quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Corra sã

Eu sei que o teu amor pode ser o meu.
O sentimento não esqueceu o brilho recente de algumas constelações.
Assim, as luzes da cidade também não apagaram.
Das janelas, olhos atentos esperam o desfecho de algo.
Em um lugar da terra inteira, um fogo não abranda,
uma música não pára.
Bandoleiros pulam e dançam enquanto a população os seguem pelas vielas.
Os pés ainda continuam a trilhar um caminho de passos concretos.
Falta o cimento para solidificar certas pretensões.

Analiso o silêncio.
O fechar dos olhos.
O hirto estado da máscara que não cai.

Sonhe comigo.
Aceite minha mão para um samba.
É possível sorrir na corda-bamba.
Abraçar antes do mundo cair.
Porque a rotina não alcança as nuvens.
Tua clarividência, sim.

Não deixe o trem partir.
Cruze comigo o horizonte.
Seja minha lua no céu sublime da noite.
Serei teu dia.
Esquentarei qualquer manhã fria.
Por ti.

4 comentários:

  1. "Porque a rotina não alcança as nuvens." É verdade.
    Só esse desejo máximo de amar e ser amado nos leva até o céu.

    Abraço!

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  2. Diante de tão belo e tentador convite é besteira tentar manter os pés no chão, o negócio é dar as mãos e poder voar, deixar tudo mais para trás e poder seguir: "Ao infinito e além" !!!

    Tuas palavras é que são clarividentes, tais quais seus sentimentos!

    Um beijo, Márcio!

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  3. Nossa.
    Lindo. Eu fiquei sem palavras.

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  4. Belíssimo poema, Márcio! Delicioso de ler.

    Beijo.

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