E esquecer do mundo.
Fechar os olhos sem dormir.
Fechar os olhos e sentir o abraço profundo.
Corações uníssonos e palpitantes.
Olhares.
Instantes.
Recordações que se eternizarão. 

Azul

Se esse azul que carrega nos olhos é do mar, eu não sei.
Parece o céu.
Da vontade de voar.

Continue seu caminho, menina.
Sorrindo, sem deixar de brilhar.
Não se deixe esquecer que um leve toque de carinho
pode toda a vida mudar.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Astronauta

Eu queria ser um astronauta para ter as estrelas e quem sabe me afastar do mundo quando eu precisasse. Como se fosse um refúgio, sabe? Um lugar seguro para descansar as idéias, sem necessitar ver o tempo passar. Um lugar de silêncio, para que eu pudesse aquietar minha alma hiperbólica. Um espaço para sonhar, enquanto eu descobria cada tonalidade do brilho estelar.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Onde está?

Eu te daria o mundo, mesmo que eu não pudesse comprá-lo.
Queria o seu sorriso.
A luz dos seus olhos.
Hoje eu guardo em mim o silêncio.
E um certo amargor.
Onde anda a palheta de cor para eu pintar o mundo?
Onde está o amor?

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Janelas


Às vezes odeio o silêncio.
Odeio o tempo.
Odeio o passado que deixei passar.
As portas que tive medo de abrir.
Malditas janelas, sempre tão tentadoras.
Eu teimoso que não sei voar.

Deixa

Você me deixou.
Morreu o amor.
A esperança claudica.
Eu sinto a dor.

Você me deixou.
E o mundo descoloriu.
O vazio invadiu.
A luz apagou.

Você me deixou
E o vento calou.
O sol se escondeu no horizonte.
É noite e não há luar.

Não há estrela cadente.
Nem desculpa decente para cantarolar.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Branco

Em branco.
A vida segue em branco.
É pranto.
A vida segue e perde o encanto.
Quantas páginas escritas no lixo.
Quantas almas cansadas de chorar.

Não adianta ficar para esperar a semente germinar.
Olhe o horizonte.
Caminhos.
Caminhos a trilhar.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Às vezes chove

Às vezes chove.
Uns se entristecem na janela.
Outros se regozijam abrindo os braços para o céu.
Flores nascem.
Ruas ficam com poças.
A dualidade da chuva é a dualidade da vida.

Saudade

Teve seu vôo mais alto.
Imersa em seu próprio pensamento.
Não olhou para trás, bem que eu queria.
Ilógico, eu acho.
Não me acostumo com a sua ausência.
Hoje e sempre terá um espaço em meu peito.
As asas que você me deu, fizeram eu enxergar a paz que continha no seu olhar.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

V o AR

Eu quebrei.
Em algum momento, eu quebrei.
Perdi a essência.
A luz, quem sabe.
Apoderou-se de mim a ira.
Morreu a paz.

E se antes eu tinha candura nos olhos,
hoje tenho chamas.
Não quero um futuro de lama.
Nem quero ficar preso aqui no chão.
O céu continua bonito.
Azul,
límpido.
Se eu reaprender a voar,
pode ser que eu torne a ter o brilho no olhar. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Volta

Depois que você partiu,
deixou o silêncio.
Um peso em meu peito.

Fecho os olhos,
imagino seu cheiro.

Fecho os meus olhos,
lembro dos seus olhos cheios de vida.

Há um vazio imenso no meu coração.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Tina

Você não voltou.
Voou.
O silêncio ficou.
Machucou.
E a saudade surge,
menina Tina,
princesa de seu próprio reino.
Volta aqui pro seu poleiro.
Vem bater asa junto do mundo meu.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Tina

Você não está lá.
Não ouço seu canto.
Nem vejo você voar.

Chamo seu nome.
Não sei onde está.
Não sei onde vou procurar.

