segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Desencontros

O tempo está acabando.
- Nunca é tarde.
Mas eu digo que está.
- Não importa.
Vou embora.
- Deixe a porta aberta.
Não retornarei.
- Tudo bem.
Adeus.
- Adeus.

...

- Só uma coisa.
Sim?
- É melhor fechar a porta. Não quero que entre ar.

9 comentários:

  1. Engraçado como o que parece definitivo, nem sempre é tão defitivo assim!

    Grande beijo, Márcio!

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  2. Me impressiona esta faceta do humano que você retrata em seus textos. A posse.
    Existe a insinuação e depois a declaração do desejo de que
    - sem ar - o outro se asfixie.

    Isto é ressentimento, não é?
    Como não tenho vida, quero tomar do outro a que ele tem. Quero o ar que ele respira.

    Muito bom. Curto, conciso e extenso em possibilidades de se pensar o humano.
    Beijos, querido.
    Estou em Recife, tenho entrado pouco.

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  3. Marília!
    É que a vida dá tanta volta. Por isso existe o "deja vu" hehe.
    Um beijo!

    Mai!
    Trouxe um sentido filosófico ao meu texto.
    Obrigado por suas interpretações!

    Recife! Ora, está perto daqui! :)

    Um beijo!

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  4. Lindo mesmo, Marcinho!!!

    O tempo acaba, as coisas mudam, mas o mais interessante de quando sofremos quando acabamos algo, é justamente aquela sensação de que não queremos que mais nada floresça em nossos jardins. Por isso não permitimos que entre ar.
    Queremos ficar ali, remoendo as nossas faltas, lambendo as nossas feridas.

    Me lembrou uma música:

    "Eu respiro tentanto encher os pulmões de vida,
    mas ainda é difícil deixar
    qualquer luz entrar..."

    adorei mesmo!!
    beijinhos
    =)

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  5. Yasmin!
    Preferimos sofrer do que perceber onde está o erro.
    E amofinamos.

    Queria saber que música é essa!
    Um beijo!
    Obrigado!

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  6. A música é do LEONI, sou péssimas com títulos por isso nem irei me arriscar! rs. Pensei nela também e, pensar nela caiu como uma luva ao meu momento agora. :X

    Belo texto!!!
    Mas espero que após a porta ser fechada a pessoa perceba que ficar dentro de uma casa chata, repleta de lembrança é bem intediante. Que ela abra a porta, respire bem fundo e vá olhar o céu lindo que faz lá fora...

    Beijos, de luz.

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  7. Ultimamente ando um tanto quanto paradoxal. Ao mesmo tempo que fecho portas e engulo a chave pra que não perigue de abri-las, outras portas queria eu ter a chave delas olhar pra um lado e pro outro e gritar pra não deixar que quem saiu por elas vá de vez. Belo blog, encontrei-o fuçando na blogosfera.Abraços.

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  8. Fernanda!
    O céu não é para todos.
    Mas não há graça de vislumbrá-lo só da janela...
    Espero que passe da sua fase nebulosa.
    Um beijão e obrigado!

    Michelle!
    Ando assim também.
    E convenhamos, algumas portas precisam ser trancadas para que a fera contida lá amanse.
    Um beijo e obrigado! Espero que torne!

    Yasmin!
    Obrigado pelo nome da música, vou procurar! =*

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