sexta-feira, 12 de março de 2010

In memorian

Perda.
Sentimento irreparável.
Quebra-cabeça incompleto.
Música sem bardo. Sem bandolim.
Eis que a tristeza rodopia em preto e branco.
Carrossel de prantos.
Caminhos sem fim.

P.S. Pela perda que o Brasil teve no mundo dos quadrinhos hoje.
Pelas perdas diárias que temos.
Simplesmente, pelas perdas...

quinta-feira, 11 de março de 2010

Notívago

Eu sou um punhado de fragmentos.
Tenho coração apunhalado sem ser vampiro.
Condenado ao torpor e à escuridão.
Não ver a luz do dia.
Trevas.
Relâmpagos.
Nenhum cordel a ser proferido.
O facão arrasta na terra.
Fragmentos espalham-se no ar.
Fogueira em brasa.
Fumaça que faz dispersar.
Alguém sabe uma canção de ninar?

quarta-feira, 10 de março de 2010

Quadro

Se no teu olhar há o infinito?
Aposto que sim!
Nas curvas simétricas do teu rosto, passeio.
Imagino o teu respirar tranquilo.
Devo tirar uns daguerreótipos.
Aclarar os quadros que não foram pintados.
Desvanecer escuridões,
esperando o fim da madrugada.

terça-feira, 9 de março de 2010

Acerbo

Estão as cartas na mesa.
As mentiras.
As balbúrdias.
O uísque derramado.
A lascívia escorrendo para o chão.
No cinzeiro o cigarro ainda esfumaça o ambiente.
Vendo idéias.
Ou as jogo pela janela.
Meus pés estão descalços.
O chão está frio.
Meu coração também.

segunda-feira, 8 de março de 2010

EmpedernIR

Que coração empedernido o seu.
Não responde às palavras que profiro.
Seria eu ladrão se pudesse.
A maré não banha essas praias.
Vivo na espera dos novos amanhãs.

Halley

Eu.
Cometa que passa.
Vida efêmera.
Vapor de fumaça.
Calor intenso.
Silêncio.

sábado, 6 de março de 2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

Lunar

Ontem estive observando a lua antes de dormir e conversei com ela. Disse palavras que não me recordo. Vi o bailar das nuvens para evitar o brilho lunar. Quase um cotejo. De toda forma, me deixou anestesiado. Queria ter aquela sensação para sempre no peito.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Você

Queria eu escrever belezas,
mas sem você aqui não há possibilidade.
Olho para o mar, para as estrelas,
tudo opaco.
Mesmo o pôr-do-sol não tem o tom alaranjado de outrora.
Cansei de pedir esmolas de abraços que nada se comparam ao seu.
Finquei a espada no chão de pedra.
Ao lado sentei.
Sonhei que é plausível ainda uma dança.
Encho-me de esperança quando vejo o amanhecer.

quarta-feira, 3 de março de 2010

sonhAR

Ar que respiro.
Rede que embala os sonhos.
Flechas que disparo a esmo.
Do alto da montanha vejo o mundo.
As luzes da cidade.
Cada luz, uma vida.
Cada vida uma ferida a cicatrizar.
Deixo a onda do mar desmoronar os castelos que construi.
Devo acordar, porque quem vive só de sonhar não consegue de fato voar.

ImaginAR

Sempre pensei que guardava o infinito nas mãos. Outrora, tive dúvida e as abri esperando algo. Não havia nada. Naquela hora passou uma cigana já bem velha e ranzinza, que disse que eu precisava ter imaginação. Eu falei que tinha. Ela continuou andando a passos lentos até desaparecer por completo na escuridão.
Desde então venho treinando. Abro as mãos e saem pássaros, vagalumes. Já há uma floresta, meu recanto, em minha volta. Acho que já vou puxar a nuvem para me aboletar. Não, não vou fazer chover.

segunda-feira, 1 de março de 2010

ObservAR

A cadeira de balanço e o vento.
A casa solitária e o silêncio.
Nada novo no alvorecer.
É um perigo ceder à rotina.
Parece-me mais uma sina esse desvanecer.