E as horas passam, longe de você.
Minha princesa do mundo das penas.
Quase humana.

Sinto falta da candura do seu olhar.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Trem

Você não estava lá.
Abri a porta e não a vi.
Abri o coração e você não entrou.
Já vou, amor.
Já vou.
O trem vai indo e eu também.
Muitas estações além.
É o futuro que não é meu.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Mau

Eu sou o barulho do vento na janela mal fechada.
Eu sou a chuva na hora indesejada.
Eu sou o medo.
O dedo em riste.
Eu sou o acinte.
Eu sou cruel.
Comigo e com os outros.
Eu sou tristeza.
Procurando pureza.
Correndo para onde tem luz.
Eu sou a escuridão.
E eu sei que isso te seduz.
Pois fechando os olhos, é quando melhor você pode sonhar.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Amor é

Eu não sei dizer o que o amor é.
Se aquele frio na barriga,
ou se aquela sensação enorme de querer voar.
Ou se não é nada disso.

O amor pode ser qualquer coisa que eu ainda não tenha.
Ou o amor pode ser tudo que tenho.
E não enxergo.

O ser humano tem a mania de turvar a vista para o que importa.
E assim fecha todas as portas.
Perde as chaves.
Muda o caminho.
Sem nunca experimentar a sensação de conquistar o ar.

Estrada

Quanta estrada.
Quanto céu pra vislumbrar.
Quanto ar para respirar.
E estrelas para contar.

E eu aqui parado.
Insensato.
Esperando a vida me levar.

Perdi

Eu perdi meu caderno com todos os escritos e pensamentos meus.
Perdi uma parte de mim jogada no abismo dos demônios dos eus.
Canto uma melodia triste,
quase um acinte para os ouvidos bons.
Meu mundo se tornou pequeno.
Escuro, pouco sereno,
ausente de paz,
nada são.

Como voar mais alto se tenho na perna um grilhão?
Como vislumbrar o futuro se olho as coisas sem emoção?

Cadê a paleta de cores?
Dê-me ela.
Deixa eu pintar uns novos amores
e um sorriso no coração.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Papel

Eu escrevi a tristeza porque vejo o acabar das horas.
Escrevo porque temo que a caneta acabe a tinta.
E não reste mais sangue em minhas veias.
Escrevo, essencialmente, para me sentir vivo.
Porque tenho nas letras o ar.
Porque no papel eu posso fazer qualquer papel.
Posso ser infinito, embora eu não queira.
Posso ser eu sem barreira.

Trapo

Naquele momento que você piscou os olhos,
eu parti.
Segui meu caminho.
Por estradas que nunca imaginaria passar.
Vi novas terras.
Um novo mar.
Até cheguei a velejar, cruzando o oceano frio.

Reconstruído, recosturado,
sou eu.
Um homem de alma de trapo.
Coração às vezes de rocha,
às vezes de papel.

Não sei cantar canção.
Mas tenho em meu peito muitas músicas,
que embalarão não só os meus sonhos,
como também as minhas conquistas.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

A deus dará

Adeus Dará,
Eu tenho que partir.
Meu futuro há de vir
e não canso de sonhar.

Adeus Dará,
fique com as partes de mim.
Com os trapos de roupa e de pele.
Com os olhares que perdi em ti.

Adeus Dará,
agora eu vou para outro mundo.
Pois tenho asas aqui em minhas costas.
Mas não tenho rotas, nem fórmulas.

Adeus Dará,
seguirei errante,
vagabundo,
vacilante,
sozinho.
Tal como uma estrela na imensidão do universo.

Adeus Dará,
a deus dará.
Rodopiante, vou soltando meus dias.
Até que a vida me queira ver parar.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Espera. Não sei.

Espera. Não sei o que dizer. A noite caiu. Eu ri sem querer. Olhei as estrelas. E a lua tão bela. Estava eu na janela. Esperando você.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Presto

Ao passo que dou meus passos.
Passeio.
Cruzo o mundo.
Preencho-me de histórias.
Guardo-as na minha memória.
E na lembrança de quem me viu.

