quarta-feira, 19 de maio de 2010

Queimada

As gotas da ira são veneno irremediável.
Os olhos que queimam florestas inteiras.
Olha a folha seca que espatifa quando pisada.
Olha o carvão queimado, rude, como qualquer destino a seguir.

6 comentários:

  1. Porém... No fundo do peito sempre há um resquício de sentimento que é capaz de abrandar qualquer ira, abrasar qualquer carvão incandescente...

    Beijos!

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  2. Seu poema me levou a este instante de minha vida:


    Há fumaça no vento. E meu equilíbrio, ela carrega. Só ouço os estalos de trovões chicotearem a torre. Tento tapar os ouvidos, impedindo seus gritos de horrores. De nada adianta. Acampo-me numa pedra, tentando me cobrir com um jornal antigo. Mas a chuva apaga minha fogueira. Retiro dela, o caldeirão de sonhos que juntei, pendurado em um estábulo de metal. Eles borbulham flamejantes, me pedindo para serem salvos. Eu os derramo no chão. Mas antes, os benzo fazendo o sinal da cruz, para que descansem em paz. Vejo seus estalidos coloridos encharcarem o poncho da terra que arde de olhos abertos. Não consegui. Eu não consegui gente. Faço uma perícia das minhas qualidades humanas. E tudo o que vejo é destrutivo e sem sentido. Minha mãe me manda calar a boca. Enquanto minha alma sai do corpo tocando um violoncelo.



    Me deu vontade de te contar.


    Seu post,
    Devastador.


    Te entendo. Me entendes.

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  3. Vou queimar-me na fogueira das sensações com a intenção de que meus pecados possam ser vitimados!

    Abs poeta.

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  4. Me ensina
    A juntar as palavras assim...
    A fazer tantos sons diferentes.

    Adorei

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