quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Tanatos

E pela primeira vez ele teve medo da morte. Sentiu um calafrio e olhou desesperadamente para os lados. Não queria partir.
Ela teria mesmo a foice e o sorriso eterno que os sábios preconizavam? Seria mulher de poucas palavras, objetiva no que deveria ser feito. Ceifava a vida e cortava o vento, para numa distração, se unir às partículas de poeira que circundam o mundo inteiro.
O dia passou, triste. À noite, ele não se refugiou no escuro, como sempre fazia. Pernoitou com a luz acesa, buscando o outro lado da sala. E nada do bicho preto malvado apanhador da seiva vital.
Quando o sol amanheceu, estava cansado. Sorumbático pela depressão que se instalara graças ao pensamento que corria solto e pintava o quadro num tom tão negro e soturno, que não se podia ver o céu.
E foi assim que esmaeceu. Exânime pela própria consciência.


8 comentários:

  1. Pois é, a morte nos assombra e seu mistério apavora, mas entre as incertezas da vida, a morte é a única certeza que podemos ter e mesmo assim, não conseguimos nos acostumar com essa idéia!

    E então, quando é que você vai escrever um livro?
    Tenho certeza que teria muitos leitores, pois escreves muito bem!

    Um beijo!

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  2. Acostumar não.
    Mas entendê-la eu acho que podemos.
    Não sei, entretanto, o que falta para fazer esse elo. Por esse motivo vou escrevendo, divagando e tentando entender esse ser misterioso.

    Sobre o livro, bem. Eu tenho uma série de contos escritos.
    Infelizmente não possuo ninguém que patrocine essa idéia de publicação. E, por enquanto, a idéia de escrever miudezas aqui neste blog vem me agradando.
    Também possuo um livro em "trabalho de parto", mas devido ao final de curso, o abandonei. Espero concluí-lo em 2010.

    Ademais, obrigado pelo elogio.
    Admiro muito a sua escrita também.
    Um beijo!

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  3. interna o Tanatos.
    ele tá precisando.

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  4. Eu acho que já é tarde.
    Um beijo, Sandra!

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  5. ... o medo, já é a própria morte!
    diz isso a ele. Tá?

    Beijão, de luz.
    ps: Ah, quando o livro sair... quero o meu com autógrafo! :x

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  6. Pode deixar, Fernanda.
    Tomara que ele saia em breve.
    Hehe.
    Um beijo!

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  7. A morte é uma certeza.
    Mas também a idéia de que temos de aproveitá-la ao máximo enquanto a temos é certa.

    O bom de filosofarmos sobre a morte, é que sempre acabamos pensando um pouco mais sobre a vida !

    Parabéns pelo post.
    Muito bom !

    =D

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  8. A vida é a morte sendo contada.
    Um beijo, Yasmin.

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