Por cada ponto que passei.
Deixei um pouco de mim.
Seja nos sonhos,
ou no que vivi.

Nem sempre acertei.
Às vezes chorei.
Suspirei.
E sorri.

E estou aqui.
Remendado.
Vivendo o presente.
Sentado, vislumbrando o passado.
Pensando o que será do futuro que eu nem sei se é meu.

Que fazer com os minutos que passam?
Não ser o resto do que resta.
Procurar a luz.
Nem que ela esteja saindo de uma lucarna.

Ser pouco não presta.

Aridez

Ao meu redor,
verdades.
Minhas.
Dos outros.
Do mundo.
Quanto aprendizado.
A cada segundo respirado,
eu não sou mais o mesmo.

De fraquezas e forças,
outro ser amanhece todo dia.
E é obrigado a caminhar, havendo ou não poesia.
Mesmo se o terreno estiver árido,
não se pode desacreditar do poder das sementes que temos que plantar.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Construção

E eu lá sabia que tinham mais olhos na escuridão.
Eu lá sabia que não era só eu.
Por trás daquele breu, havia um grande mundo.
Imensidão.

E cruzei as portas.
Abri todas as janelas.
Porque as asas em minhas costas queriam ganhar o ar.
Meu rosto queria sentir o vento.

E eu, consequentemente, buscava sentir uma esperança em meu peito.
Uma chama que a gente teima em pensar que está apagada.
Porque temos a mania de jogar o coração na lama.
E pisotear o nosso próprio sentimento.

Mas quem disse que somos só destruição?
Somos semente também.
Poesias e construção.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Portas

Entre as noites, açoites ocorrem.
Pisoteiam corações.
Enquanto o amor sussurra.
Em busca de uma chance.
Querendo se despir de tudo que não o complete.
Mal sabe ele que nunca nos completaremos.
Pessoas vêm e vão.
E levam consigo as chaves das portas que fecham.

domingo, 4 de setembro de 2016

Um mar

A vida é um mar.
Muitas vezes você não vê terra.
Nem tampouco o céu.
Você sabe, outrossim, que deve continuar navegando.
Porque precisa chegar em algum lugar.
Não parar no meio do oceano.
Você tem que encontrar alguém para ouvir suas histórias.
Sentir suas memórias.
Caso contrário, não teria graça escrever os dias.
Nem teria significado o sol amanhecer, para nos livrar da noite.
Por isso, hei de velejar.
Porque o tempo passa.
E se eu não aproveitar eu perco os bons ventos.

domingo, 28 de agosto de 2016

Ausência

Ausência.
Uma palavra cheia de nadas.
Ausência.
Nessa hora lembramos das histórias.
Ficamos com as memórias que nos foram contadas.
Ausência.
Embalada com lágrimas enquanto se navega em um mar revolto.
Ausência.
Três pontos.
É quase como a luz que se apaga.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Nu

Emudeci.
Busquei razão.
Uma porta fechada.
Solidão.

Não há luz na rua.
A esperança parece louca,
pois está andando perdida e nua,
questionando onde estão todos os planos.

Talvez tenham sido enganos.
Coração, de novo leviano.
Assombrado pelo próprio medo.
Quiçá agora passem anos,
ou a próxima porta esteja na esquina.

Eu bem queria uma menina para repousar minha cabeça e esquecer do mundo.
Mas eu não sou de querer mais.
Não me compete.
Eu vou vivendo,
construindo meu caminho na hora que passo,
porque cansei de esperar.


quarta-feira, 27 de julho de 2016

Pulo

Eu pulei.
Cruzei o infinito.
Saltei penhascos.
Voei como andorinha em busca do sol.
E assim tenho feito.
Para fugir do tempo.
E encontrar a nuvem que devo deitar.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Sorrir

De todas as esperas, seu beijo foi a melhor delas.
Enquanto o oceano de emoções nos desencontravam.
Eu navegava, mesmo sem saber se ia chegar.
Naveguei tanto.
Acordei e dormi.
Senti uns severos espantos.
E até fingi não haver pranto, pondo na minha face uma máscara,
que você quebrou ao me fazer sorrir.

