terça-feira, 20 de julho de 2010

Tecelão

Ouço de longe um som.
Sincero, eu diria.
Parece algo que espero.

Tantas vezes caí em confusão,
que a janela onde me sento virou um quadro triste.
Agora vejo cores, entretanto.
Não tão vivas como outrora.

Sinto vontade de gritar e pedir para tingirem meu coração
de vermelho.
Daqueles bem vibrantes,
apaixonantes, quiçá.
Pode ser tudo para quem não espera mais nada.

Eu que sempre ficara sentado até o final dos filmes,
enceno, quem sabe, o último ato.
Ou o último dos contratempos.
Amanhã eu posso acordar para contar cataventos.
Aquela brisa de paz no rosto.

...

Aqui, na verdade, não venta.
Nem passam carros na rua.
Parece que tudo têm deixado de existir.
Vejam só.
Um tecelão de sonhos agora escreve.


7 comentários:

  1. "Amanhã eu posso acordar para contar cataventos."

    Um beijo!

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  2. Adoro tudo o que vc tece, moço!

    Beijo.

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  3. Lindo.

    E ela teceu com os dedos, os raios de sol que entravam no quarto, colorindo a manhã.

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  4. Tecelão que tece versos, versos coloridos, talvez palavras ao vento para brincar com os cataventos, da minha janela seus poemas ganham vida.

    beijão

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  5. continue inspirando-nos a sonhar. Sigo-te.

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  6. Definitivamente você anda fruta madura. Só não se deixe ser derrubado do pé.

    Excelente!

    Beijo

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