Algoz

Se a angústia fosse ostentação.
Eu estaria nadando agora em mais de um milhão.
Porque as horas não passam com silêncio.
Porque a mente não descansa sem luz.
Não aquela externa.
Falo daquela que mora dentro de nós.
Não quero ser aquele que apagou a vela.
Deixando no escuro a esperança.
Vivendo com alcunha de algoz.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Abril

Eu não a procurei.
A encontrei em Abril.
Em meio às nuvens de um certo luar.

Eu não contava as horas.
Passei a contar.
Passei a esperar seu beijo.
Desejo incontável.
Vontade de amar.

Foi você que deu luz para um coração moribundo.
Que achava que ia morrer andando como um vagabundo,
sem casa para descansar.

Sair

Sair nada mais é que chegar em outro lugar. 
Quando você sai, 
abre uma porta deixando o lugar antigo, 
para pousar os olhos em um mundo novo.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Foi você

Você.
Foi isso que foi.
É isso que está sendo.
Não sei que mágica tem em seus olhos.
Não sei que doce guarda no seu beijo.
Sei que a desejo.
Paro e penso.
Quero só um tempo passado ao seu lado.
Quero você e eu.
Mãos dadas.
E um caminho florido a seguir.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Giz

Bailei. E em tantas danças eu a encontrei. Andando cabisbaixa pelo salão.
Trazendo em seu peito solidão. Rezando por um coração que abraçasse o seu. Insinuei pegar sua mão.
Zelo que quero ter.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Pai

Pai. Não precisei ficar um oceano distante para reconhecer. Dos meus atos, inspiro-me em você. Eu sei, não consigo fazer com a mesma perfeição, Pai, Você tem lutas diárias, assim como eu. Preocupa-se, mas mantém um sorriso no rosto. Tem dentro de ti uma criança que não se perdeu. Torço muito, meu nobre pai, para construir-me com seus alicerces. Para caminhar bravamente como você. Torço, pai, para envelhecer como você. Um herói altivo que mora na minha realidade e nos meus sonhos. Uma mente recheada de luz.

Irmão

Relembro, irmão, Amanheceu pela primeira vez como um forte. Fincando boas memórias em nossos corações. Agora é homem feito. Espelho de bons atos. Leão, nessa selva de almas vazias. Batalhador. Único. Semente que brotou. Trago no peito orgulho de ti. Amo você, pois teu sangue também corre em mim. Menino de sonhos sem fim. Ainda vai muito conquistar. Não há limites para ti. Todo o mundo é o teu lugar. E certamente terá o mundo que quiser.

Mãe

Mãe. Tantas vezes que dormi em seu colo. Agora durmo no colo do mundo. Mas não conseguiria se você não tivesse se prestado a me ensinar. Mãe. Hoje aguento a luta. E luto, nem que os pedaços do tempo venham me arranhar. Mãe, você é mais que o doce da palavra. É pedaço vital do meu coração.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Caminhante

Na multidão de nadas.
Eis que aqui estou.
Seguindo um rumo que não previra.
Andando por campos floridos ou de dor.
A carne sente o golpe.
O chicote.
Ainda sim eu ando.
Pois se tenho aprendido uma coisa,
não se pode viver com a alma impedida.
Há mundo demais.
Vida de menos.
Nem sempre a paz de um lugar plano vai te deixar pleno.
É preciso subir e cair.
É preciso vencer e perder.
Até que não nos reste mais segundos dos nossos dias...

terça-feira, 10 de maio de 2016

Onde tu fostes?

Estamos enterrados nessa multidão de nadas.
Pessoas desamparadas.
Olhos sem cor.

Há uma fila de mesmos.
Segredos.
Afundados em dor.

Amanhecem os olhos.
Adormecidos permanecem os pensamentos.
Luz.
Onde fostes?

Traga algo de novo para estas almas.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Batalha

Escrevo cartas para o vento.
Escrevo amor e sofrimento.
Deixo chuva e sol passar.
No meio das trevas, acho luz.
No meio da luz, caio em escuridão.
Assim os dias vêm e vão.
Eu tenho que continuar.

Se abro os olhos,
algo ainda tenho para enxergar.
Se respiro, ainda vivo.
Se eu vivo, que seja para batalhar.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Cala meu pranto

Canta.
Cala meu pranto.
Canta.
Traz o meu canto consigo.
Canta.
Quantas vidas temos para aceitar amofinar?
Canta.
Levanta.
Começa a andar.
Canta.
Sente o sangue percorrer seu corpo.
Num mundo tão grande não precisamos ser pouco.
Temos uma estrela.
E mesmo que não seja noite,
podemos fazer ela brilhar.

domingo, 1 de maio de 2016

Cancioneiro

Se a rotina o derruba. Levanta a vista. Olha para o céu. Arrisca. Não perde o azul que vai lhe levar a sair do léu. Aos poucos a gente se acha. A coragem percorre as veias. Levanta, calça as meias. Hora de correr. Mas corra daquele jeito sem pressa. Veja a natureza ao seu redor acontecer. Corra, como se fosse criança. Eu sei, ainda tem essa lembrança. Não deixe ela morrer. Sinta o que bate no seu peito. É o que mostra que você ainda tem o que fazer. Não perca o seu significado, menino, você é diamante. Seu valor não dá para dizer. Siga, rumo ao horizonte. Procure a luz. Não se deixe esmorecer. Seus olhos ainda brilham cheios de vida. Imagine quantas experiências ainda vai beber. Nesse jogo, somos imperfeitos. Peças desconexas. Nem vamos nos completar. Por isso capte tudo o que vê. Porque o segundos correm. Mesmo no silêncio. Mesmo que ainda tenha uma vida inteira para viver.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Luz

Pega a cadeira e senta,
conta tua história.
Prende minha atenção.
Resgata minha memória.
Traz o sol,
que as nuvens tanto escondem.
Traz a paz com teu abraço.
Mostra para mim um pouco de descompasso,
para que eu saia da rotina.
Me nina.
Menina.
Que o teu calor seja capaz de rachar o frio.
E fazer um coração vergastado pulsar.
Com luz, todo sorriso brota.
Seria você a minha luz?

terça-feira, 26 de abril de 2016

Querubim

Querubim,
Um dia tu acertas o alvo.
Espalhando o amor em corações alheios.
Tristes pelo tempo.
Arredios com medo de amar.
Loucura todos cometem.
Perder algo agora, para depois ganhar.
A maré nem sempre fica alta.
Remar às vezes é melhor do que esperar o vento ajudar.
Adiante, rumo ao horizonte.
Reluzentes raios de sol irão te animar.
De ferro não somos.
Esta carne sofre, mas é feita para superar.
Melhorar.
Instinto que temos.
Maravilhar.
Inspirar para dar o próximo passo.
Momentos para viver e rememorar.
Inevitável o crescimento. Muito se há para escalar.

Futuro

Deixa eu te embalar,
nem que seja em teus sonhos.
Não irá esquecer do meu olhar.

Eu posso te fazer navegar.
Esteja preparada para suspirar,
para em seguida abrir os olhos e vivenciar um mundo novo.

Vem comigo, menina.
Siga a luz.
Segura a minha mão.

O calendário tem folhas suficientes.
Mas eu quero uma.
O dia que seus lábios tocarem os meus.

Promise

Prometa,
que não importa o tempo passado,
que carregará no presente o sorriso alcançado.

Prometa,
que teu jardim terá um espaço meu.
E que regará a semente que eu plantar.

Prometa,
que dançará comigo,
sem se importar com os outros.

Prometa,
enquanto eu sonho tê-la.
Enquanto minhas ações não passam de poesia.

Pesadelo

Às vezes existe luz para nos lembrarmos das sombras.
E para não querermos voltar para a ausência.
Ninguém merece dançar com a escuridão.
Nem abraçar o vazio.
Cartas não voltam.
Os pensamentos não aquietam.
Os sonhos se tornam pesadelos.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Trago

Divago.
Na solidão do meu pensamento.
Eu trago todo o sentimento.
Flutuo em todos os ares.
E não calo, pois ainda existem milhares de mares.
E eu nem sei quando vou parar de navegar.

Ampulheta

É tua melodia que eu quero ouvir.
Doce som da tua voz diamante.
Quero que o tempo passe sim.
Para tê-la em meus braços.
Dançando a dança dos querubins.

Ei menina,
Teus olhos escondem segredos.
Tua boca é de um sorrir sem medo.

Quero sentir teu abraço.
Só penso e me desfaço.
Viro areia.
Caio na ampulheta contando as horas que estão por vir.

domingo, 24 de abril de 2016

De vagar

Hoje eu fui longe.
Voei.
Senti as nuvens em meu rosto.
Senti o pouco virar muito.
A esperança cresceu em meu peito.
Por um instante, fui passado, presente e futuro.
Eu fui claro e escuro.
Uma peça do universo.

Daí eu percebi que eu posso ser o que eu bem querer.
Se estrela,
sol
ou planeta.
Poeira cósmica.
Névoa.
Ou uma simples história incompleta.

Incompleto.
Incompletudes.
De tantas construções,
O homem esquece o seu desbastar.
Tantos tijolos que faltam.
Tanto pecado que beija a boca
e faz chorar.

Por eu ser único,
não significa que terei que morrer só,
fugindo de meus fantasmas,
até afastar de mim mesmo.
Até não me reconhecer em frente ao espelho.
Não posso viver esperando o melhor sem que ao menos tenha me esforçado para tanto.
Sem que, portanto, eu mereça.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Plantio

Canta para as estrelas.
Irriga o bem viver.
Não há razão de ser menos.
Transborda.
Hoje é hora.
Infinito é o tempo desde que para tanto você plante.
A semente é sua, mas a terra agradece o plantio.

sábado, 2 de abril de 2016

Cicatriz

Cicatriz não sara.
É marca indelével.
Serve para olharmos no espelho e não esquecer os caminhos errados do passado.
É um alerta para não voltar.
É um sinal para continuar o caminho.
Porque a estrada pode não ser florida sempre, mas certamente lhe dará algum fruto para colher.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Epifania

Epifania é talvez um jeito de descobrir que você está ficando mais forte. Porque você pára para pensar por tudo o que você passou e você observa que você passou, embora você não acreditasse.

Epifania talvez seja transcender. Talvez seja transformar. Olhar um novo meio de viver.

Epifania talvez seja abrir as asas e voar rumo ao horizonte com os pássaros.

Epifania talvez seja o momento dizendo que você deve ser livre. Pois você como semeador tem muito trabalho a fazer. Você como ser vivente tem a obrigação de ser o melhor que você pode.

Epifania talvez seja o modo que você tem para te fazer pisar novamente no solo e te pôr de novo na realidade. Muito embora ela te leve para uma momentânea abstração.

Epifania, em suma, é a renovação da crença em si mesmo. Quem sabe. Tenho tanto caminho para percorrer. Talvez eu descubra isto como verdade. Talvez eu passe e nem veja. Mas não importa. Vamos viver.

Sobre a vida

Olha todo este verde que pinta meus olhos.
Há tanto para ver.
Mares para navegar. 
Colinas para subir. 
Caminhos para ir e nunca voltar. 
Porque a vida é contínua. 
Pegue a brisa, faça a rima. 
Siga para o trajeto que você escolher. 
Mude oportunamente quando achar que deve ser. 
Faça sua história. 
Construa sua memória.
Faça sua vida acontecer. 
Tanto, tanto, tanto que nós temos. 
Tanto, tanto, tanto que podemos. 
Não há motivo para deixar a alma perecer.

Sobre as grandezas do mundo

Somos pequenos demais.
Nossa vida é uma parte da natureza que nos cerca.
Somos tão pequenos,
partículas,
que não podemos nem nos descrever.
Somos sonhos,
algumas abstrações.
Somos caminhos a percorrer.
Eu acredito nos humanos.
Acredito que possamos aprender.
Não é possível olhar para a grandeza do mundo
e não pensar em crescer.
Tanto que temos para oferecer.
Tanto que temos para extrair.
Não podemos resumir nossa vida em meras palavras.
Não podemos querer uma vida defronte para uma parede.
Caso contrário nossas histórias serão em branco.
Passaremos em branco.
E não plantaremos sequer uma semente,
para alguém que vier a pisar onde pisamos,
possa colher.

Conclusões sobre a grandeza

Não, não somos nada perto da grandeza do mundo. Nenhuma palavra é suficiente para descrever o que cada vida contém. Nós não somos suficientes para uma vida. O que temos que fazer é plantar sementes, para que um dia alguém possa colher o aprendizado em nossos passos, para seguir adiante e extrair o máximo que se pode do viver.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Sobre o rio

O rio correu.
E eu quis que corresse.
Com lágrimas ou chuva.
Para que viessem logo as curvas.
E eu não pudesse olhar mais para trás.
Tem tanto horizonte para a frente.
Não posso ficar descontente.
Meus pés não andam se eu não quiser andar.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Vi da

Sabe, menino. A gente tem que dançar com alguém que ajude a amparar nossas angústias, não que aumente o peso delas.

Quando teus olhos brilharem, certifique-se que não se trata de uma luz fugaz, como das estrelas cadentes.

Não viva de desejos.

Caso contrário, terá somente sonhos.

Nenhuma ação.

Perdendo boas histórias.

Obliterando junto com o tempo que lhe foi dado.

Até que vire o pó.

Um ser findado.


Amor é

Sambei.
Nem sei quanto dancei.
Vi meus olhos brilharem como o sol.
Aconchegado em um abraço.
Sem espaço para a tristeza pousar.

O tempo passou.
Olho para trás.
Nem sei o que restou.
De mim.
Não aceito este ponto como um fim.

No horizonte,
ainda há montanha para escalar.
E quem sabe o céu será meu.
Quem sabe eu ache outro olhar que faça pulsar este remendado coração.
Cansado, mas fadado a lutar pelo amor dos sãos.

Amar é (2)

Me leve para longe daqui.
Onde possamos bailar cem danças ou mais.
Seremos o melhor que poderemos ser.
Brilharemos nossos corações mais que qualquer estrela.
Amor é uma palavra que constrói.
Não uma peça que falta.
Nem silêncio entre os sentimentos.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Loucura

Que me vençam, mas não calem a minha loucura.
É o extrato do mais puro eu.
É semente que planto nos universos.
É um verso,
cheio de estrelas
e mundos.
Pois da loucura retiro a seiva
e pinto meu riso.
E sigo.
Infinitamente eu sigo.
Para o destino que a vida escolheu.

sábado, 12 de março de 2016

Primavera

Sinta a dor, amor,
que vem embalando meus sonhos.
Não há céu limpo por estes cantões.
No mundo cheio,
estou só.
Cheio de coração vazio.
Esperanças vãs de um novo amanhecer.
Pensei que era passageiro.
Hoje estou num cruzeiro que não vê a terra chegar.

A primavera.
De todas as eras.
A minha árvore é a que mais deseja o florir.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Os olhos e o muro

Sentia saudade.
Beijava a infinitude.
E se derramava lágrima, era por bem querer.
Nem sei que dia o coração parou de bater.
Hoje, sei que está com olhos fixos no muro.
É escuro.
Falta o bom de viver.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Livro

Eu abro o livro do passado.
Vejo as fotos.
Os sorrisos que me foram dados.
Passo as páginas.
Vejo o vácuo.
O sentimento escondido no canto.
Pedindo socorro.
Se eu ficar aqui esperando,
será que as estações passarão brevemente?
Do frio do inverno já basta.
A alma não aguenta para sempre o inferno.
De nós mesmos.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Mãe

Mãe.
Palavra de imenso significado.
É dona de um dos abraços mais amados.
Porto seguro do viver.

Mãe.
Mulher de cheiros muitos.
Lembranças e sorrisos.
Jardins de flor.

Mãe.
Não sou mais criança.
Mas nunca sairá das minhas memórias o amor que tu trazes no coração.
Mulher forte, vibrante. Distribui gratidão.

Mãe.
Se eu pudesse criar uma cantiga.
Ninaria você por toda a vida.
Cuidando de cada passo teu assim como fez comigo.

Mãe.
Tu que me embalaste para a terra.
Dando-me abrigo no mundo dos vivos.
Receba a minha eterna gratidão.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Questões

Como a chama apaga?
Como o passado deixa tão profunda marca?
Como o corpo parece que vai perecer?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Erro

A pessoa errada.
A porta que não abre.
O horizonte que nunca deixa o sol se pôr.
Em um mundo de nuncas,
Não podemos ser luz.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Enredados

Enredados em teus cabelos vivem teus sonhos.
Enquanto tu olhas para o céu,
o tempo passa.
As horas voam.
Somem igual fumaça.
Logo o punhado de areia que pegamos será devolvido à terra.
Lutemos, diariamente, para que junto caiam nossas sementes.

Na ve gar

O pior oceano para navegar é o seu.
Porque às vezes o barco pára.
Chega a tempestade.
O pensamento cala.
E não tem bússola que aponte o norte.
Nem tem céu com estrelas para iluminar.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Giro

Algumas vezes a vida nos cala. Perdemos a alma. Deixamos de ver o sol nascer. Algumas vezes o tempo nos abala. Leva aquilo que um dia fez o nosso sonho crescer. Transformando em fumaça o que estava em nossas mãos e não soubemos guardar. Um dia, quando o tempo abrir, talvez ainda haja estrela. Quem sabe um porvir. Porque não somos de pouco sorrir. Nem acreditamos no pouco. Somos loucos em busca da nossa mantença. Se queremos um vôo leve, que aprendamos a voar. Porque ninguém vai ensinar o caminho. Ninguém vai te guiar. Essa é a lição que aprendemos enquanto se respira. O mundo gira. Mas não somos obrigados a também rodar.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Migalhas

Eu não quero mendigar sentimento.
Não sou feito de pouco.
Nem sou migalha para dar aos pássaros.

Antes eu carregava um sonho.
Quase desumano eu fui.
Hoje carrego um peito vazio.
Um céu sem estrela.
Um olho opaco.

Eu abri uma porta.
Fechei as janelas.
Resolvi passar.
Porque não quero mais esperar.
Até boneco de pano desfia com o tempo.
Imagina o ser humano.
Um poço de lamento.
Imagina.

Hora de virar a página.
Há um presente para se construir.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

A maré

Amar é aceitar a reconstrução diária.
É retirar máscaras.
É abrir o peito.
E ainda sim sorrir.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Veneno

Tantos caminhos a vida deixa os nossos olhos vislumbrarem.
Tantas gotas doces caem em nossa boca e nos fazem delirar.
Assim vive o homem,
carregando a incerteza do que vai encontrar.
Caminha, não se sabe para o horizonte ou para o abismo.
Prova o líquido, mas não sabe se irá se envenenar.